26 julho 2018

Chet Baker,poeta do jazz.

←Os 85 anos de Chet Baker, uma lenda do jazz
TATIANE CORREIA



Publicado originalmente em 2014
https://jornalggn.com.br/

85 anos de Chesney Henry "Chet" Baker, Jr. (Yale, Oklahoma, 23 de dezembro de 1929 – Amsterdã, 13 de maio de 1988)

Nascido Chesney Henry Baker Jr. em 23 de dezembro de 1929, em Yale, Oklahoma, Chet Baker era filho de Vera Baker e Chesney Henry Baker.

Baker nasceu e foi criado em uma família musical. Seu pai, Chesney Baker, Sr., era um guitarrista profissional, e sua mãe, Vera, era uma pianista talentosa que trabalhava em uma fábrica de perfumes. Baker começou sua carreira musical cantando em coro de igreja. Seu pai o apresentou a instrumentos de metal como um trombone, que foi substituído por um trompete quando o trombone revelou-se demasiado grande.

“Quando eu tinha treze anos, papai chegou em casa com um trombone. Tentei tocá-lo durante umas duas semanas, sem muito sucesso. Eu era pequeno para minha idade e não conseguia alongar até o fim a vara do trombone. Além disso, o bocal era muito grande para os meus lábios. Depois de umas semanas, o trombone acabou desaparecendo, e em seu lugar surgiu um trompete, que era muito mais apropriado para o meu tamanho”.

Desde o primeiro momento com seu instrumento o talento era visível. Dominou rapidamente o modo de soprar no trompete e desenvolvia sua habilidade mais rápido do que assimilava a teoria musical. Talvez este tenha sido o fator decisivo para que Chet Baker preferisse tocar de ouvido, um hábito que o acompanhou durante toda a sua carreira.

Baker recebeu alguma educação musical em Glendale Junior High School, mas deixou a escola em 1946, para se juntar ao exército dos Estados Unidos. Ele foi enviado para Berlim, onde se juntou à banda Army 298. É nesse período que ouve jazz pela primeira vez, pela rádio do exército.

Quando Baker retornou à vida civil começa a estudar teoria musical no El Camino College, na Califórnia. Logo ele estaria conduzindo seu próprio grupo. Ele gravou muito durante a década de 1950 - muitas vezes cantando com uma voz sedutora que complementou sua boa aparência - bem como tocando.

Sem motivo aparente decide se realistar no exército e  volta a tocar na banda militar. Entediado, deserta e volta para Los Angeles

Iniciou, com apenas 22 anos,  a sua carreira de sucesso com Charlie Parker quando este estava à procura de um trompetista para acompanhá-lo em sua turnê pelos Estados Unidos e Canadá. Baker tinha grande afeição por Charlie Parker, por sua gentileza, honestidade e pela maneira como protegia os músicos da banda, tentando mantê-los longe da heroína que tanto lhe corroía.



Em 1952, quando Gerry Mulligan começou a formar seu famoso quarteto sem piano - chamado de pianoless jazz (a importância dessa inovação é grande pelo fato de ser o piano o instrumento que geralmente conduz a harmonia das canções), escolheu Baker, com quem já havia tocado em jam sessions, para dividir a frente do palco. Gerry Mulligan criou o estilo ‘west coast’, um estilo de jazz mais calmo, menos frenético cujas músicas caracterizavam-se por composições mais elaboradas. Sua versão de 'My Funny Valentine' com Mulligan é clássica.


Amante do jazz, Baker não tardou em conquistar o sucesso, sendo apontado como um dos melhores trompetistas do gênero. Rapidamente se tornou uma estrela.

Quando Mulligan se afastou do conjunto por motivos diversos - seu envolvimento com drogas era o maior deles - Chet Baker tomou pra si a liderança e rearranjou o quarteto adicionando o pianista Russ Freeman, um de seus mais notórios parceiros durante toda a sua carreira.

Chet conquistou um novo público ao lançar-se como cantor, à frente do próprio quarteto. Viajaram pelos EUA com grande sucesso, e nessa época Chet Baker começou a ganhar prêmios nas revistas especializadas. Após desentendimentos o quarteto se desfez e Baker seguiu para a Europa. Sozinho, permaneceu na Europa tocando com músicos de todos os níveis.

Em 1950 foi preso pela primeira vez por porte de drogas e quando voltou aos EUA começou a consumir drogas pesadas por volta de 1956. Com isso, se envolveu em diversos problemas tendo sido internado no Hospital de Lexington e preso em Riker's Island por porte ilegal de drogas. Sem uma autorização para tocar em lugares que servissem bebidas, resolveu voltar para a Europa. Vive e toca na Europa pelos próximos quatro anos, sediado na Itália, onde também é preso por drogas.

Em 1954 Baker venceu o Downbeat Jazz Poll.

Por causa de sua beleza, Hollywood se aproximou de Baker e ele fez sua estreia como ator no filme Hell’s Horizon, lançado no outono de 1955.


Em 1956 ele se casou com Halema, uma bela mulher paquistanesa que aparece em algumas das famosas fotografias de Baker tomadas por William Claxton. Eles tiveram um filho, Chesney Aftab Baker, em 1957 ("Aftab" é mais ou menos equivalente a "júnior" na pátria de Halema). Em 1959, Baker saiu para fazer um show e deixou Halema e Chesney Aftab com o escultor americano Peter Broome em Paris. Broome e Halema começaram um relacionamento e, posteriormente, o escultor adotou a criança.



Em 1961, Baker conheceu uma atriz Inglesa, Carol, na Itália. Eles se casaram em 1964 e tiveram três filhos: Dean,  Paul e Melissa

Ele foi um dos músicos mais importantes da sua geração e esteve sempre à frente do seu tempo. Além de tocar seu instrumento como poucos e com absoluta suavidade, Chet Baker também inovou ao colocar sua voz pequena, porém sempre bem colocada e muito afinada, inaugurando um estilo único, que influenciou vários artistas. Ele ajudou a estabelecer o que viria a ser identificado como “cool jazz”: uma música econômica, de poucas notas, mais tranquila e fria, oposta ao bebop incendiário de Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Bud Powell, cujos temas tinham ritmo veloz e fraseados cheios de notas.

A vida pessoal de Baker muitas vezes ofuscou a profissional. Ele era extremamente talentoso, mas sua dependência de drogas arruinou sua reputação nos EUA, mas valeu-lhe grande de simpatia entre muitos europeus. Esta simpatia não foi compartilhada, no entanto, por parte das autoridades na Europa, e ele foi banido de vários países durante a década de 1960, só sendo permitido retornar no final de 1970.

A maior crise, entre tantas, em sua vida foi um agressão física por traficantes no final dos anos 1960 que destruiu seus dentes. Em consequência da agressão sofrida, Chet teve que tirar todos os dentes da arcada superior, fato desastroso para um trompetista, que mudou toda a sonoridade das suas canções e até da sua voz quando cantava. Na fase em que teve mais problemas com drogas, vagou pela Europa e chegou a trabalhar como frentista em um posto de gasolina.

O músico foi preso várias vezes em função do vício, sua vida, no geral, foi nômade e desorganizada. Sempre precisando de dinheiro, aceitou propostas duvidosas de gravadoras precárias, nas quais não ficava muito tempo. O resultado disso tudo foi uma discografia extensa e de alguns itens descartáveis.

Existem diferenças de opinião sobre os altos e baixos na qualidade do seu trabalho , mas todos concordam que a década de 1950 - especialmente a parte inicial da década - fosse seu apogeu. A avaliação geral é que pouco do que ele gravou em 1960 foi particularmente bom; No entanto, enquanto alguns pensam que ele nunca se recuperou, muitos aficionados sustentam que ele realmente melhorou durante seus últimos 14 anos de vida, quando ele voltou após a perda de seus dentes.

Em 13 de maio de 1988, Baker caiu de uma janela de quarto de hotel em Amsterdã. Até os dias de hoje as circunstâncias da sua morte são imprecisas, deixando dúvidas e várias versões foram sugeridas sobre o que realmente aconteceu. Suicídio, acidente, assassinato são algumas das hipóteses possíveis, pois ele despencou estranhamente do 2º andar do hotel, com apenas 58 anos de idade, mas com aparência de mais de 80 anos, principalmente em razão da sua dependência às drogas pesadas.

A heroína foi encontrada  em sua corrente sanguínea, e tanto a heroína como a cocaína foram encontradas em seu quarto, que estava trancada por dentro. Seu corpo foi enviado de volta para a Califórnia e enterrado ao lado de seu pai. Ele foi socorrido por sua mãe Vera, a esposa Carol e quatro filhos.

Em Oklahoma, funciona a Chet Baker Foundation, sem fins lucrativos, que preserva sua memória. Seu filho Paul Backer é o diretor executivo e responsável pelo acervo do artista, acompanhado de perto por vários conselheiros, que inclui a atriz Sharon Stone.

Em 1985, Chet esteve no Brasil em duas apresentações no primeiro Free Jazz. Acompanhado por uma banda liderada pelo pianista Rique Pantoja, com quem já havia gravado dois discos, o show carioca, segundo alguns, foi decepcionante, mas em compensação, o paulista foi um arraso.

Na sua cola, a organização contratou um médico que ministrava doses de metadona no combate a seu vício em heroína. Porém, Chet driblou a todos, conseguiu drogas e quase morreu de overdose em uma suíte do Hotel Maksoud Plaza.

Homenagens:

Ganhou o prêmio New Star para trompete no prestigiado Critics Poll Downbeat, em 1953.

O filme All The Fine Young Cannibals (1960), é uma produção levemente inspirada na sua vida (o personagem chama-se Chad Bixby)

Introduzido no Big Band e Jazz Hall of Fame em 1987.

Em 1991, o cantor / compositor David Wilcox gravou a canção "Unsung Swan Song de Chet Baker" em seu álbum Home Again , especulando sobre o que poderia ter sido os últimos pensamentos de Baker, antes de cair para a morte. A canção foi coberta por kd lang como "My Old Addiction" em seu álbum de 1997.


Em 1991, ele foi introduzido no Oklahoma Jazz Hall of Fame .

