15 março 2013

O "Fenômeno" Yoani Sánchez. Uma reflexão sobre o papel dos meios de comunicação.





Por Gabriela Coelho
O sucesso da blogueira cubana: natural ou pretensão? A enorme importância de analisarmos e pensarmos a respeito de tudo que lemos e vemos nos meios de comunicação.


No último mês, um nome específico tem sido bastante repetido pela mídia. O nome não diz respeito a alguém que tenha morrido numa famosa tragédia ou que esteja envolvido em algum grande crime. É só um rosto cubano que tem aparecido por aí (e, até aparecido bastante, diga-se de passagem – aparecimento que não é muito esperado de uma figura cubana). O rosto é de Yoani Sánchez, uma blogueira que escreve muitas críticas a seu país e, por estas mesmas, tem sido valorizada e prestigiada pelo mundo afora. A verdadeira questão em torno da blogueira é: por que (e/ou por quem) um rostinho de Cuba tem ganhado tanta visibilidade nos veículos de massa?

Há muitos que dizem por aí que a razão pela qual esse rostinho tem ganhado toda essa atenção é justamente por ser um rostinho diferenciado. Diferenciado porque, supostamente, a blogueira tem agido como uma voz da verdade e um ícone mundial a todos que enxergam (ou querem fazer os outros enxergarem) uma tirania stalinista em Cuba. Devo concordar que a imagem de Yoani Sánchez representa mesmo algo diferenciado, mas não consigo dizer que seja porque ela mesma representa essa diferença.
 
A revolução cubana, para muitos ("idealistas" ou não), representou um grande sonho em torno de toda a América Latina. E, até hoje, Cuba mostra-se como uma prova de resistência e sabedoria. Não é muito à toa que o país possui os melhores índices de alfabetismo e a marca zero da pobreza, por exemplo (segundo dados da ONU) - mesmo privado e sancionado de tantos benefícios comercio-econômicos. Mas, para muitos outros, e até de maneira muito compreensível, devo admitir, o modelo político de Cuba, hoje, pode parecer um retrocesso. Em meio a tantas tecnologias, novas mídias e publicidade, Cuba perdeu o charme diante de um mundo tão entregue às lógicas do capitalismo. Por isso mesmo, vemos o país também em abertura política. Assim, Yoani entra nessa história como alguém que resolve falar de todas essas coisas que o capitalismo proporciona e sobre o quanto Cuba age como uma ilha de isolamento e alienação a tudo isso. Contudo, minha intenção não é desmerecer o que ela diz e critica, mas só analisar o percorrer de suas falas.

Assim, sinceramente, o que ela pensa a respeito de Cuba não muito me interessa agora. Não quero analisar suas opiniões, apesar de ter grandes críticas a estas. Ela fala o que quiser e tiver bem vontade de falar, seja de sua espontânea crença ou não. Confessemos que, se ela também não falar só o que acredita por conta própria, mas também o que agrada e satisfaz outros interesses privados e particulares, não seria uma grande surpresa. Desta forma, o meu interesse em falar de Yoani é justamente o fato da possibilidade de haver um grande interesse de outras pessoas por trás dela. O interesse seria em querer que o que ela fala ganhe muita notoriedade. Para incitar mais isso, por exemplo, posso citar o fato de seu blogue ser traduzido para mais de 10 línguas (o que é quase um recorde em se tratando de uma página virtual).

Portanto, o importante me parece ser o reconhecimento de que sua figura só transcende porque a fizeram transcender. Há um nítido interesse midiático em tornar Yoani uma voz do saber. O interesse fica sempre mais claro quando analisamos por trás toda a polêmica que a blogueira arrastou em torno de suas críticas à falta de liberdade individual em Cuba. Por si só, o conceito de liberdade individual já me é relativo - mas, mais relativo ainda é pensar que Yoani alega estar insatisfeita com alguns dos fatores que mais faz o país consagrar-se como uma nação mais igualitária. Mas, é claro: o conceito de uma sociedade mais igualitária também é relativo. Penso que, o que não pode ser relativo, é imaginar que transformem uma pessoa em figura-celebridade e coloquem o que ela diz como frases de um oráculo de luzes divinas. 
É claro que a grande responsabilidade disso cai muito mais em cima das grandes revistas e jornais, e das grandes emissoras de televisão (que são controladas por pessoas que têm interesses além dos informativos, obviamente). E, é claro também que, alguns desses interesse são fáceis de serem decifrados. Afinal, criticar Cuba, com embasamento e sérias informações, ou não, é sempre divertido.
Não importam, o preço, a ética, a moral. Se tiverem que criar um preço para fazerem a crítica, criarão. Se tiverem que ajustar as éticas de comunicação e jornalismo, ajustarão. E, se tiverem que romper com algumas morais cívicas básicas, romperão da maneira mais esdrúxula possível: com a manipulação.Por isso, a crítica vai diretamente à comunicação, e não à blogueira – mesmo que ela possa agir como empregada deste ramo.

