Antônio Gramsci
Não me convencerão de que um
partido socialista pode abandonar seu programa para construir alianças a torto
e à direita ,com qualquer agremiação que
represente interesses da classe dominante.
Não!A reinvenção do
socialismo do século XXI não passa pelo abandono dos princípios que norteiam a
ética socialista,a independência de classe e a geração da consciência dos explorados e humildes.
O PSOL,ou uma parte dele,
precisa repensar suas atuações.Um programa não pode ser violentado ao primeiro
aventureiro com o espaço na mídia ou densidade eleitoral.A mudança que
desejamos não pode esquecer que o projeto socialista depende de lisura nos
atos,pois ainda falamos para poucos,mais somos ouvidos, e que não somos somente
um espectro,somos a alternativa real ao descabido e absurdo capitalismo.
A nossa utopia não pode se
tornar algo confuso aos que necessitam crer em um paraíso construído por
todos,com a força da consciência de cada trabalhador e marginalizado.
Não!Se o PSOL realmente quiser ser essa ferramenta de transformação,não poderá ceder aos encantos da sereia institucional,à institucionalidade pura e simples que leva ao governo,mas não leva ao poder.Precisamos pensar nisso,a chegada ao governo não leva necessariamente a chegada ao poder.E se a hegemonia deve ser construída em todos os espaços, sem a doença infantil do esquerdismo,também não poderá se realizar sem que a História esteja nas mãos,balizando os erros do passado,comprometendo as massas,atualmente amorfas,para o destino inexorável da sociedade sem explorados e exploradores.
Um partido se constrói como
alternativa de fato a partir de um programa claro,sem malabarismos e
justificativas toscas de atuação meramente parlamentar.Kaustky foi enterrado.A
frente de esquerda deve ser um dos horizontes a ser construído,pois não
queremos a liberdade e diversidade no socialismo?Submeter o partido aos
interesses de setores dominantes,por mais progressistas que sejam,só irá
apontar o futuro para o que estamos vendo acontecer com o PT.Se virem apoios do
lado de lá ,que venham com todo prazer,mas sem que o programa seja
rebaixado,sem que nos deixem de cócoras,acreditando que seja possível mudanças
substanciais e verdadeiras sem que
sejamos honestos com a pureza de nossa utopia.
Queremos um partido de
massas que vá além dos guetos.Ou qual será a diferença entre um partido de
quadros e um partido de quadros parlamentares?Nenhuma aliança com os setores
burgueses,nem tática,nem estratégica.Eles estão superados pelo menos por 300 anos
e buscam sua sobrevivência anulando a força dos movimentos sociais ,suas
reivindicações imediatas e suas utopias.
O caminho já foi posto pela
vitoriosa campanha de Freixo.Sigamos sem abandonar o que queremos,sem deixar de
percebermos os ritmos de entendimento das maiorias ,mas sem as ilusões de que a
democracia liberal e parlamentar é o fim.Ela pode ser nossa,desde que saibamos
conduzir e pavimentar os caminhos,tendo
sempre em mente o socialismo,sem gosmas autoritárias.Socialismo e liberdade,mas não a liberdade do fazer o que bem entender,sem que estejam norteadas nossas ações pelo programa partidário.A liberdade estará presente em todas as ações que desamarrem as correntes políticas,econômicas e culturais.Superado camaradas,é o capitalismo.
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