Foi homenageado no documentário “Let’s Get Lost”, dirigido pelo fotógrafo americano Bruce Weber, feito com a colaboração do próprio Chet e que estreou alguns meses depois da sua morte, ocorrida no ano de 1988. Todo gravado em preto e branco, apresenta trechos de programas de TV e fotos do início da carreira, onde era comparado ao astro James Dean. A trilha sonora do documentário foi lançada também em CD.

Em 2013, com o álbum I Thought about you, a pianista e cantora brasileira Eliane Elias presta tributo  a Chet Baker, interpretando temas do repertório do saudoso trompetista. Vieram ao estúdio Randy Brecker, ao trompete, Oscar Castro Neves e Steve Cárdenas nas guitarras, Marc Johnson ao contrabaixo, Victor Lewis e Rafael Barata se revezando na bateria e mais o percussionista Marivaldo dos Santos.


Fontes:

Candelabro aceso para Chet Baker(1929 - 1988)

Chet Baker na Wikipédia

Chet Baker na Wikipédia , em inglês

Chet Baker no IMDb

Chet Baker (1929-1988), por V.A. Bezerra

Chet Baker, a atuação que mudou a vida de João Gilberto, por Alfeu

 Chet Baker: o gênio branco do jazz , por Fernando do Valle

Chet Baker: o poeta do jazz, por Marcelo Lopes Vieira

Conheça as músicas essenciais de Chet Baker

O disco que João Donato não gravou com Chet Baker

Gigantes do jazz: Chet Baker

 Livro revela as memórias de Chet Baker

Sobre Chet Baker: uma divagação apaixonada, por Andreza Spinelli Balln        

Toda vez que dizemos adeus, por Sergio

A tragédia do esfolado vivo, por Antonio Gonçalves Filho

Livros:

Funny Valentine – The Story Of Chet Baker, por Mathew Ruddick

Memórias Perdidas

No fundo de um sonho: a longa noite de Chet Baker, por James Gavin

No rastro de Chet Baker: um caso,de Evan Horne

https://youtu.be/2Ynn3mzC2E4
Coletânea









































15 julho 2018

Futebol e um outro mundo possível.


Tenho acompanhado com atenção as discussões pela rede sobre apoio ou não apoio às seleções, como França com seleção de origem africana ou Croácia, que possui torcedores e jogadores fascistas(alguns deles),principalmente por questões históricas.
Isso é longo em minha vida, quando a seleção brasileira é usada politicamente para a afirmação da filosofia da ditadura civil-militar no Brasil ou, quando nas vésperas da copa de 2014 já se apontava a corrupção generalizada e uso dos recursos públicos para o benefício do capital, que escolheu países dos Brics,nas últimas copas para sugar os Estados nacionais de África do Sul, Brasil e Rússia.

É muito triste ver que o futebol como identidade das culturas brasileiras possa ser absorvido pela sanha do capital.
No entanto, trago outros pontos que seriam importantes nesta discussão.

O primeiro deles, observados no debate sobre as seleções desta Copa é perceber a "Questão nacional" como referência. Como a torcida por uma ou outra seleção, dentro das esquerdas foi muito além do futebol.

Aqueles que veem na esquerda socialista referência na tática de alianças com países que enfrentam o imperialismo estadunidense,como a Rússia,e que tem a ver com posicionamentos políticos diante da questão da Síria e o governo de Assad,aliado russo frente aos EUA.A mesma questão aparece no debate que envolve as questões nacionais de Croácia,a antiga Iugoslávia,Ucrânia e Rússia,que envolvem a influência fascista   na formação da nação croata,a aliança sérvia com a rússia e etc etc..
Por outro lado,outros setores socialistas que não identificam a questão nacional como parâmetro,ou seja,identificam os setores populares,suas aspirações e demandas independente de governos e Estados,acabam se aproximando mais do marxismo original(e também em Weber),quando caracteriza o Estado como viabilizador da dominação burguesa,ferramenta de repressão política,onde trabalhadores não deveriam ter referências em nações,que mesmo reconhecendo a autodeterminação dos povos ,engrossariam o caldo da dominação política do capital.
A segunda questão a tratar, é a questão da Identidade cultural.

É fato que a questão da cultura é ponto importante nos debates intestinos às esquerdas socialistas, principalmente quanto a ideia de a cultura e a identidade são ou não prioridades aos marxistas originais ou seu desenvolvimento,quando podemos identificar que a agenda da esquerda hoje tem como pontos importantes questões específicas relativas ao indivíduo e sua autonomia diante de questões como o racismo , a homofobia,a proteção das culturas originárias e etc, dentro do modelo capitalista de lutas de classes.

As questões de classe e afirmação da individualidade são questões ainda que carregam muitas polêmicas no campo da esquerda,que envolvem princípios das correntes políticas emancipatórias.

É duro demais perceber como o Futebol, forma cultural que permite a caracterização do brasileiro  foi e é,e não só aqui, fator de alienação e manipulação política,meio de controle social e dominação.

O capitalismo se apropria de todas as formas culturais como forma de obter lucro e reproduzir suas formas de dominação.
Sobre torcer ou não para tal ou qual selecionado nacional aprofunda debates que revolvem as profundezas das "almas" socialistas e comunistas.

Tenho pra mim,que assim como os meios de comunicação de massa,futebol e religiosidade são sim ferramentas de alienação e manipulação,mas vejo que todas as formas culturais são passíveis de manipulação,no entanto,não a principal.

O principal eixo de controle,alienação e dominação está centrado no currículo escolar ,sem o qual não se pode discutir os processos de "anestesiamento social" e desertificação da racionalidade e de leitura da realidade e  dos acontecimentos sociais(tema tratado em outro momento e outros textos já discutidos).

Portanto, se cada apropriação que o capital faz dos elementos culturais formos envolver nossos princípios, não sobrará nada que possa nos envolver com o mundo real, seremos meros principistas ,alienados do mundo real,portanto,incapacitados para disputar a hegemonia política na sociedade.

Torça e se envolva com a sociedade e o mundo cultural,mesmo sabendo dos propósitos da indústria cultural, pois se condenamos a religião ,o futebol ou a novela, o fazemos por sabermos a que servem e a quem serve, mas ao nos afastarmos deste mundo Real não poderemos ler e identificarmos o que pensa o senso comum, e mais ainda, a cultura popular é propriedade do povo e dos trabalhadores,ao negarmos, pensarmos e nos envolvermos com eles, mas me parece prepotência e principismo ,as vezes, auto proclamação e não passa de um sentimento de pertencimento aos grupos políticos por parte de militantes das causas, vanguardismo que aponta contradições, necessárias mas insuficientes para fazer revolução.

28 maio 2018

Não há moral em você.

Em "intervenções militares" não há manifestação ou greve, não há possibilidade de resistir aos desmandos e à corrupção,não há moral ou ética.
Fardados não são portadores da moral, se não, não fariam o que fizeram ou não fariam o que costumam fazer contra os pobres e favelados hoje.
Não há moral nem ética na ponta de uma arma ou em uma sala de torturas.
Não há moral em quem deixou,sob seus bigodes,sua época e seu governo,nascer o primeiro comando do tráfico de drogas.
Não há moral em quem tortura crianças.
Não há moral em quem é corrupto por poder estar acima da lei.
Não há moral e ética no sistema capitalista que tem como recurso uma ditadura militar.
Burguesias se apropriam do que é produto do trabalho de todos,inclusive da democracia.
Não há moral em você que prega a ditadura e corre para a igreja rezar, para sei lá o que você pede aos céus sem saber quem foi o Cristo.
No instinto que sobrepõe a razão  não há moral,só violência e medo.

12 maio 2018

Perpetuação histórica da relação Casa Grande e Senzala.

É óbvio que as correntes sofisticadas não são as mesmas de 1888,mas também é óbvio que não há o que comemorar no 13 de maio.
O fim da escravidão não libertou a população negra do racismo,não a integrou com políticas públicas.O Estado "Casa Grande" é a herança inequívoca de nossa História.As políticas "higienistas" do século XIX ainda permanecem com toda a força do ódio.
São as populações negras deste país que carregam o peso da miséria e da pobreza, alvos preferenciais da repressão policial e  maior grupo de risco de morte se tem entre 14 e 25 anos,julgados,condenados e executados cotidianamente.
É majoritariamente entre os negros onde prevalece o desemprego,a população carcerária,as moradias sem saneamento básico,a ausência de serviços públicos de qualidade... A população negra deste país carrega o emblema da exclusão racista . E se alguma política compensatória é feita,logo é massacrada pela classe dominante que universaliza suas verdades,bem presentes que estão nas cabeças de parcela da classe média.
 Por uma nova Abolição !!!

07 abril 2018

Por uma frente anti-capitalista.


A defesa de Lula é a defesa da agenda antirreformas. Em momento de tanto refluxo da esquerda,que ainda estará associada à experiência petista de conciliação, o que temos é a defesa intransigente do que ainda tínhamos a pouco tempo.

Há uma base social petista  orfã,muito tempo antes do processo de Lula.

Na esquerda socialista sonhamos grande, muitíssimo além das importantes políticas sociais e assistenciais do PT.

O governo Dilma de recuos permanentes foi terrível para todos nós,com lei antiterrorismo(para ser usada contra movimentos sociais),com o ajuste fiscal(2015), com discursos de retrocesso na educação(fala de Dilma  sobre a "reforma" da educação:"me desculpem a Filosofia e a Sociologia, mas 12 matérias não dá".),com a entrega da comissão de direitos humanos aos ultraconservadores(em troca de voto),com o silêncio aterrador enquanto éramos violentamente reprimidos nas ruas em 2013,por seus aliados, do apoio à farsa eleitoral das UPPs...

Sabemos bem que os golpes dos quais sofremos, fez parte dele o próprio PT,que cavou sua cova.
Só que esta cova também é nossa pois as derrotas são do povo humilde,dos trabalhadores dos explorados e socialistas.

O apoio à Lula se justifica,não para eleições,mas para a construção de um campo onde a esquerda possa denunciar a escalada autoritária da sociedade,de se fazer ouvir de novo por amplos setores indignados que abraçam o fascismo como voto de protesto.

O PT na oposição sempre foi responsável pela politização da sociedade e deixou de fazê-la quando se tornou governo   (sem vislumbrar as alianças com os movimentos populares para empurrar das ruas para o "Reto" do congresso conservador às necessidades dos mais humildes e da classe trabalhadora),com o objetivo de ampliar sua base política no congresso esvaziando a fala crítica de uma geração de jovens que cresceu durante os governos petistas.