Deste modo, o que mais me parece sensato agora é entender que é preciso criticar a importância que associaram a ela - e associam a quaisquer outras celebridades inventadas de momentos passados, ainda mais com tanto furor. O que imagino ou idealizo é respeito. Respeito que venha tanto dos meios de comunicação de massa, vendidos e entregues, que insistem em desinformar; assim como de quem pensa que tem o direito de cortar a fala de Yoani, mesmo que esta seja falsa.

Morte.





Por Giovana Lidizia

Eu via tantas pessoas percorrendo aquele caminho, naquela direção que eu ficava curiosa. Até que um dia eu tomei coragem e fui até lá, mas não cheguei muito perto e então perguntei “Quem é você?” e ela me respondeu ,“Prazer, sou a morte.”. Nisso passaram duas pessoas ao meu lado, uma mulher e um menino chorando e me perguntei “Será mesmo um prazer?”, afinal ambos que passaram ao meu lado estavam jorrando lágrimas de tristeza e eu não podia fazer nada, estava de mãos atadas. Sai dali.

No caminho encontrei mais uma pessoa, um homem, em torno dos 40 e poucos anos e perguntei “Com licença, aonde esse caminho leva as pessoas?” e ele me respondeu “Para a morte.”. Espera, quem é ou o que é a morte? Indaguei para mim mesma, e logo em seguida, indaguei em voz alta para o homem. Ele disse ,“A morte é o final desse caminho aqui.” Tá, mas como, por quê? Qual a finalidade dela? Quando virei-me de lado para fazer novas perguntas, o homem já estava quase no final do caminho. Engraçado que ele parecia apressado e ansioso para chegar ao fim desse caminho. Mas as outras duas pessoas que haviam passado por mim mais cedo, estavam aos prantos.

Continuei andando, na mão contrária a das pessoas. Enquanto as pessoas iam, eu voltava. Só eu.

O caminho era bem grande, muito grande e cada pessoa tinha uma linha que a seguia. De umas pessoas ela era maior do que de outras. Era como se fosse o quanto ela viveu.

Parei outra pessoa e perguntei “Que caminho é esse”?”e ela me respondeu “é a vida, querida.” perguntei mais uma coisa ,“que vida?” Ela respondeu “a que vivemos, existimos, porque pergunta?” Um pouco confusa tentei responder “ por que tem tanta gente nesse caminho?Uns jorram lágrimas de tristeza, outros aparentam alívio, uns felicidade...?Por quê?” e ela mais uma vez me responde, “É o que eles estão sentindo em relação ao fim da vida. Quando morremos, não voltamos para nossa antiga vida. Saímos da vida das pessoas e de tudo mais, tudo aquilo que durante anos fomos obrigados a conhecer, a gostar. Agora somos obrigados a desapegar, principalmente das coisas e pessoas que mais amamos e prezamos,ver os outros sofrerem.” E eu indaguei “Mas quando se morre, se sai da vida das pessoas? Por completo?” e ela disse um simples e sonoro “sim” e eu mais uma vez a procura de respostas “ Mas e a memória, a saudade que você deixou? É extinta também? Será possível...” e ela respondeu “não sei, mas sei que tenho curiosidade de saber o que está atrás do ultimo passo do caminho a minha frente” e eu perguntei “mas então quer morrer? Não se importa com as pessoas que deixará para trás, ou a saudade?” e ela me surpreendeu “muitos me deixaram e eu não morri por isso.”

