01 abril 2017

Não roubem minha razão.

O PT é parte do golpe que praticaram contra ele.Levou ao poder o que há de mais podre.Tudo bem(é,mais ou menos.Estamos mal.).
Fazendo a autocrítica de que o modelo de conciliação de classes pode,como fez, levar a um desastre ainda maior,poderia produzir de novo a politização das ruas.
No entanto,a crença em um 2018 redivivo ,com um programa igual ao anterior,é tampa para o caixão.
Se o "Lula roubou seu coração",admito,ele já fez isto comigo isto em 1989.Mas não fez isso nas décadas seguintes.O que ele não pode, é roubar sua razão.

Desmilitarizar consciências.

Diga que você não acha normal que uma menina  seja assassinada dentro da escola por agentes do Estado.

Diga pra mim,que a inútil política de enfrentamento com o tráfico mata e criminaliza a população pobre e negra e também mata policiais,que no dito popular não passam de "buchas" para o Estado assassino ,onde seus dirigentes se locupletam com o tráfico através da corrupção, que executa  pobres por não querer acabar com a pobreza.

Diga pra mim que a farda é mero pretexto de uma milícia oficial que cumpre o papel de manutenção da ordem excludente.

Diga pra mim,que a violência contra a classe média serve pra alimentar discursos de ódio contra pobres e fortalecer a eleição de oportunistas e fascistas,mas a violência contra a favela e periferias é somente número de estatísticas.

Diga pra mim que você que frequenta templos e igrejas, reza para que o gatilho do Estado e da PM não se mova tanto contra tantos.

Diga pra mim,que você concorda que a violência começa no simbolismo de uma educação pública destruída pelo Estado todos os dias.

Diga pra mim,que a classe média que apoia golpes e desregulação de direitos está arrependida pela merda que fez e pela merda que é.

Diga pra mim que você não acha mesmo que desmilitarizar as PMs é acabar com a polícia,e que o militar só vê inimigos e não cidadãos que lhes dão o sustento.

Diga pra mim,eu preciso de um alento para o meu cansaço.

19 março 2017

Neutralidade

A neutralidade é o cobertor que protege a mediocridade e o "status quo".Em todas as áreas,em toda a superestrutura cultural,o apelo à neutralidade é impossível.

Mais do que todas as razões que apelam ao discurso imparcial,a neutralidade é ideologia,falsificando as raízes dos problemas,ratificando a ordem social injusta e excludente.

Qualquer ser social possui suas origens de classe,suas formações culturais,pois está inserido em sociedade.

Os espaços de fala são registros das opções e formações ,e mais importante,são expressões de seu posicionamento político.

O ato político é o ato de poder,entendendo poder como a capacidade  de influenciar  vontades e desejos,de garantir a proximidade do que não é perecível,de exercício de suas capacidades para angariar vantagens ou garantir seu status,suas posições hegemônicas e a continuidade ou transformação de seus papéis sociais.

O "neutro" só pode existir onde não esteja inserido em meio social ou cultural.
O campo da cultura e das relações sociais é o campo da inexistência do imparcial.
Qualquer discurso refere-se à interesses e nenhum interesse é neutro,a ponto de não interferir no outro ou no meio em vivemos.

O cobertor que cobre o "neutro" apazigua o conflito e mantém tudo da forma que está.

O cobertor da neutralidade autentica as vontades hegemônicas,garantido e conservando as verdades que prevalecem.

Um dos conceitos de cultura se define pela ação do homem pela transformação de bens naturais em bens culturais,materiais e imateriais,construindo tradições que cimentam a continuidade social.Mas também produzem tradicionalismos,que são ideologias de manutenção dos postos de poder.

Não há nada no mundo da cultura que não possua relação direta com interesses.

A neutralidade é a maior força de manutenção da ordem social,garante ares de naturalização das injustiças e preconceitos,banaliza e encobre o que há de errado sob o ponto de vista ético,ou ao acúmulo de valores que se apresentam pelas culturas como referências.

A média do pensamento do senso comum,conformado e domesticado, acredita na neutralidade por ter incorporado as normas que introjetou  pelas ações ideológicas que conformam as instituições sociais,que não lhe beneficiam,que inclusive lhe prejudicam.A média do pensamento do senso comum é a mediocridade ,e esta não produz mudanças sociais e legitima os espúrios valores que sustentam a injustiça e a exploração social.

20 janeiro 2017

Sobre grades e liberdades.

Em cada cárcere está presa a essência da humanidade.

Ocupados com suas falseadas visões de mundo,ordenada pela tirania do mercado,praguejam pela morte e pela tortura,como quem pede um sonho na padaria.