No entanto precisamos dizer que parte da esquerda socialista,satisfeita em marcar posições,sem a devida  leitura da correlação de forças na sociedade,satisfeitíssima com o gueto permanente,não consegue entender nada além do que nosso "programa máximo",em uma doença surda e infantil "esquerdista"(como Lênin caracterizou).É uma esquerda que se nega a fazer política,que possui insuficiência em diferenciar tática de estratégia,que muitas das vezes se acha fortalecida apenas em um discurso acadêmico que não alcança os ouvidos da massa desesperada,que é organizada na base,pelas igrejas que se fortalecem com propósitos econômicos e eleitorais.

Estes setores precisam ler e entender a simplicidade do manifesto comunista em sua linguagem direta.

A construção de uma frente única atende à necessidade de que este campo alargado resgate nossa combatividade na luta contra-hegemônica.

A denúncia das ilegalidades golpistas com a anuência dos meios de comunicação e da Justiça passa por alcançar a todos que se encontram colocados no campo antifascista. Os liberais brasileiros são toscos,esqueceram da tradição iluministas quanto ao equilíbrio institucional, esqueceram da tradição iluminista da luta pelos direitos humanos, se aliaram aos ultraconservadores da burguesia aristocrática(Florestan Fernandes) e das classes médias com acesso ao consumo, mas sem acesso à lucidez.

A crítica ao fracasso do reformismo conciliador deve estar vivo, porém motivado por alcançar as consciências de forma mais ampla.

É preciso que o anticapitalismo seja o nosso campo, que denuncie a opção fascistizante desta burguesia latina, tradicionalmente ligada ao atraso das aristocracias do campo, geradora do capitalismo sem a sofisticação do liberalismo ilustrado de tradição europeia.

A opção pela defesa de Lula passa pelo reerguimento das vozes contidas pela própria opção da burocracia petista de se aliar ao capital financeiro e ao agronegócio quando era governo.

O nosso não desaparecimento físico depende da coragem de se erguer trincheiras de enfrentamento à radicalização do capital contra os direitos conquistados no século XX.

Há de se ter coragem,sem revisionismo,mas abraçado à História para não tombarmos abraçados ao principismo infantil.

17 dezembro 2017

Reflexão sobre ciências,universidade,política e o controle social.

"Se tivermos sorte teremos o privilégio da servidão"(Camus),mas se não contarmos com a sorte,lutemos até o fim para que não sejamos transformados em escravos do capitalismo.

Estamos bem próximos desta modalidade de mão de obra,despidos de direitos servimos como máquinas,quase sem remuneração a serviço do monstro financeiro que explora de forma incansável.

Remunerar trabalhador nunca foi objetivo do capitalismo,o justo pelo trabalho encarece o produto,mas hoje vivemos o vilipêndio,a desconstrução de conquistas trabalhistas e sociais.

Mas isso não é o pior.O pior é que esta máquina  capitalista que coisifica o ser humano é ainda mais cruel por naturalizar e banalizar esta sub-condição de vida.

Nos tornamos escravos nesta modernidade em desconstrução indecente e acatamos e nos sujeitamos como se fosse normal.

Como em Heidegger,nós próprios nos tornamos  veículos de justificação desta máquina de moer gente,nos tornamos nós mesmos capatazes do nosso corpo e de nossas mentes e enquanto torturados,sorrimos em uma esperança vil e mesquinha de superarmos a condição de miserabilidade econômica e da alma, por meio da individualização ,da busca por status e ascensão social.

Operamos cotidianamente como legitimadores deste sistema, não só porque o aceitamos docilmente,mas por agirmos como propagadores dos valores.Integrados ao modelo econômico,a educação(formal e não formal) rege nossos planos e sonhos segundo a receita de um currículo escolar feito para atender à obsolescência de nós mesmos,a descartabilidade das relações e a monetarização da vida.

Enquadrados pelos modelos alienantes(educação, comunicação,relações sociais,religiões),somos os principais agentes multiplicadores desta ordem.Nas cátedras universitárias,antes da crueldade atual dos ataques do capital,o silêncio era o verbo e a obra(majoritariamente),formando vontades e desejos em cada um dos estudantes para se dispor mais qualificadamente ao mercado.
Se outrora as nobrezas distribuiram títulos àqueles que não possuiam "sangue azul",multiplicando na sociedade seus valores,introjetando em alguns membros  a certeza da retidão das verdades monárquicas,hoje,títulos acadêmicos servem para justificar e docilizar mentes antes rebeldes.

Milhares de antigos lutadores contra este sistema cruel foram absorvidos e modelados à crença de brechas nos sistema para humanizá-lo,e não para destruí-lo.Antigos lutadores selvagens viraram moderados e mediadores do sistema.

E assim, segurando a mão do sistema carregamos com a outra os desvalidos no caminho da aceitação e da integração.A universidade pública hoje atacada com um rolo compressor, silenciou diante do massacre aos mais pobres,forjando esperanças falsas, em que por meio e pela via da "adequação" à Ordem,os portadores do conhecimento e aqueles que os aceitassem como forma de luta,seriam integrados e abraçados pelo modo de produção capitalista,teriam diminuidas as suas dores mesmo que as dores do povo pobre do país mais desigual do mundo não fossem resolvidas,senão remediadas.

Os remédios paliativos de sintomas eram receitados pela cátedra,e perceba também,que esta lógica se seguiu na política da esquerda que submeteu suas histórias de luta à domesticação do controle da rebeldia em troca de assistência do Estado aos mais degradados economicamente.

A conciliação de classes através da política de esquerda liberal, que gerou degradação às condições materiais da maioria,também foram forjadas dentro das universidades e escolas, e todos os seus membros que colaboraram,esperando a bondade do capital hoje estão atônitos,vendo que a política não funciona como no modelo darwinista de evolução permanente e inexorável.

O edifício da colaboração de classes,seja pela ciência ou pela política ruiu, e o desejo de felicidade foi controlado pela "vontade Kantiana" da racionalidade do modelo burguês que só inclui aqueles que  oferecem seus préstimos ao sistema em troca de participação na distribuição de migalhas.

04 novembro 2017

ENEM, DIREITOS HUMANOS e medida do STF.



Liberdade de expressão nada tem a ver com a possibilidade de, em nome da "livre expressão", reforçar estereótipos ,estigmas e preconceitos.
Em uma sociedade globalizada a construção de identidades são importantes tanto quanto  os "padrões culturais”, referências transformadas ao longo da história, e só atuais para os que pensam que as culturas são estáticas, não se modificam. Tradições são cimentos sociais, mas o tradicionalismo é ideologia, enquanto aparato de falsificação da realidade e universalização de valores de classes sociais dominantes sobre todas as outras.

A ministra Carmem Lúcia ao referendar medida de MBL à redação do ENEM, atenta contra princípios da legalidade democrática, da regra da boa e segura convivência entre diferenças.

Lembrando que a democracia, elenca a proteção ao indivíduo, sua segurança baseada na racionalidade da lei, de forma que venha impedir  na sua forma liberal-iluminista que a força física possa ser praticada à revelia do contrato social. Sim, um atentado à legalidade na medida que legitima a violação da "sacralidade" da lei, que por princípio e teoricamente, garante juridicamente a coexistência pacificada entre os cidadãos.

 Com sua medida, a ministra não impede que outros pontos do edital do ENEM sejam considerados na correção da redação, como, Alteridade, diversidade e multiculturalismo. Violá-los pode até não gerar um "zero" ,mas sem dúvida reforça o valor da vingança contra ato violento, característica que não faz parte da racionalidade do Estado liberal-democrático.

A violência pode ter seu caráter simbólico no discurso, afetando a vida e "esfarelando" o critério da racionalidade da lei.

Os direitos humanos fazem parte de um esforço humanitário para a garantia da dignidade humana. Uma "ética" "a priori" que deseja servir de referência à culturas e Estados que violam a vida e a integridade do ser humano, seja ela qual for.

O estado de direito se garante pela inclusão de todas as formas de existência e expressões, desde que estas formas não reforcem os discursos de ódio, ou fomente o preconceito, forma cultural onde não se busca entender o conceito, expressando pensamento pré-concebido, do senso  comum, não reflexivo, que não permite uma leitura das realidades de sociedades contemporâneas, extremamente complexas culturalmente.

Mulheres, negros, homossexuais, povos originários são massacrados historicamente por Estados que sobrevivem à revelia da justiça, inclusive o nosso.

Não sou da área jurídica, mas como sociólogo, posso afirmar   que medidas que desalojem a filosofia civilizatória da democracia, se tornam um atentado contra a humanidade.
Também não sou Liberal, nem acredito que o sistema capitalista possa promover a Alteridade e a solidariedade entre grupos sociais e povos, mas para as regras jurídicas, valem mais a segurança da razão do que a livre expressão que fortaleça o ódio e a intolerância e por consequência, a Anomia.

A educação tem como função essencial permitir o acesso à ferramentas de leitura do mundo em toda a sua complexidade, favorecendo  que cidadãos se tornem sujeitos  de suas próprias vidas, que possam fazer opções mais seguras, garantindo a liberdade, desde que esta liberdade não permita suprimir a existência do outro.

A igualdade jurídica não leva a igualdade econômica ,mas permite que as populações mais vulneráveis à violência possam ainda, recorrer à lei para a garantia da justiça.

Neste sentido, qualquer medida legal que viole os princípios democráticos pode fazer ressuscitar os monstros do nazi-fascismo que produziu milhões de mortos, fascismo que colocava alguns padrões culturais acima de outros, que faz do Estado expressão de alguns valores morais sobre os demais.
Aliás, que instituições jurídicas são estas que legitimam a própria violação da democracia?

Quando a democracia é golpeada, a derrota é dos humildes, explorados e vulneráveis econômica e socialmente.
A declaração dos direitos humanos é potencial para a garantia da reprodução das práticas democráticas. A medida do STF só pode encontrar eco na obscuridade de um regime não muito distante, onde a farda valia mais do a lei.

22 outubro 2017

"O Fascismo é o liberalismo que perdeu seus escrúpulos."