Então espera, você tem uma vida que lhe é entregue e dizem “vai em frente, vive.”, mas como podemos nos entregar a algo que sabemos que um dia vai ser tirado da gente. Tirado sem pedir licença ou perguntar se ao menos queremos. Somos apresentados à vida, falam que temos duas opções, viver ou existir. Fazer juz aquela vida que você recebeu e viver mesmo, com intensidade, fazer o que quer fazer ,o que tem curiosidade. Ou viver, seguir regras e não se importar, apenas viver, não fazer nada de importante, que “mude o mundo” ou que mude você.

Falam que a vida tem um fim e esse fim é a morte, mas será que depois da morte não tem nada  mais? Será que não voltamos?

Eu tenho curiosidade sobre a morte, para mim, mas não para os meus parentes, familiares, amigos porque eu sei qual é a sensação que é provocada quando alguém que você se importava, amava, gostava, morre. Sensação amarga e de perda de um pedaço de dentro de você. Eu penso que se eu, por exemplo, perder algum ente muito próximo como minha mãe, hoje, eu não vejo futuro na minha vida. Porque a minha mãe é meu chão, ela que me direciona aos caminhos e me incentiva a ser alguém na vida, não necessariamente uma pessoa boa para o país que trará lucro, mas uma pessoa na vida pra mim.

Mas será mesmo que eu não conseguiria seguir em frente sem ela? Será que exatamente por não tê-la eu queira seguir em frente?

Enquanto eu não descubro a morte eu vou viver com o máximo de intensidade e curiosidade possíveis dentro de mim. Permitir que eu sinta as sensações mais estranhas que podem existir, me apaixonar, me machucar milhares e milhares de vezes, aprender, errar e fazer tudo que quero. Mas o principal, quero viver meus sonhos, quero achar minha razão de viver, se é que existe.

Quero estender a mão quando precisarem, quero beijar quando quiser, abraçar quando quiser. Quero viver, quero ser uma estranha nesse mundo tão grande, quero ser uma estranha diferente no meio desses 7 bilhões de pessoas estranhas no mundo.
Estranha.

13 março 2013

Devolvam o nosso Cristo!

Eu quero a presença de Cristo me guiando.Eu quero o tempo onde o “religar”(significado de religião) signifique igualar a todos,sem discriminação e desigualdade econômica.

Eu não quero Papa e bispos evangélicos homofóbicos,racistas ,defensores de pedófilos e colaboradores de ditaduras.Eu quero o exemplo do homem simples e barbado que não excluía,abraçava aqueles que os conservadores criminalizaram.

Meu Cristo foi um preso político condenado à pena de morte,meu Cristo de sandálias só ostentava a alteridade,amor e respeito profundo aos simples e deserdados da terra.

Eu quero seu exemplo orientando os pedantes religiosos que se acham os donos do mundo,das verdades e da política.Um líder religioso não pode colaborar com este presente absurdo,nem tampouco indicar o retrocesso moral como caminho.

Definitivamente minha referência não é a farsa que eles defendem.Meu Cristo não andava de braços com poderosos e opressores.Dissimulados líderes que esqueceram o exemplo daquele que só tem a ensinar e não a falsificar,colaboradores dos regimes do ódio e da exclusão,que caiam suas máscaras sob a Luz de quem só indica a Paz na humanidade,hoje,tanto quanto há dois mil anos, afogada nos paradigmas da intolerância.

Eu quero o tempo onde religiões não sejam balcões de negócios e ideologia.Um tempo onde não seja necessário mais do que o coração e a consciência para indicar o caminho a seguir.

11 março 2013

Senhores da escuridão.







“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”
M.Luther King


Feliciano,a aberração eleita como presidente da comissão de direitos humanos da câmara federal,Bolsonaros e Malafaias,Eduardo Cunha(Homem de Cabral e Paes no congresso) e alguns outros conservadores tem se manifestado mais claramente contra negros,indígenas,homossexuais e etc.Além disso,estes fazem coro com governadores que criminalizam e agem com violência contra manifestações democráticas.

Vemos em algumas cidades,remoções forçadas para a festa da FIFA,desalojando e reprimindo sem tetos e sem terras,incêndios criminosos em favelas localizadas em áreas nobres,repressão sem dó nem piedade à professores e médicos em luta por melhores condições de trabalho e remuneração,ocupação de territórios de povos originários e outras tantos terrorismos de Estado.

 Demonstram o quanto perderam a vergonha de expor o que seria impensável falar com tanto descaramento há algum tempo, mesmo que suas ações políticas nunca deixassem de existir.