Em cada cárcere estão nossas formas de vida,nossas normas e culturas e todas as frustrações que o sistema produz.

Cada currículo escolar ou escola em destruição, é matéria prima para futuras grades.

E cada um com seus desejos de consumo e necessidades não alcançadas pregamos que todo sofrimento deva ser pouco para aqueles fracassados que violaram as regras.Depois me recolho às orações,pedindo pelo bem e pelo direito de continuar livre em frente ao telejornal.Isso não é da "minha conta"!

Nos Shopping Centers finjo exercer a minha liberdade entre vitrines e sonhos de consumo.

E comemoro a liberdade em frente à TV e publicando lindas fotos nas redes sociais.

E cada um que se acredita livre,pode por algum tempo,se sentir vitorioso por não estar no cárcere e comemorar a cada corpo caído sua "liberdade" consentida, por ser um obediente em sua vida de eterna infância.

Mas o cárcere não é para brancos,poderosos e corruptos.Cada grilhão que procure seu negro ou favelado.

Em cada encarcerado há uma tumba de uma sociedade que se alimenta da punição,por não haver disponível outro nutriente para eliminar suas dores produzidas pelo sistema.

Cada encarcerado é produto da alienação de todos,é produto da conivência com o mal feito e mal vivido,é resultado da tolerância com a atual Idade Média,vestida com cores de século XXI.

Em cada cárcere, jaz cada um de nós.

Sobre as micaretas de dezembro de 2016

Sobre as "micaretas" de 4 de dezembro.

A judicialização atual da política brasileira é resultado da falência da Política enquanto canal viabilizador  e mantenedor de direitos.
Crise de representação,colocação feita por movimentos sociais há muito,é expressão de uma democracia que não empodera classes populares.
 Com a derrota do PT,vem a certeza do esgotamento de um projeto de conciliação de classes,que a história nos demonstra sua impossibilidade quanto a sua permanência sem a brusca ruptura.
As manifestações de hoje são fruto do cansaço da classe média pagadora de impostos,enquanto a burguesia não paga,"detalhe" que a classe média ainda não entendeu.
A aliança entre classe média e burguesia é histórica,é regra no sistema capitalista.As exceções produziram grandes transformações sociais,quando estas classes médias entenderam seu caráter e o seu papel social,se aliando aos desejos e aspirações dos trabalhadores e excluídos economicamente.Mas seria cobrar muito da classe que sempre esteve ao lado dos corruptos que ela mesma elege.
As Manifestações deste dia 4 de dezembro, das classes médias,sem precariado,sem programa,sem elementos populares e sem os Movimentos Sociais, são um engôdo,produto da falsa consciência da realidade e que carrega consigo os projetos autoritários,conservadores e reacionários.
"Acabar com a corrupção",com herói forjado pela direita, messianicamente hasteado como salvador da pátria é um erro que pode ter consequências históricas terríveis.
A estes,falta a compreensão de que a fonte da corrupção é a relação promíscua entre Estado financiador do capital e o próprio capital,que como a classe média,prefere privilégios à direitos universalizados,forma cultural de um país onde o Estado é ausente em produção de políticas públicas.

Capitalismo e Esperança.

O liberalismo e suas variações históricas não possuem fundamento científico ou filosófico,não passam de falsa consciência da realidade,ideologia,usurpação dos recursos da humanidade e do planeta para a legitimação da ordem e da dominação social para a obtenção do lucro.

Conforme a História desconstrói suas contradições,novas alegorias e "novas" versões do natimorto são produzidas,novos agentes manipuladores se arvoram para defender o indefensável,e o fazem com a máscara da seriedade e dos títulos acadêmicos.São como malabaristas tentando sustentar a ilusão. Não há verdade possível em uma biblioteca liberal.
A maior vitória da humanidade será o soterramento dos cínicos que veiculam a farsa e a tragédia.Não há esperança no capitalismo.

Bauman ,diversidade e igualdade.

Bauman,teórico da crise da era Moderna,ou da pós-modernidade, dizia que "mais que lutar pelos direitos da diferença, deveríamos nos empenhar pelo direito à igualdade"("A Cultura no mundo líquido moderno").

Bandeiras pelos Direitos são fundamentais,até porque a direita raivosa abomina os valores iluministas,mas não podemos esquecer que as raízes dos preconceitos estão na Ideologia ,nos valores burgueses,superestruturais, do individualismo e da competitividade.

Para um sociólogo que não era marxista,o recado foi muito bem dado em suas obras.Que a esquerda entenda que a democracia liberal é fantástica diante do atraso do pensamento humano,mas esta democracia que permitiu certa liberdade,não permitirá a igualdade econômica.