Da difícil unidade das esquerdas sabemos que qualquer tentativa de agrupamemto é sempre benvinda.No entanto os erros do passado continuam assombrando como fantasmas.
Os vícios do eleitoralismo puro,da falsa crença em um "evolucionismo" democrático no caminho da superação do capital,faz com que alianças entre esquerdas sejam feitas em torno de processos eleitorais.

A unidade não existe em torno de programas construídos pelas bases sociais.Isto é histórico e as razões estão centradas em torno do desejo de conciliar interesses de classes incompatíveis.

A História,inclusive a recente,mostra o quão irresponsáveis são as ideias que preconizam a "unidade das esquerdas" a qualquer custo.

O argumento reformista é de que devemos assegurar direitos históricos vilipendiados pelo radicalismo capitalista.Este argumento soa como estaca nos corações dos maltratados pelo sistema.

A Razão histórica é perdida diante de ataques cruéis aos trabalhadores.A História nos confirma que o jogo democrático é viciado,que as instituições do Estado burguês se voltam para a garantia da manutenção da ordem excludente e concentradora.É certo também,que no jogo democrático as conquistas sociais permitiram avanços,e que cada espaço deve ser disputado com todas as forças.Claro que quem tem fome tem pressa,mas as barrigas saciadas tem sonhos de saciar novas fomes,geralmente associadas ao consumo e à ascensão social.

É preciso que as bandeiras das utopias sejam hasteadas de novo.

A descrença na democracia é produto ,dentre tantos outros fatores ,ao fato de que trabalhadores não conseguem discernir aonde estão os "seus",cada vez mais envolvidos com opressores.

Via de regra,abandonamos programas de enfrentamento para buscar setores de uma suposta burguesia "mais humana".

Lembremos que as conquistas sociais são resultados de duras lutas sociais que empurraram a instituições democrático-liberais a ceder dedos para não perder as mãos.

Se 2018 é logo ali,perdemos tempo precioso de um século XXI onde se acreditou em corações de proprietários sensíveis à barbárie de seu sistema.

Setores da esquerda socialista e da esquerda liberal são cachorros girando em torno do rabo,não importa o quanto os erros recentes provocaram danos aterradores aos mais pobres.

Nos tornamos fragmentos de uma pós-modernidade que recortou nossos sonhos em lutas específicas importantes como o antiracismo e muitas outras lutas, ou ao afirmar "espaços de fala" e "empoderamentos".Perdemos o centro da luta contra opressores.Os próprios liberais que criaram os direitos humanos nos empurraram as lutas específicas que sobrecarregam nossas agendas.

É necessário que associemos de novo nossos ideais libertários,afirmativos de direitos e até "compensatórios",mas que mais uma vez não percamos de vista que liberais-sensíveis se apoiam até nos monstros fascistas quando seus edifícios econômicos estão desmoronando.

A História é pedagógica e nos mostra e reafirma que as escolhas estão cada vez mais esclarecidas: "Socialismo ou barbárie".

03 outubro 2017

A vida como obra de arte,a censura como morte.


A arte livre viola subjetividades, garante o debate sobre a cultura e a moral, desdenha do que foi naturalizado e banalizado.

Seja qual for o tipo de arte, os juízos de valor são submetidos a julgamento.

O caráter subversivo da arte não transforma sociedades, mas forja pessoas aptas para o pensamento autônomo e a fruição de subjetividades. A Arte impede o servilismo e a subserviência, liberta instintos vitais-criativos, promove o tensionamento com o mundo visto sob a ótica da Razão instrumental e cientificista.
São diversas as tentativas históricas de submissão da arte ao pobre moralismo religioso, às estruturas ideológicas dominantes, aos malfeitores dirigentes políticos que representam a aberração de um capitalismo que mata objetivamente e cria símbolos de morte em vida.Sistema este que condena bilhões à fome, condena à frustrações pessoais por não inclusão, ou a não obtenção de status sociais, constrói signos de submissão à ordem injusta estabelecida.

A política é o meio de libertação da opressão.Não a política institucional do liberalismo,mas a política que movimenta multidões para arrancarem seus grilhões.

A crise ética pós moderna que enfrentamos é resultado também do sufocamento da liberdade de criação e negação da apropriação da cultura pelos marginalizados,e isso é de responsabilidade da política liberal-capitalista,não culpa da arte.

Arte e Política são formas humanas de emancipação,de superação das explicações místicas que condenaram a humanidade à cega obediência do oportunismo dos "Donos do poder" econômico, de crítica aos tradicionalismos culturais(diferente de tradições culturais) que são ferramentas de reprodução de falsa consciência da realidade e manutenção da ordem perversa e desigual.

Lembro que mesmo o "realismo socialista" stalinista quisera submeter a arte livre ao rótulo de "mero desvio pequeno burguês", que recebeu resposta a altura de Breton e Trotski("Manifesto do surrealismo,por uma arte revolucionária e independente").
A arte em espaços privados possuem seus mecanismos regulatórios(as vezes não suficientes) para evitar a exposição de crianças.

O que dizer sobre os meios de comunicação de massa que expõem a obscenidade da farsa de um sistema que mata simbolicamente e concretamente?

A arte subverte a ordem  e atinge a moral e ética burguesas. Controles e patrulhas ideológicas(lembrando das personagens de Chico Buarque, onde os tribunais das  redes sociais confundem o "eu lírico" com o autor) submetem às consciências às lógicas empobrecedoras da consciência.
A arte livre é revolucionária, a barbárie tem outro nome: indústria cultural capitalista.

15 julho 2017

Público e privado,a "casa e a rua".

"Lei autoriza que moradores de vias com cancelas impeçam a entrada de carros e pessoas.Um dos artigos do texto prevê que acesso poderá ser proibido das 22h às 7h".

Lei municipal que pretende impedir a circulação de pessoas às ruas com cancelas,algo que tem sido cada vez mais comum no subúrbio do Rio de Janeiro é mais um atentado ao estado de direito.

Desta vez no varejo,este novo golpe revela a insanidade das classes médias que abandonam a luta por direitos e privatiza a proteção à propriedade particular.

Estimulados por  vereadores e deputados do RJ que tratam historicamente a política como ato patrimonialista,com seus "currais" eleitorais,exploram o medo para a obtenção de votos.Vemos isso a nível nacional,com protofascistas que exploram o temor à violência para obtenção de vantagens eleitorais.Uma visão curta da política que nos remete ao "coronelismo" ,com acordos de "chefes locais" com governos centrais para que em troca da conivência com políticas no âmbito federal,tem caminhos abertos(coronéis locais) para produzir embustes em seus currais eleitorais.

A perda de credibilidade das instituições,a falência da democracia representativa,a privatização do Estado e das políticas públicas em benefício dos proprietários são o que movem estes "toques de recolher" que atingem em cheio os mais pobres em seu livre direito de utilização dos espaços públicos.

Tal como milícias,determinam a ordem social segundo seus critérios e vontades privadas em detrimento dos sem voz e sem capacidade de organização política.

Tal como as polícias militares que julgam e executam à revelia da lei promovendo o holocausto na favela e periferia.

A vereadora que propõe tal aberração jurídica e política me lembra Montesquieu que atribuía a desorganização da democracia ao desejo da participação popular de ir além do voto.

Segundo o advogado advogado Luiz Paulo Viveiros esta lei representa um retrocesso histórico; "um retorno aos tempos do Vidigal (Miguel Nunes Vidigal, militar brasileiro), que foi chefe de polícia do Império e dizia assim: "Quem é de dentro, dentro, quem é de fora, fora!". Porque quem fosse pego na rua depois das 21h era recolhido."

Assim como abandonou a luta pela escola pública e pela saúde pública,"nossa" classe média faz isto com a segurança pública,arrota sua postura de proprietário,se pensa como burguês,odeia sua condição original de classe popular,se orgulha das suas conquistas no consumo abrindo mão de lutar por direitos para obter privilégios.

O antropólogo Roberto Damatta fala na "cidadania relacional" como característica brasileira,o abandono das lutas por conquistas de direitos em benefício da criação de "teias de relações pessoais" que lhe privilegiem no acesso aos bens públicos.Acrescentaria,que esta cultura do "jeitinho" e do "sabe com que está falando?",do "pra quem quer levar vantagem em tudo" é um produto histórico,de uma ausência do Estado brasileiro que forjou uma forma de "cidadania" do privilégio pessoal.

Não tenham dúvidas,esta classe média que quer se "encastelar" é a mesma que se arvora contra políticas públicas como "bolsa família" e "cotas raciais".

Esta classe média,pouco ou mal escolarizada,que ascendeu socialmente sem o apreço à cultura, alheio ao valor da alteridade é presa fácil aos profissionais da política oportunistas e sem caráter moral.

Por menos "cancelas" e muros,por mais pontes que religuem a rua como espaço público de encontro e solidariedade e consciência de que a política é ferramenta do bem comum e não canal de viabilização da vontade de proprietários.

03 junho 2017

PÓS MODERNIDADE

Fique atento!As velhas formas de dominação se travestem como novas.

O mundo fragmentado,efêmero apresenta o presente sem História,sem passado e sem futuro,apresenta o "agora" como única maneira de viver.

As lutas sociais perderam sentindo de transformação global e  o novo só pode permitir a "inclusão" a um mundo onde a perspectiva permitida é o consumo.

O pós moderno,que abandona a História e a mudança é a velha proposta conservadora.Com cara de novo,eu luto pela inclusão,eu afirmo a beleza da diversidade e esqueço que o diverso e o plural,ainda que belos,estão excluídos da festa da pujança e da abundância capitalista.

A pós modernidade petrifica e congela o momento,eterniza a pobreza e a exploração do Homem pelo Homem.

Mas que beleza,posso em ato libertário defender os direitos da mulher,do povo originário e do negro,desde que estes continuem a existir em sua condição de classe,subordinada economicamente.

Finalmente livre para levantar minha bandeira fragmentada !
Se a História não existe,se o futuro e o passado já não me servem,me "emancipo" culturalmente sem me emancipar economicamente.

E aí o pós moderno é somente armadilha,onde incautos levantam-se contra as opressões sem origens econômicas,pois é tudo uma questão cultural,moral ,e nada poderá conter meu desejo de liberdade,desde que não conteste a propriedade e o capital e suas expressões subjetivas e mesquinhas.

O presente que encerra o ensinamento do passado e a perspectiva de um futuro realmente livre das tutelas  de dominação de classe.