A própria eleição destes cidadãos já demonstra o quão na contramão estamos caminhando.Se a esquerda vive um refluxo político,hoje podemos dizer que vivemos em plena era de refluxo cultural,e por que não moral,quando os fascistas se sentem a vontade para se colocar inescrupulosamente a favor de ódios preconceituosos.Há clima para a barbárie quando há público e eleitores para estes desajustados.


Se fizermos um exame do momento onde o nazi-fascismo teve seu auge, veremos que da mesma forma dos dias de hoje, existiam discursos na base para justificar o injustificável frente à ética universal.

Ao mesmo tempo percebemos que existem resistências, nas ruas e nas redes sociais, setores progressistas compostos pela juventude e movimentos sociais dão respostas a altura, embora os meios de comunicação se neguem a fazer eco à mobilizações legitimas para a democracia.

Habermas dizia que o "fascismo é o liberalismo que perdeu seus escrúpulos”. Hitler foi eleito antes de se tornar o que se tornou e teve o apoio do povo alemão e de vários espalhados pelo mundo. Afrontas à dignidade humana colaboram com estado de coisas postas no momento.Há em curso um projeto civilizatório preocupante. Parte de nossa sociedade e seus representantes fascistas preparam em panela de pressão um totalitarismo à moda da casa, construindo o prato cultural para o banquete político que está por vir.O que de pior há na humanidade ainda sobrevive.



27 fevereiro 2013

Tire seu cinismo do caminho.Por uma nova "estética da existência".



Muito se discute sobre a falta de ética.Não há falta de ética,o que há é uma ética que fundamenta os caminhos e normas sociais em que vivemos.Melhor dizer que sobrevivemos à ética atual,a ética é um conjunto de  princípios universais.Um problema moral é quando um desejo pessoal se contrapõe aos princípios éticos.O edifício teórico ético nos assombra quando queremos desestabilizar este modelo instituído.Mas a minha ação moral ou contra-moral,é afirmação dos valores aceitos ou pode significar a transgressão da moral vigente.

A ética que prevalece em nossos tempos é a ética construída historicamente pelos sistemas filosóficos que acompanharam as transformações burguesas ao longo da história.Vivemos a ética burguesa.E nos alarmamos,quando somos críticos a este modelo de civilização que está posto.Um modelo do Capital,que cria signos que não correspondem ao humanismo,a valorização da vida com toda a dignidade.

Foucault,ao estudar Epicuro definiu ética como a “estética da existência”.O modo como o indivíduo vê beleza em sua vida, a maneira e os caminhos  com que deseja construir sua existência.E este modelo pode ser moral,aceitável enquanto padrão de comportamento ou não.Eis a encruzilhada da humanidade.Ratificamos os comportamentos da ética do Capital,a mesquinha ética do capitalismo,competitiva antes de solidária,individualista antes de reconhecer o outro como parte da construção de si mesmo(Alteridade).

A moral vigente é estabelecida pela ética do consumo e do lucro,somos modelados pela manufatura do sucesso,que nos permite Status,fator de diferenciação dos outros,não “tão bons quanto nós”.E aceitamos tudo isso.

Em “Romeu e Julieta” de Shakespeare nos contorcemos de dor, quando do final infeliz do casal que se ama se concretiza. Esta história coloca a regra social em xeque ,o valor moral expresso na paixão vai de encontro a ética estabelecida.Precisamos entender o recado do autor.O que está estabelecido não necessariamente nos servirá para eternidade.A paixão,em dose controlada,pode significar um novo estado de coisas,uma nova ordem,uma nova ética.

Os gregos construíam  a imagem do confronto das paixões,os desejos, com a ética,como um barquinho em meio à tempestade em alto mar,sem rumo,sem direção,pronto a afundar.É assim que nos vemos quando estamos apaixonados,no sentido largo da palavra,quando desejamos algo,alguma coisa ou alguém.O caminho da correção dos sentidos ou dos sentimentos estaria em racionalizar esta tempestade,adaptar ou sucumbir meu desejo às normas éticas universais estabelecidas como padrões de correção.Este é o princípio da ordem,que pode ser “benéfico”,calmante filosófico,na medida em que nos vemos de novo adaptados às rotinas morais.Será esta a solução?

