17 agosto 2008

A gente se vê por aqui!




Em tempos de eleições, como estas que se avizinham, um tema torna-se recorrente, o da manipulação de informações e idéias por parte dos meios de comunicação com o objetivo de impor uma visão de mundo.

A televisão enquanto o maior meio de comunicação de massa sería o maior veículo de controle das informações.No entanto, nos tempos de hegemonia global do capitalismo com a sua mais nova versão, o neoliberalismo, a acusação que pesa sobre as organizações Globo de manipulação do noticiário para a eleição de seus preferidos, se desloca para outro patamar.

A simples eleição de candidatos simpáticos aos "interesses globais" já não interessam ao império de comunicação brasileiro.

Esta empresa se tornou tão poderosa que impõe seu próprio programa político-ideológico, massificando seu modelo de existência cultural,seus parâmetros civilizatórios, "facilitando" que se tome como lógico o projeto político e econômico a ser seguido.

Se as propostas de transformação e conservação social, apresentadas por partidos políticos e organizações sociais, não questionarem a existência e a reprodução do capitalismo, será permitido tudo, com grande aparência de pendão democrático a Globo se apresenta, com a maior preocupação de legitimar o Sistema que existe hegemonicamente nos dias de hoje.

Não é mais necessário que se manipule processos eleitorais, já que os valores da democracia representativa,enquanto valor universal, estão preservados através do programa político das organizações Globo, que cotidianamente sua programação afirma em forma de valores culturais, esmagando a qualidade, execrando os valores de solidariedade que não seja o do simples ato de doar reais para programas assistencialistas como o "criança esperança".

O programa da Globo é legitimado por sua programação diária, e aqueles (orgs políticas) que mais se enquadrarem aos padrões impostos, serão vitoriosos nas eleições.

A manipulação hoje é mais sofisticada, ela não escolhe entre o candidato A ou B, mas os candidatos A e B deverão estar necessariamente enquadrados aos referenciais ideológicos colocados por esta empresa de comunicação.

A Globo é o maior partido político do Brasil e seu programa político-ideológico-econômico é louvado como o máximo de qualidade a ser alcançado ou reverenciado pelos projetos partdários.

A Globo manipula valores e emoções, cria necessidades, controla a indignação popular, instaura a agenda política e dos noticiários, em fim, dita quais serão as pequenas "utopias" a serem disputadas por candidatos e partidos em época eleitoral.

Antes o "Jornal Nacional" era o principal veículo da justificação dos seus interesses, hoje, bastam as "Malhações" e "Favoritas", que como modelos instauram as vontades a serem alcançadas.As eleições são a festa onde se disputam o que ou quem tocará à frente o projeto político da Globo e sua Globalização econômica.

Na verdade este modelo não é uma criação racional, mas parte de um projeto muito antigo, onde as redes de comunicação estadunidense vendem há tempos o "american way of life", "o modo americano de vida", que valoriza o individualismo e o consumismo como o patamar mais alto a ser alcançado pelos mortais. A Globo só importou este modelo de controle social, e o faz com maestria.

E aí não importa se quem vai ser eleito é um "evangélico", um stalinista do Pc do B ou um neo-TFP(tradição-Família-propriedade). Seja quem for, terá que beber da fonte do status quo .

Um comentário:

José Marcelo Rocha disse...

Wallace, por muito tempo se disse que a globo , pelas ferramentas que possui, manipula ideologicamente as vontades política. Este sua nova interpretação é bem mais complexa e faz sentido.Entretanto quero cutucar-lhe perguntando se voce acha mesmo que os "plebeus" são tão expostos assim as bobagens globais? Ninguém pensa? E a classe média educada em universidades,estariam também sujeitas ao poder global de manipulação. Sem mais te deixo minha admiração por seu blog com conteúdo.
Abraço.

José Marcelo Rocha