"Deixe a vida me levar,vida leva eu",do "pagodinho",expressão pós moderna do samba,que supera a essência de denúncia da cultura excludente desta forma de cultura popular,é um símbolo desta velha forma de dominação e controle.

"Não sou eu quem me navega,quem me navega é o mar".
O "tradicionalismo" se impõe como ideologia e apaga traços das tradições que subvertem a ordem.
"Espíritos do passado que oprimem o presente", apresentando o velho com suas sofisticadas formas de garantia da ordem social."Pós verdade","pós industrial",pós modernidade.. e todos os "pós" apagam as lutas de superação da sociedade de classes.

Se a modernidade está superada,todas a formas de questionamento a Ela também devem ser enterradas "em pé, para não ocupar espaço".

A "sociedade do conhecimento" outorga o poder e não mais a posse do capital.Basta que passemos o tempo estudando para que sejamos "empoderados".A academia encastelada agradece,os intelectuais estavam cansados de seu papel de agente transformador, e agora a universidade glorifica o piedoso mercado que os reconhece e os financia."E o amor,será eterno novamente".

As causas do racismo não se apresentam mais como ideologia de controle social,não mais como forma superestrutural  ,expressão das relações materiais injustas.

Aceito o apassivamento na luta cultural e política e esqueço suas origens,a luta de classes passa a ser algo do passado,do "velho",do esgotado esforço da humanidade de se livrar daqueles que detém o controle das antigas formas de produção.

É o velho como novo.A subversão civilizada,padronizada,o consenso entre oprimidos e opressores de que o que está dado é definitivo e que apenas precisamos corrigir desacertos desta forma civilizatória ,que pelo discurso pós moderno,apresenta a democracia liberal como fim em si mesma.Nada a fazer se não aceitar e se regozijar  com cada direito não perdido,louvar a dominação econômica por esta permissão de "liberdade" .

O conservador,a manutenção da ordem econômica vale como moeda de troca por essa liberdade consentida.As novelas televisivas já mostram o negro como patrão,e com direito a patrocínio de empresas que se locupletam com trabalho escravo.Mas que avanço!A publicidade é a nova arte soterrando a imaginação utópica e criadora.

As velhas formas e suas (pós)modernas roupagens vestirão novas gerações e controlarão os ímpetos juvenis revolucionários que devem ficar no passado.

O "empreendedorismo" é a palavra de ordem,que significa,"se vire como puder", porque o Estado não mais lhe proverá “paternalmente”.

A globalização econômica,ou "globalitarismo" é o fim da História,aceite de bom grado e lute por ascender de classe.É a única forma emancipatória.Esta é a mensagem definitiva aos que insistem com "classes operárias" revolucionárias,que homenageio com minha camisa do "Guevara",símbolo do passado,"promovido" à folclore,forma cultural de um passado estático que não mais influencia.

Nos domingos em família visitaremos os "museus de grandes novidades" e  olharemos o passado de lutas com olhos de piedade, aqueles ingênuos comunistas.

14 maio 2017

Por uma nova abolição!


O Direito é ideologia.É representação da vontade da classe dominante,sempre foi.
Se a justiça de hoje deixa abismada a sociedade brasileira,por causa da perseguição à Lula, é preciso que lembremos da História do Brasil,onde o cárcere é dado como espaço "privilegiado"para negros e pobres.
Se a justiça é fundamental para a democracia,como dizem inúmeros lutadores pela garantia da dignidade dos mais pobres,há que se lembrar que a perseguição ao PT(que não voto desde 1989!) é somente um detalhe de uma história que identifica os espaços dos negros e brancos no país.
Ao olharmos para a diferença fenotípica entre congresso e "Bangu 1", veremos o racismo estrutural,cruel e mesquinho de uma classe dominante que nunca se tornou ao menos iluminista.
Essa justiça garante a manutenção de pobres na pobreza,quando historicamente vê a educação pública ser destruída todos os dias,num crescente assustador.A pobreza que tem cor neste país,deve denunciar que é falsa a neutralidade do poder judiciário que garante uma suposta democracia que nunca permitiu igualdade econômica.
A igualdade jurídica esconde a desigualdade de fato.
Defendamos a democracia como conquista das lutas do povo brasileiro,mas nunca nos enganemos que ela é construída sob os princípios da exclusão.A última ditadura de nossa história se aplicou quando o princípio de justiça social avançou,e se mostrou um grande perigo para o conforto e o lucro das classes dominantes.
Se a justiça brasileira virou veículo dos projetos neoliberais,se a justiça brasileira apazigua os corações dos brancos e da classe média,ela movimenta seu martelo sem pena em direção aos excluídos da cidadania e da educação de qualidade.
A justiça no Brasil está no gatilho das polícias militares,que julga e executa a sentença imediatamente,de acordo com a cor da pele e o CEP em que age o Estado.
Em tempos onde a "reforma" trabalhista pode fazer com que o brasileiro do campo possa trabalhar por comida e moradia,estarão estes novos Senhores da Casa Grande viabilizando a escravidão.
Precisamos de uma nova Abolição!!

01 abril 2017

Não roubem minha razão.

O PT é parte do golpe que praticaram contra ele.Levou ao poder o que há de mais podre.Tudo bem(é,mais ou menos.Estamos mal.).
Fazendo a autocrítica de que o modelo de conciliação de classes pode,como fez, levar a um desastre ainda maior,poderia produzir de novo a politização das ruas.
No entanto,a crença em um 2018 redivivo ,com um programa igual ao anterior,é tampa para o caixão.
Se o "Lula roubou seu coração",admito,ele já fez isto comigo isto em 1989.Mas não fez isso nas décadas seguintes.O que ele não pode, é roubar sua razão.

Desmilitarizar consciências.

Diga que você não acha normal que uma menina  seja assassinada dentro da escola por agentes do Estado.

Diga pra mim,que a inútil política de enfrentamento com o tráfico mata e criminaliza a população pobre e negra e também mata policiais,que no dito popular não passam de "buchas" para o Estado assassino ,onde seus dirigentes se locupletam com o tráfico através da corrupção, que executa  pobres por não querer acabar com a pobreza.

Diga pra mim que a farda é mero pretexto de uma milícia oficial que cumpre o papel de manutenção da ordem excludente.

Diga pra mim,que a violência contra a classe média serve pra alimentar discursos de ódio contra pobres e fortalecer a eleição de oportunistas e fascistas,mas a violência contra a favela e periferias é somente número de estatísticas.

Diga pra mim que você que frequenta templos e igrejas, reza para que o gatilho do Estado e da PM não se mova tanto contra tantos.

Diga pra mim,que você concorda que a violência começa no simbolismo de uma educação pública destruída pelo Estado todos os dias.

Diga pra mim,que a classe média que apoia golpes e desregulação de direitos está arrependida pela merda que fez e pela merda que é.

Diga pra mim que você não acha mesmo que desmilitarizar as PMs é acabar com a polícia,e que o militar só vê inimigos e não cidadãos que lhes dão o sustento.

Diga pra mim,eu preciso de um alento para o meu cansaço.

19 março 2017

Neutralidade

A neutralidade é o cobertor que protege a mediocridade e o "status quo".Em todas as áreas,em toda a superestrutura cultural,o apelo à neutralidade é impossível.

Mais do que todas as razões que apelam ao discurso imparcial,a neutralidade é ideologia,falsificando as raízes dos problemas,ratificando a ordem social injusta e excludente.

Qualquer ser social possui suas origens de classe,suas formações culturais,pois está inserido em sociedade.

Os espaços de fala são registros das opções e formações ,e mais importante,são expressões de seu posicionamento político.

O ato político é o ato de poder,entendendo poder como a capacidade  de influenciar  vontades e desejos,de garantir a proximidade do que não é perecível,de exercício de suas capacidades para angariar vantagens ou garantir seu status,suas posições hegemônicas e a continuidade ou transformação de seus papéis sociais.

O "neutro" só pode existir onde não esteja inserido em meio social ou cultural.
O campo da cultura e das relações sociais é o campo da inexistência do imparcial.
Qualquer discurso refere-se à interesses e nenhum interesse é neutro,a ponto de não interferir no outro ou no meio em vivemos.

O cobertor que cobre o "neutro" apazigua o conflito e mantém tudo da forma que está.

O cobertor da neutralidade autentica as vontades hegemônicas,garantido e conservando as verdades que prevalecem.

Um dos conceitos de cultura se define pela ação do homem pela transformação de bens naturais em bens culturais,materiais e imateriais,construindo tradições que cimentam a continuidade social.Mas também produzem tradicionalismos,que são ideologias de manutenção dos postos de poder.

Não há nada no mundo da cultura que não possua relação direta com interesses.

A neutralidade é a maior força de manutenção da ordem social,garante ares de naturalização das injustiças e preconceitos,banaliza e encobre o que há de errado sob o ponto de vista ético,ou ao acúmulo de valores que se apresentam pelas culturas como referências.

A média do pensamento do senso comum,conformado e domesticado, acredita na neutralidade por ter incorporado as normas que introjetou  pelas ações ideológicas que conformam as instituições sociais,que não lhe beneficiam,que inclusive lhe prejudicam.A média do pensamento do senso comum é a mediocridade ,e esta não produz mudanças sociais e legitima os espúrios valores que sustentam a injustiça e a exploração social.

20 janeiro 2017

Sobre grades e liberdades.

Em cada cárcere está presa a essência da humanidade.

Ocupados com suas falseadas visões de mundo,ordenada pela tirania do mercado,praguejam pela morte e pela tortura,como quem pede um sonho na padaria.

Em cada cárcere estão nossas formas de vida,nossas normas e culturas e todas as frustrações que o sistema produz.

Cada currículo escolar ou escola em destruição, é matéria prima para futuras grades.

E cada um com seus desejos de consumo e necessidades não alcançadas pregamos que todo sofrimento deva ser pouco para aqueles fracassados que violaram as regras.Depois me recolho às orações,pedindo pelo bem e pelo direito de continuar livre em frente ao telejornal.Isso não é da "minha conta"!

Nos Shopping Centers finjo exercer a minha liberdade entre vitrines e sonhos de consumo.

E comemoro a liberdade em frente à TV e publicando lindas fotos nas redes sociais.

E cada um que se acredita livre,pode por algum tempo,se sentir vitorioso por não estar no cárcere e comemorar a cada corpo caído sua "liberdade" consentida, por ser um obediente em sua vida de eterna infância.