É aí que entra a relativização do Universal.O Universal que a humanidade consagra em um esforço histórico,”sagrados” valores, podem em certa medida serem desconstruídos.A crítica à moral vigente é uma necessidade para o desenvolvimento ético da humanidade.Ela sim,pode significar descontrole,pode significar ausência de ordem,mas será mesmo que a ordem estabelecida,os valores burgueses sacralizados pelo Iluminismo,será que eles ainda nos servem?Alguns dizem que ainda não alcançamos a utopia iluminista.Outros,que elas são a atualidade ética em que vivemos.Não precisamos de psicanálise,não há crise no indivíduo,a crise é filosófica,a crise é do modelo de valores petrificados pelo sistema capitalista,seu liberalismo político e sua cultura de massa.O estresse social deve implodir os rumos atuais,construindo um novo modelo,uma nova ética.O descontrole também pode ser interpretado como liberdade.

Só a transgressão da ética atual pode resignificar a humanidade.A crítica da moral é um papel filosófico que deve ser assumido por cada indivíduo,que conseguirá com a força da sua razão,iluminar espaços que são obscurecidos pela cultura capitalista,superar o Simulacro de realidade que nos foi imposto,promover a autonomia do pensar,desamarrar os grilhões que falsificam a realidade.

Somente a subversão de valores éticos pode permitir uma ética universal que seja Transcendência,superando a Imanência material,o que nos prende a falta de lucidez,o que nos torna uma humanidade angustiada,que sofre quando enxerga as  mazelas produzidas pelo sistema da exclusão.A culpa é a sombra que nos acompanha mas a ignoramos como fazemos como as  sombras de nossos corpos.Mas esta angústia coletiva é logo superada pelas “falsas crenças da realidade”,como dizia o filósofo Epicuro.A ilusão é a constituição da nossa vida atual.É o psicótico desejo de fugir de uma vida que pesa aos ombros ,que pesa na alma,mas banalizamos e naturalizamos esse modelo de existência irreal,incompatível com o modelo ético que almejamos,incompatível com os valores de justiça que gostaríamos de alcançar.

Só a subversão nos salvará da ética que condena a vida de bilhões.Condenados à fome,uma fome de nova ética que venha substituir o sistema,este padrão ético que faz parecer que o erro é individual,quando na verdade é o modelo universal de existência que condena a cada um na medida em que consagra seus falsos sonhos,ilusões descabidas que nos tornam doentes moralmente,decadentes mesmo que economicamente  felizes,mesmo que tenhamos alcançado os píncaros do alpinismo social.

A nova “estética da existência”,a nova ética,os novos princípios de uma nova humanidade que sufocará  a crise civilizatória em que vivemos,certamente não passa pelo modelo filosófico do capitalismo.Uma nova ética que supere a abominação que nos tornamos,ao ignorar a hipocrisia social que fazemos de conta não existir neste modelo global carcomido,com o rumo apontado para o abismo ético.Estamos no precipício,frente as escolhas que podemos fazer,por uma nova ética,ou continuemos a viver com a morte do sentido existencial.

24 fevereiro 2013

Na escola do Oscar,a sala de aula de Chico.







 A sala de aula era o sonho da família.Primeiro a mãe,filha de operário,entrou para o curso normal.Depois os filhos.Havia o orgulho ,ou o status de reconhecimento por proferir aquilo que estava posto como o fruto do esforço da humanidade.Cresci  cheio de vontade de ser eu também alguém que possuísse as “verdades” da humanidade.

Não gostava de ir às aulas, mas aquele ambiente da escola me fascinava. O respeito que tinha por aquelas pessoas que detinham toda aquela sabedoria era muito, parecia a música do Chico.
Cresci cheio de ansiedade e impaciência, pois na minha cabeça, a sala de aula era igual à música do Chico.
Fui fazer direito. E nas aulas que me esforçava para gostar, ficava pensando que gostaria muito mais de estar no lugar do mestre.

Internei-me nos códigos, que não me faziam sentido. Pareciam algo artificial e sem importância perto da sabedoria de meus Mestres, sabedoria que parecia música do Chico.

Senti-me traído com sua burocracia, odiei, me revoltei. Insultei o que me pôs neste caminho.Lembrei de quem dizia que com o curso de magistrado poderia ter uma vida mais confortável,sem as agruras do cotidiano do educador.