Mas o cárcere não é para brancos,poderosos e corruptos.Cada grilhão que procure seu negro ou favelado.

Em cada encarcerado há uma tumba de uma sociedade que se alimenta da punição,por não haver disponível outro nutriente para eliminar suas dores produzidas pelo sistema.

Cada encarcerado é produto da alienação de todos,é produto da conivência com o mal feito e mal vivido,é resultado da tolerância com a atual Idade Média,vestida com cores de século XXI.

Em cada cárcere, jaz cada um de nós.

Sobre as micaretas de dezembro de 2016

Sobre as "micaretas" de 4 de dezembro.

A judicialização atual da política brasileira é resultado da falência da Política enquanto canal viabilizador  e mantenedor de direitos.
Crise de representação,colocação feita por movimentos sociais há muito,é expressão de uma democracia que não empodera classes populares.
 Com a derrota do PT,vem a certeza do esgotamento de um projeto de conciliação de classes,que a história nos demonstra sua impossibilidade quanto a sua permanência sem a brusca ruptura.
As manifestações de hoje são fruto do cansaço da classe média pagadora de impostos,enquanto a burguesia não paga,"detalhe" que a classe média ainda não entendeu.
A aliança entre classe média e burguesia é histórica,é regra no sistema capitalista.As exceções produziram grandes transformações sociais,quando estas classes médias entenderam seu caráter e o seu papel social,se aliando aos desejos e aspirações dos trabalhadores e excluídos economicamente.Mas seria cobrar muito da classe que sempre esteve ao lado dos corruptos que ela mesma elege.
As Manifestações deste dia 4 de dezembro, das classes médias,sem precariado,sem programa,sem elementos populares e sem os Movimentos Sociais, são um engôdo,produto da falsa consciência da realidade e que carrega consigo os projetos autoritários,conservadores e reacionários.
"Acabar com a corrupção",com herói forjado pela direita, messianicamente hasteado como salvador da pátria é um erro que pode ter consequências históricas terríveis.
A estes,falta a compreensão de que a fonte da corrupção é a relação promíscua entre Estado financiador do capital e o próprio capital,que como a classe média,prefere privilégios à direitos universalizados,forma cultural de um país onde o Estado é ausente em produção de políticas públicas.

Capitalismo e Esperança.

O liberalismo e suas variações históricas não possuem fundamento científico ou filosófico,não passam de falsa consciência da realidade,ideologia,usurpação dos recursos da humanidade e do planeta para a legitimação da ordem e da dominação social para a obtenção do lucro.

Conforme a História desconstrói suas contradições,novas alegorias e "novas" versões do natimorto são produzidas,novos agentes manipuladores se arvoram para defender o indefensável,e o fazem com a máscara da seriedade e dos títulos acadêmicos.São como malabaristas tentando sustentar a ilusão. Não há verdade possível em uma biblioteca liberal.
A maior vitória da humanidade será o soterramento dos cínicos que veiculam a farsa e a tragédia.Não há esperança no capitalismo.

Bauman ,diversidade e igualdade.

Bauman,teórico da crise da era Moderna,ou da pós-modernidade, dizia que "mais que lutar pelos direitos da diferença, deveríamos nos empenhar pelo direito à igualdade"("A Cultura no mundo líquido moderno").

Bandeiras pelos Direitos são fundamentais,até porque a direita raivosa abomina os valores iluministas,mas não podemos esquecer que as raízes dos preconceitos estão na Ideologia ,nos valores burgueses,superestruturais, do individualismo e da competitividade.

Para um sociólogo que não era marxista,o recado foi muito bem dado em suas obras.Que a esquerda entenda que a democracia liberal é fantástica diante do atraso do pensamento humano,mas esta democracia que permitiu certa liberdade,não permitirá a igualdade econômica.

27 agosto 2016

"Eleições e transformações sociais."

Os presidentes são eleitos pela televisão, como sabonetes,
e os poetas cumprem função decorativa. Não há maior magia
que a magia do mercado, nem heróis maiores que os banqueiros.
A democracia é um luxo do Norte. Ao Sul é permitido o espetáculo”.
Eduardo Galeano, O livro dos abraços

"Devemos apostar na rebelião do desejo.Aqueles que se apegarem às velhas formas serão enterrados com elas.” Mauro Luis Iasi – “A rebelião,a cidade e a consciência”-



O ceticismo,a desconfiança e o desencantamento com a política consome as consciências brasileiras e de todo o mundo.Junto à crise estrutural do capital ,há uma intensa crise na sua forma política de existência que é a democracia.Quem acredita na política como forma de transformação da vida? Todo o desencantamento e frustração contido na forma de pensar estão baseados na ideia consolidada de que as promessas de transformação social,nas condições de vida das pessoas,não surtiram efeitos,e mesmo as conquistas sociais obtidas através das lutas não foram o bastante para melhorar a vida dos trabalhadores.Em tempo de crise estrutural do capitalismo  , onde as classes dominantes apresentam aos mais pobres a fatura,onde os mais pobres,trabalhadores e as amplas massas de moradores das periferias e favelas acabam pagando a conta das ambições burguesas.
No entanto amigos,gostaria de dizer que o que nos levou a todas as frustrações com a política é a crise de representatividade.A representação,os políticos profissionais nunca passaram,em sua grande maioria,de bonecos representantes dos interesses mesquinhos dos poderosos.Mais do que não acreditar na democracia como o espaço de emancipação,devemos ver que a democracia é o palco privilegiado do protagonismo dos ricos.No entanto,a Política como ferramenta de exercício do poder,é algo que deve pertencer a todos nós.A capacidade que tenho de convencer o outro a fazer o que desejo,é o mecanismo que nos pode fazer crer que a política ainda é a única ferramenta de mudança social.Pois se é através da política que se impõem a todos nós as formas de dominação e controle,que usemos da política para denunciar o sistema que promove cada vez mais os ricos a condição de poderosos.Usemos da política para impor um programa que represente os mais pobres,mesmo que os meios de comunicação insistam em colocar no mesmo patamar todos os políticos profissionais.É verdade,e eu como você também acredito,que os que hoje lhe pedem votos ,pedem para atender seus interesses pessoais,se manter no poder para utilizarem do espaço público para satisfazerem seus interesses privados.Mas há saída,quando conseguimos identificar em um programa(projeto)político e na prática cotidiana da atuação do político profissional,ações que nos empodere,que nos permitam defender e avançar em nossos direitos.É isso que se faz necessário que todos percebamos em época eleitoral.Neste momento,candidatos se vendem como produtos fabulosos,perfeitos e puros em sua defesa.É por isso que é preciso apelar à história,para que identifiquemos quem é quem,de que espaço político fala o candidato,que interesses defende,quem sustenta sua camapanha eleitoral,como transforma ou não,a eleição em espaço de compra de votos,as vezes diretamente,as vezes de forma sutil,como aqueles que lhe prometem um emprego em um momento econômico tão difícil de sua vida.Não há fórmula,não há receita ou bula que permita mudarmos nossas condições sociais.Eles,políticos profissionais não farão isso.Mas,aqueles que me dizem que seus mandatos servirão de ferramenta das lutas sociais,que fortalecerão os desejos das ruas,dos movimentos sociais,que permitirão com seus madatos nos fortalecermos em nossa cidadania ,que nos impulsionarão a nos tornarmos sujeitos sociais.Esses caras existem,estes partidos políticos que prometem o fortalecimento das ruas,são o caminho de nossas escolhas corretas,pelo menos amigos,são o meu caminho.A política e a cultura são as matérias primas básicas de meu trabalho cotidiano.Não posso deixar de prestar a atenção na política ,nem mesmo um dia sequer,pelo menos é assim desde os meus 16 anos.Por isso me sinto na obrigação de lembrar aos meus amigos,não existe possibilidade de haver transformação social se não for pelo meio da política.Eleições não mudam as vidas das pessoas,mas devemos fazer delas o espaço para denunciarmos os pilantras e suas formas de se fazer política.
As eleições são um processo importante,primeiro por permitir que algumas dessas migalhas caídas das mesas dos poderosos possam satisfazer necessidades dos mais angustiados,das massas excluídas e da classe média proletarizada,segundo,para que o palanque eleitoral sirva para denunciar este jogo viciado de cartas marcadas as quais se tornaram os sufrágios eleitorais.Mas, a verdadeira catapulta da conquista de direitos está nas ruas,nas mobilizações populares e dos movimentos sociais,para que no mínimo tornemos esta democracia marcada pela mentira,em uma "democracia de alta intensidade",de alta pressão sobre o sistema corrupto-capitalista.Por isso,em todas as eleições amigos,sempre tenho um lado,sempre me comprometo,pois se eleições não promovem mudanças diretas em nossas vidas,podem permitir a abertura de espaços e canais para que possamos viabilizar nossas vozes críticas ao modelo viciado.

19 março 2016


Defender a democracia é um dever de todos aqueles que lutam e lutaram por conquistas socias.Ela é um espaço que deve ser apropriado pelo povo,para impor suas gigantescas demandas sociais.As ações jurídicas contra Dilma e Lula são verdadeiro escárnio e deboche ao mínimo de lucidez.A justiça brasileira não passa de uma entidade de defesa da ordem política,social e econômica excludente,não me surpreende.Não é a toa que os presídios só são habitados por pobres e negros.No entanto,defender o PT que tantas derrotas impôs à classe trabalhadora com seu receituário liberal ,não é uma opção que me dê conforto.Defender Dilma e Lula é defender a repressão aos movimentos sociais,defender um ajuste fiscal que penaliza os mais pobres,defender a retirada de direitos trabalhistas e sociais,como a lei "antiterrorismo" que visa unicamente punir manifestações durante as olimpíadas.Pedir o impedimento  da presidente,principalmente baseado em ilegalidades e uma torpe campanha da Globo(E a lei dos meios,PT!!!!),é acreditar que a condição do povo pode melhorar com o PMDB,PSDB, fascistas e uma parcela da classe média que deseja manter privilégios em detrimento de direitos da maioria .O momento é realmente mais complexo do que o normal,no entanto é preciso que digamos,em alto e bom som,que a saída está na opção pelos Conselhos Populares,o fortalecimento dos movimentos sociais que foram tão atacados e/ou cooptados pelo governo.Não há saída neste sistema capitalista que corrompe o espaço público.A corrupção está na gênese do capitalismo.O Estado só serve para manutenção do exercício do poder econômico,deixando algumas migalhas do PIB para prática de necessárias ações sociais.Quem paga 140 bilhões  de juros da dívida pública por ano e alimenta um famigerado superavit fiscal,não tem mesmo como investir em saúde e educação.O PT cavou sua própria cova,abandonando suas bandeiras e suas bases sociais.Não alimentemos ilusões de uma vida melhor dentro de uma ordem social excludente,com ou sem PT.O PT,em seu projeto de conciliação de classes,é responsável por jogar no ostracismo as lutas populares,abrigou sem pudores em sua base política figuras que se contrapunham à defesa dos direitos humanos,agenda progressista,necessária ,mais ainda muito distante da defesa da emancipação da classe trabalhadora ,dos humildes e explorados por este sistema que gera competitividade,individualismo e fome.Na escola pública em que trabalho(baixada fluminense) ,muitos vão para comer,uma conquista democrática.Mas esta escola pública está sendo destruída,privatizada por quem nos governa.Lembremos que em momento de crescimento econômico,se apostou no incentivo ao consumo,mas não houve investimentos em saúde e educação,pelo contrário.Em momento de crescimento econômico ,quem dirigia o governo petista era o poder financeiro e o agronegócio e toda sorte tiveram em incentivos fiscais e subsídios.Lembremos que os aliados deste governo praticam verdadeiro holocausto nas favelas e periferias deste país.As opções postas,a escolha entre quem vai me oprimir mais ou menos,não passa pela minha cabeça.Chega de lutar pelo mal menor,apesar de menor, será sempre um mal.

PELA DEFESA DA DEMOCRACIA!Nem Fora ,nem fica Dilma!A solução não está neste falso e frágil antagonismo.

04 novembro 2015

Algumas raízes da violência urbana.

O tráfico só existe porque há interesses nas estruturas de poder,para que ele continue a existir.Muita gente "boa" e "legal" ganha com isso.Isso já não é novidade.Enquanto a guerra ao tráfico existir,como ponta de lança de política de segurança,um mercado imenso e lucrativo se desenvolve,com o custo de cadáveres de moradores de favelas e policiais.A máquina de triturar gente e gerar milhões em dinheiro ainda mobiliza defensores do extermínio das populações pobres,rende votos para oportunistas que motivam o ódio,pois motiva rendimento$ e poder.As instituições militares são produzidas para eliminar o inimigo,não estão preparadas ou forjadas para lidar com a cidadania.Durante a ditadura militar-empresarial as PMs foram alçadas para estar acima da lei,que não sendo promulgada,mas sim,expressão da vontade liquidadora do Estado militar,promoveu o poder da farda acima do poder da lei.Esta cultura gera consequências terríveis para a democracia.Fardados como polícia,na sua própria concepção e princípio,entendem como inimiga a própria sociedade.A ONU orienta,e vários países do mundo entenderam,que a desmilitarização das polícias significa a valorização da cidadania,fortalecendo as instituições democráticas.No Brasil temos a polícia que mais mata no mundo,e a que mais morre,graças a um enfrentamento inútil.A máquina capitalista justifica a prática do extermínio sob a capa de ordem social e política .A droga,junto às armas ,são os produtos que mais geram lucros no planeta,fazendo inclusive,com que "nobres" economistas orientem que seja reconhecido (em várias nações)o dinheiro ilegal como forma contabilizadora do PIB.Os interesses para que a guerra entre polícias e traficantes do chão urbano(pois os de colarinho seguem livres) é vital para os negócios mais afortunados do planeta,e o capitalismo que mercantiliza tudo e a todos, segue sua existência e sua reprodução auferindo resultados astronômicos e cadáveres em toneladas.O fim das polícias militares é uma necessidade fundamental para a garantia da existência de milhares de jovens negros que seguem sendo exterminados,em uma política higienista(desde o século XIX),em uma sociedade que tem como uma de suas bases,o racismo,que oferta presídios e favelas aos negros como novas senzalas,e recusa diariamente a reconhecer a educação de qualidade como alternativa mediadora,pois sendo de qualidade,seria geradora de consciência e de cidadania(desde que não seja baseada em modelo memorizador e currículos comprometidos com o mercado).O fim das PMs,educação de qualidade,o empoderamento dos mais pobres,políticas públicas sociais como prioridade,ao contrário do que fazem os governos brasileiros,financiadores do capital com o Estado privatizado,são necessidades urgentes para alcançarmos a diminuição dos índices de violência.

22 agosto 2015

Visto branco.Em 20 de junho.

Visto branco por opção.Corações espíritas sofrem há tempos com a intolerância.Mario de Andrade apontava isso em 1938.O século XIX,seus "Darwinismos sociais" e "Higienismos" ,formas variadas de racismo,legaram duras penas aos "vestidos de branco".Hoje,supostas lideranças evangélicas proferem o discurso do ódio em busca de votos e fiéis que se transformam em fortunas.A intolerância religiosa nada mais é do que o racismo guardado nesta civilização que associa a negritude ao mal.Conheço uma imensidão de envagélicos que tem suas vidas colocadas à disposição do outro,como no exemplo do Cristo.Eles hoje também vestem branco.Vestem o branco que solidariza com os terreiros incendiados de Duque de Caxias e do morro do Juramento,vestem e assumem o manto da tolerância e da Alteridade,que é o reconhecimento da fala do outro enquanto importante para que todos confirmemos nossa identidade.A Vila da Penha veste branco em solidariedade à menina e a tantos terreiros profanados por supostos religiosos, fundamentalistas à serviço desta ordem social injusta,capitalista,portanto individualista e sectária.Nos passos dos que caminham em silêncio em solidariedade enlutada neste bairro,muitos com lágrimas no rosto,sentimos vergonha pela humanidade ,ainda na infância do pensamento.

Diga quem amas e te direi quem és

"Diga quem ama e te direi quem és." Com a consciência do meu pequeno tamanho,não posso deixar de chamar "às falas" a consciência soterrada.Mas diziamos muito antes que as alianças construídas pelo PT fariam de Dilma um sparring nas cordas.A política não segue as regras da evolução darwinista,é um jogo de avanços e retrocessos,dependendo dos caminhos que apontam o projeto.O Xadrez nos mostra o quanto a petulância de um possível "xeque mate" pode significar uma derrota vergonhosa ,surpreendente e definitiva.A aliança com os setores retrógados,com a aristocracia agrária,com a projeção de fundamentalistas na comissão dos direitos humanos,com a conivência criminosa com as repressões virulentas,com a adoção das políticas de retiradas de direitos,orientada pelas receitas do FMI e neoliberais,o controle dos movimentos sociais e tantas "aventuras" vividas por este governo,vividas intensamente com os Monstros do Capital,só poderia mesmo arremeçar Dilma ao colo desconfortável do conservadorismo.O único retorno possível é o de se jogar aos braços das ruas,reorientar seu programa pautado nas necessidades populares. Mas isso ,ela já não deseja mais.Virou refém de quem governa realmente,o PMDB.A onda conservadora não surgiu do nada.A "Caixa de Pandora" foi aberta por Lula e Dilma,quando trouxeram para o cenário de poder uma variedade sortida de pulhas.Cenário de tragédia e farsa,"iluminado" pelo desprezo da História,pautado em terreno movediço e inseguro.O capital está feliz com as escolhas que fez no ministério,mas não será o bastante para segurá-la,dado o espaço que cedeu à reacionários(lembremos que Bolsonaro e toda a sorte de picaretas eram e são base deste petismo de conciliação de classes).Das cordas ao nocaute é um pulo,e o impedimento legal de governar não pode ser descartado.Não me venham com pedidos de apoios de última hora,em nome de algumas conquistas como Bolsa Família,Cotas e defesa da maioridade penal.A reforma agrária não foi feita,as reformas urbanas seguem as cartilhas de empreiteiros e especuladores imobiliários,os cortes em educação e saúde são bilionários.Se culpa com frequência os meios de comunicação pelos golpes sofridos abaixo da linha da cintura.Eles são realmente os verdadeiros partidos políticos, condutores para os caminhos do arrocho e do sofrimento do povo pobre.Mas o controle social democrático da mídia não saiu porque eles não quiseram,por pensarem ingenuamente que ao não atacar,teriam como "prêmio" a condescendência silenciosa.Trocaram seus projetos de ascensão popular,por um mesquinho projeto de permanência no poder.A queda do petismo abrirá valas e esgotos fétidos de um futuro aterrador.Mas foi o petismo que cavou sua própria cova,aberta em companhias de "paixões de carnaval" ,efêmeras e cruéis ,que não terão pena alguma de fechar a tampa do caixão

Sobre Direitas.

Não me surpreende que o editorial de O Globo apresente como irresponsabilidade o impedimento de Dilma.Esta semana ,Temer(PMDB) chamou setores sociais para um pacto de governabilidade.Pedido prontamente atendido pela FIESP e FIRJAN e por FHC,que desejam ansiosamente a continuidade do "ajuste fiscal" .Um pacto que garante a continuidade do programa do neoliberalismo no mesmo nível dos ajustes globais.Desejam estes setores dominantes que com o ajuste o capital se acalme,querem garantir o superavit fiscal criminoso,a diminuição dos gastos sociais,a desregulação de direitos trabalhistas...querem ardentemente permitir o que vem acontecendo à Grécia,jogada "às cordas",submetida a sanha incontrolável da Troika por causa do terrível recuo do Syriza.Bem como lá ,a traição às bandeiras históricas populares continuam a todo vapor por aqui.A burguesia brasileira não apoiará o impedimento legal à Dilma.Ela está satisfeita com o caminho traçado pelo governo.
Já os setores extremistas da diteita,da classe média perdida cognitivamente ,adereçados de suas panelas ,atordoados pela completa incompreensão da realidade,e sobretudo,com muito nojo das políticas (analgésicas)adotadas para o beneficio dos mais pobres, em um excêntrico antipetismo ,farão papel da extrema direita fascista,que tantos danos provocaram à humanidade em nossa história.A estes golpistas preconceituosos,racistas,homofóbicos e abjetos de todos os odores e descaramentos ,temos que dar um rotundo NÃO !

29 outubro 2014

Eleição sem política.