Na minha cabeça a sala de aula era música do Chico. Só volto à faculdade quando as aulas falarem do conhecimento acumulado pela humanidade!

As provas de tributário, Penal e Civil não me alegravam como as de Antropologia,Ciência Política e Sociologia. Estas me lembravam música do Chico.

Depois, larguei. Fui fazer Sociologia para dar aulas.Na minha cabeça dar aulas perfeitas seriam como Pedro Pedreiro,Construção,Deus Lhe Pague,Cotidiano...Na minha cabeça ,dar aulas era música do Chico.

Ainda hoje ,depois de quase duas décadas de trabalho em sala de aula,cada uma delas me soa como  música do Chico.Em todos os lugares,em todas as salas,na escola do Oscar,em todas,a aula tem que ser música de Chico.

02 fevereiro 2013

"Socialistas-malabaristas":justificadores da ordem pela arte da retórica.




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       
“A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de se apresentar  nessa linguagem emprestada.” K.Marx

O que representam as eleições do jogo democrático para os socialistas?É um velho debate,que por sua importância,prevalece no campo da esquerda socialista.Em toda a história do século xx este debate se deu nas hostes de partidos socialistas e comunistas.Estes debate sangra as organizações historicamente,provocando cisões,expurgos e invariavelmente,criando crises nos movimentos sociais.Por ser uma discussão conjuntural ,entendendo que depende do momento social,político e econômico,a correlação de forças,e fundamentalmente,levando em consideração os princípios e as análises dos momentos históricos passados.Esses processos assumiram tal dramaticidade no seio da esquerda socialista,muitas das vezes por expressar a opção confortável de setores que acreditam poder se chegar ao socialismo privilegiando a democracia liberal e suas regras.

É bom que se lembre,mais do que nunca,que a superestrutura cultural da burguesia,expressa em seus meios de comunicação,assumem o papel principal de controle social e político,através da produção da falsa consciência,provocando intenso refluxo na difusão de ideias nas forças socialistas e revolucionárias.A ideologia dominante assume seu papel preponderante na manutenção da ordem do Capital.Encantados com a saída reformista/parlamentar,setores da esquerda se satisfazem com o recuo de seu programa ,ao abrir mão de reivindicações históricas em troca de alianças com setores progressistas burgueses e a aceitação das classes médias(conservadoras e sem caráter  sem caráter cultural  e sem consciência de classes)fatigada por lutar para manter suas conquistas materiais.

É óbvio que os processos eleitorais não devem ser desprezados pelos socialistas,nem a importância de suas bancadas em se transformarem em trincheiras de lutas dos movimentos sociais e marginalizados.Mas daí  a se transformarem em ponta de lança das atuações das ações da esquerda,é onde se desenvolve o problema.Abrir mão do programa socialista em uma eleição,é abrir mão do papel pedagógico que o espaço eleitoral permite,papel este,fundamental para  a construção de um projeto de poder que vá além das apropriações de espaços de governo e legislatórios,que visam reformar por dentro estruturas políticas esgotadas.É a esquerda socialista cumprindo o papel de salvação do esgotado sistema liberal burguês,que ainda sobrevive graças às máquinas ideológicas de reprodução e manutenção da ordem democrárico-burguesa.

As argumentações para a defesa deste canal institucionalista(que já recebeu alcunhas como,socialismo jurídico,reformismo...)são manobras retóricas muitas vezes convincentes,levando em consideração a maior complexidade do momento global atual do sistema,mas não nos tem mostrado historicamente avanços na conquista do socialismo.O jogo democrático possui regras que não permitem avanços grandiosos em direção à derrocada do sistema,a não ser que ao mesmo tempo,a esquerda no poder signifique avanços sociais e principalmente, a organização popular para a sustentação hegemônica das lutas que se dão em todos os espaços políticos e culturais,permitindo a cogerência dos processos de lutas pelas organizações populares,algo bastante parecido com que acontece na Venezuela neste momento.

No passado,as “Frentes Populares”,que compunham partidos progressistas liberais e socialistas institucionalistas foram sempre uma alternativa importante para a participação no processo eleitoral de socialistas e revolucionários.E as “Frentes de Esquerda” sempre foram bons remédios para as disputas fracionistas,que desmantelam os movimentos.