“Os presidentes são eleitos pela televisão, como sabonetes,
e os poetas cumprem função decorativa. Não há maior magia
que a magia do mercado, nem heróis maiores que os banqueiros.
A democracia é um luxo do Norte. Ao Sul é permitido o espetáculo”.
Eduardo Galeano, O livro dos abraços
A polarização entre PSDB e PT é um desserviço.A despolitização dos debates,fincada na denúncia de quem seja mais ou menos corrupto,esconde na verdade que corrupto é o sistema capitalista,que cria valores individualistas e competitivos.
Só um sistema que faz do Estado refém dos interesses privados pode produzir,em níveis de produção em massa,corruptos e corruptores em larga escala.
Só um Estado mediado e controlado por conselhos populares de democracia direta,pode escancarar todas as portas da transparência,necessário a impedir o desejo mesquinho da apropriação dos recursos públicos.
A despolitização é uma marca da direita,para que as decisões sejam tratadas às portas fechadas,entre "especialistas" de negócios,com retórica do economês,que visa afastar dos simples a possibilidade de querer participar da vida social como sujeito protagonista.
O PT contribuiu ,em 12 anos de governo,para retirar das ruas ,espaços de trabalho,escolas,das ruas... a discussão sobre os temas mais relevantes ao próprio povo.Escondidos em seus gabinetes instalaram seus balcões de negócios para a fatia do Estado aos negociantes ávidos por dinheiro público.Abriu espaço para o crescimento da extrema direita,representado pelo PSDB e grupos fundamentalistas.Ele mesmo,o PT,carregou consigo como chaveirinho o PMDB corrupto por natureza,herdeiro da tradição política do voto de cabresto,da "Modernização conservadora" ,"revolução passiva" e por cima da transição do velho Estado agroexportador,monocultor e escravocrata para o Estado burguês.Hoje os dois modelos estão integrados e representados pela união vexatória de PT e PMDB.
O PT não foi para a esquerda para se diferenciar da extrema direita/PSDB por que não lhe interessa descer do colo do poder econômico,mesmo correndo o risco de perder as eleições.Só o voto nulo é pedagógico,só o voto nulo pode dizer que é mentira a verdade que eles inventaram.

A esperança e o otimismo estarão nas ruas!


Qualquer que seja o vitorioso do domingo,os ataques às conquistas sociais virão.Os derrotados somos os trabalhadores.Fora às privatizações,superavit primário,lei de responsabilidade fiscal,bases neoliberais adotadas por PT e PSDB,o mundo em recessão capitalista com seu capital transnacional,exige dos países inseridos/submetidos uma receita econômica onde os trabalhadores paguem as contas da crise.A única alternativa para evitar o desastre estará nas ruas e nos movimentos sociais organizados,estes,verdadeiramente me representam.

Será bom que as políticas assistenciais do PT continuem a existir,são necessárias e urgentes,mas não nos iludamos, saúde ,educação,bases para que haja mobilidade social, continuarão à míngua.As reformas estruturais que não vieram com PT e PSDB, não virão,graças ao compromisso explícito destes com o capital.

A oposição que evitará retrocessos estará nas ruas das Polis divididas,entre aqueles beneficiados pelo Estado e os esquecidos e marginalizados por este "Leviatan " capitalista que produz riquezas em abundância para poucos se beneficiarem.
Os racistas,homofóbicos e desregulamentadores de direitos estarão mais excitados do que nunca em um congresso dos mais conservadores da história deste país,mesmo com a derrota iminente nas urnas do PSDB.

Controlar socialmente a mídia privada,tomar medidas de democratização dos meios de comunicação de massa,é tarefa que o PT terá que tomar,acovardado pelo pacto que fez com as elites,quase sucumbiu eleitoralmente.

Os socialistas de esquerda que apostarem na mera ação parlamentar para evitar o desastre maior,sucumbirão junto ao PT,farão o papel do que deles espera o capital.

A única oposição forte,resistência cultural e política, estará nas ruas e movimentos sociais,denunciando o extermínio dos moradores de favelas e periferias deste país pelos órgãos de repressão do Estado,denunciando o Estado privatizado a serviço dos mesquinhos interesses dos grupos empresariais que governam esta nação.

A crise de representação política é um dos primeiros sintomas da farsa eleitoral,que se apresenta como redentora ,mas não passa de legitimadora das dores dos oprimidos.

A democracia de baixa intensidade,baseada no voto,é questionada em todo o mundo, e revela a decadência do liberalismo político, e o econômico,que se sustenta graças as altas doses de produção de ideologia,falsa consciência da realidade.Abstenções, votos nulos e brancos mostram a frustração popular.

Seja lá qual ou tal, o vencedor das urnas,a esperança e otimismo estarão nas ruas!

24 setembro 2014

"Pode ser a gota d'água."

Porque o PT não é um partido de esquerda?Porque, apesar do analfabetismo funcional que cola o adesivo de esquerdista na bandeira desbotada do PT,não tem o apoio de nenhum setor à esquerda deste país?O que faz ainda a muitos se confundirem neste momento? Há muito o PT abandonou suas bandeiras de luta ,seus compromissos com os movimentos sociais ,seus princípios que um dia vincularam a histórica bandeira vermelha com a estrela,com o programa socialista,seja ele qual for. A aplicação dos princípios neoliberais,suas agendas econômicas determinadas pelo capital financeiro,suas alianças com o agronegócio e as legendas que representam a classe dominante, descredenciam o PT a utilizar qualquer palavra ou retórica que lembre a esquerda socialista . Esperamos pacientemente,mesmo depois da "carta ao povo brasileiro" (que ratificou a domesticação petista à ordem )de 2002, que pelo menos este partido implementasse reformas mínimas para justificar ao menos uma pequena dúvida nos militantes dos movimentos sociais. Ninguém aqui negará a importância do Bolsa Família ou da política de cotas raciais(conquistas dos movimentos sociais ) ,mas nem de longe estas políticas sequer se aproximam do início(ou que pelo menos apontasse) para um "Estado de bem estar social " . A reforma da previdência foi o marco do fim do enlace com os compromissos com os trabalhadores,o início da relação pornográfica com os ditames do capital .A política de juros altos de um capital financeiro não taxado é marca da pilantragem petista ,continuação vergonhosa do programa do PSDB. A aliança pontual do prefeito de SP com O governador de SP contra as manifestações de junho de 2013 , e pior,o governo petista de Cabral no RJ legitimando a violência policial contra manifestantes,movimentos sindicais e os favelados que sofrem verdadeiro holocausto da polícia militar carioca,de Pezão,Cabral e o PT. A entrega da comissão de direitos humanos à setores ultraconservadores,racistas e homofóbicos,promovendo-os às estrelas do reacionarismo brasileiro.Parecia a gota d'água,sem contar com as PPPs( parcerias público-privadas,novo nome para as privatizações) . Há dias ,Dilma se pronunciou contra a permanência da Filosofia e Sociologia no currículo do ensino médio,atendendo aos propósitos do Banco Mundial,que relaciona financiamentos ao investimento em ensino técnico,fazendo coro com publicações como "Veja" e "O Globo " e a bancada das mantenedoras privadas que vibram com Prouni e prouninhos que virão,mesmo diante de um ensino público em progressiva destruição. Pode ser a Gota d'água,e é. Dilma não receberá meu voto,pelos mesmo motivos que não votarei em Aécio e Marina.

14 junho 2014

Ei Dilma,investe em educação!

Sou crítico(e muito!) do que se tornou o PT.Um partido que rasgou suas bandeiras históricas,privatiza o dinheiro público,faz alianças com uma aristocracia carcomida de Sarneys e Cabrais,e toda sorte de nojeiras as quais sempre criticou.

O PT não é diferente do apodrecido e mal cheiroso PSDB/PMDB.Mas determinadas críticas que são dirigidas ao PT são motivadas por puro preconceito.Uma classe média que aceita pagar 140 bilhões de juros da dívida,mas é contra o bolsa família que oferece 70 reais às famílias.São contra as cotas raciais,mas não estão nem aí para a defesa da escola pública de qualidade.

A crítica política é sempre bem vinda,e eu as faço diariamente a este governo neoliberal,mas o preconceito é intolerável!

O xingamento da "torcida" contra Dilma reflete a indignação com o governo de uma classe média que não sabe traduzir sua raiva através da política,somente por arroubos morais,muitas das vezes extremamente agressivos(vemos isso por aqui no facebook), classe média(que inventou o instituto,"molhar a mão do guarda") não acredita nas instituições jurídicas e políticas,daí o "jeitinho brasileiro"(ou por consequência disto),por isso ela quer fazer "justiça"com as próprias mãos.
Ela,a classe média,confunde crítica política com raiva pessoal.A política( a arte de articular vontades)foi desconstruída como alternativa de transformação ou ascensão social,pelo seu partido preferido,a Globo. Para ela,a política em si é um mal(a política carregada de moral) e não o que fazem dela.

Para ela, fazer política se resume ao voto,como dita seu partido preferido, a emissora de TV,com o objetivo de ser a única referência de construção de valores,Globo é o partido político que produz o programa da classe média,seus valores,sua forma de ver a política e sua visão de mundo,seus sentimentos...para que tudo possa significar o que esta classe vai consumir,como vai se comportar ou votar.

Como disse a filósofa Marilena Chauí," a parcela conservadora da classe média é uma aberração cognitiva,uma aberração ética,uma aberração política", resultado da sua indiferença quanto à qualidade da educação pública,da sua indiferença quanto ao que fazem do dinheiro público,produto do seu desprezo por se articular com o outro que não faça parte de sua família(sua entidade privada),o desprezo pela política.Esse desprezo pela política,produziu seu desprezo pela ética("pra quem quer levar vantagem em tudo") já que nada público funciona por causa do meu desprezo pelo público,eu me viro individualmente,do jeito que posso,mesmo que contra as normas e regras sociais.

E quando seus interesses são contrariados,o " verbo" é substituído pelo emprego da força física,conforme lhe ensinaram na TV,e porque não na escola,que não tem tempo de educar pois tem que treinar amplas massas de" cordeirinhos" com seus conteúdos científicos,pretensamente neutros,obedientes à lógica do trabalhar pra consumir,e consumir pra se diferenciar do pobre,figura que ela despreza,principalmente se ela mesma nasceu na pobreza.