Hoje,com o refluxo das organizações socialistas e de movimentos sociais(que não se pode confundir com a efemeridade dos” movimentos societais” ou processos de revoluções políticas sem transformações sociais que atinjam a desconstrução do Capital),com os ataques cada vez mais veementes da burguesia internacional aos direitos conquistados pelos trabalhadores do mundo inteiro,graças às diminuições nas escalas das taxas de lucros,e mesmo a falência do modelo econômico insustentável ecologicamente e falido economicamente - só mantido,como já citado anteriormente pela capacidade de manipulação ideológica dos  meios de comunicação de massa e o barateamento dos produtos,visto haver uma superexploração do capital sobre o trabalho,baixando o valor de mercadorias,inserindo parcelas significativas ao consumo( não confundir com o falso entendimento sobre a ascensão de novas classes sociais,que não se sustentarão diante de uma crise de caráter mundial e pelo fato de não possuírem,estes novos consumidores, base educacional)- vemos estes setores ,os chamados reformistas,se reencantarem com as liberdades políticas que não alcançam a igualdade econômica.Fragmentando o programa socialista em troca dos avanços hegemônicos conquistados no varejo da política democrática.

É importante que se diga e repita, que os processos eleitorais e as lutas intestinas que se dão dentro das instituições burguesas não podem ser abandonados.A liberdade democrática é o espaço de disputa do programa da esquerda socialista,não só no âmbito político,tanto quanto nas disputas culturais que se dão nos micro-processos políticos,nos clubes ,ruas,escolas,igrejas,famílias e etc. São mares que não devem deixar de ser navegados por todos aqueles lutadores que almejam a alternativa ao capitalismo.As lutas pelos direitos humanos,campanhas contra a fome, políticas afirmativas de correção histórica,por exemplo,são lutas essenciais para a construção da consciência política dos envolvidos,permitindo aos socialistas,à aproximação de setores da sociedade civil.

São os fantasmas do passado oprimindo os homens do presente,repetindo as fórmulas equivocadas das pretéritas derrotas.São as lideranças atuais embriagadas com os aparatos do Estado.São honestos nas crenças,mas equivocados ao desprezar a História.Acreditam que as instituições avançam evolutivamente como os corpos da natureza.Confundem o funcionamento biológico com o funcionamento sociológico.Os métodos não são os mesmos.As relações causais da Física não são semelhantes à complexidade das variáveis de respostas culturais e sociais.São Neo-darwinistas de esquerda.São ingênuos,apesar de conter beleza em seus discursos inflamados e moralistas.A corrupção é a Gênese das instituições capitalistas,estas não se reformam.

Reformistas acreditam em “choques éticos” provocados pelo inflamado discurso da moral e dos bons costumes.São sim uma variável pós-moderna da UDN do passado.Acreditam que as etapas reformistas desembocarão em uma cascata revolucionária,os de boa fé,os oportunistas desejam tão somente submeter os movimentos sociais às sua decisões “revolucionárias de ar-condicionado” regadas a bons salários, sofisticados no uso do idioma e comportamento ético que levem ao delírio às classes médias horrorizadas frente a possibilidade de perder alguma propriedade ou conquista com os avanços  sociais dos marginalizados.Não sabem os reformistas que as estruturas destas instituições estão pautadas em pilares filosóficos liberais,irremediavelmente condenadas a reproduzir os valores do “Status quo”.

Este é um tipo de debate que deve ser travado fraternalmente(apesar das ironias que me provocam), e não esperemos que jornalistas de “Vejas” e etc consigam entendê-lo.São meros cachorrinhos de madame a abanar seus rabos sujos por promoção e dinheiro.

Nas lutas conjuntas,o debate fraterno e plural,não significa a invasão da lógica burguesa na política,que é um bem precioso dos explorados e oprimidos.Os partidos da esquerda,PCB,PSOL e PSTU,devem travar este debate para que se fortaleçam as ferramentas de transformação social que são os partidos políticos,no cotidiano e também nas eleições.

Ao defender a imensa importância do debate ecológico,submetido à dialética,ao projeto socialista,não incluo aí as representações liberais do “campo verde’,como Marinas e Gabeiras,que tem suas histórias marcadas por alianças com “Sarneys” e “PSDBs” bem como a crença em um PT vergonhoso,que até as bandeiras reformistas abandonou.