15 junho 2009

COTAS : Reparação,escravidão e modelo educacional.

Cotas sociais ou raciais são políticas afirmativas que buscam minimizar as desigualdades sociais. Embora não resolvam os problemas sociais, pois eles tem origem nos princípios do sistema capitalista, elas podem remediá-los.


Como é sabido, a abolição da escravidão no Brasil(1888) não permitiu a integração do negro ao mercado de trabalho assalariado em formação.

As teorias de “branqueamento” social (eugênicas) faziam às cabeças da intelectualidade do século XIX e , aliadas as necessidades de experiência na recente industrialização do século XX no Brasil, estimula-se a vinda de imigrantes para a formação inicial da classe operária brasileira, principalmente a imigração italiana.


Durante todo o século XX , as classes dominantes brasileiras não produziram políticas públicas e sociais que permitissem a integração da população negra ao mercado de trabalho e aos processos educacionais, as quais prevaleciam a idéia de que a formação universitária deveria ser de acesso exclusivo dos privilegiados economicamente, com intenção da formação de uma elite econômica branca.


Dados oficiais nos mostram um país racista. Negros com a mesma formação educacional de homens brancos ganham 37% a menos. Os postos de comando da classe dirigente, as universidades públicas contrastam sua cor com a da maioria da população brasileira, segundo o IBGE , somos 77% negros e mestiços, sendo o Brasil, o segundo país negro do mundo.

É certo que os critérios de raça biológica não existem, grande contribuição da microbiologia contra os ideais racistas que ainda vigoram por aí e também por aqui. Traços físicos mestiços de origem , nos permite a caracterização de um povo mestiço.


As cotas raciais são um bom remédio paliativo para o contraste gritante que descolore as universidades públicas brasileiras. Alguns inocentes reproduzem os valores hegemônicos individualistas e racistas ao dizerem que o critério da “meritocracia” foi deixado de lado quando se inauguram as cotas raciais e sociais. E aí eu pergunto, que mérito há em armazenar informações de recortes científicos de disciplinas escolares, baseando o ato de estudar em mera decoreba?


Nos tempos globalizados de hoje, as informações estão disponíveis a todos e a escola de qualidade , a do futuro, fará valer , a capacidade de reflexão e o desenvolvimento das capacidades críticas e criativas, capazes de estimular a autonomia da capacidade de pensar facilitando assim o desenvolvimento da cidadania plena .


A educação brasileira ainda está baseada na educação industrialista do século XIX. Cumpriu seu papel enquanto formadora de apertadores de parafuso, mas esta já não é mais nem mesmo a necessidade do mercado de trabalho, que por conta do avanço vertiginoso da tecnologia , precisa de mão-de-obra disponível a “aprender à aprender”, só para citar uma expressão de Paulo Freire, que sabia bem quais seriam as necessidades dos mercados de trabalho hoje pois dirigiu por tempos um dos chamados sistemas “S” da indústria brasileira.


O mercado exige pessoas preparadas para mudanças rápidas e profundas que se dão constantemente no modelo de produção de acumulação flexível e pós-industrial.


A humanidade clama pela construção de valores sólidos que permitam, juntamente com o avanço técnico-científico, o desenvolvimento da ética , dos princípios de solidariedade e consciência ambiental, valores este que não podem continuar abandonado pelo currículo escolar, como se faz hoje, onde o privilégio curricular está pautado no conhecimento historicamente acumulado.


A escola básica brasileira precisa das mudanças apontadas pelas LDB/1996 de educação e o modelo do ENEM(exame nacional de ensino médio) é resultado destas mudanças que demoram a acontecer e sofrem resistências, inclusive de nós mesmos educadores deste país.

Os educadores, somos formados em cursos de graduação que privilegiam o modelo educacional transmissor(por 4 ou cinco anos de graduação de bacharel) enquanto os cursos de licenciatura sofrem com a marginalização. Este modelo atende ao critério cientificista de formação educacional, que valoriza a associação direta e principal, entre universidade e mercado privado de trabalho.


Pesquisas da Universidade de Brasília e da UERJ demonstram a falácia do argumento de que aqueles que entram nas universidades por meio das cotas, não estariam preparados. O que se vê é o contrário, alunos que ingressaram por meio das cotas tem tido um rendimento igual ou superior aos que entraram pelos tradicionais vestibulares. Isto é fato e joga por terra os argumentos daqueles que acreditam ainda que este país permite à igualdade de acessos aos bens básicos para sobrevivência. Somos campeões mundiais em desigualdade social.


A luta da classe média hoje não deve mirar às classes desfavorecidas, mas deve cobrar do estado maior abertura de vagas nas universidades públicas ao invés de como faz o governo, que financia com dinheiro público(PROUNI) vagas em universidades privadas. Existem universidades particulares que são praticamente bancadas pelo dinheiro público. Por que não direcionar estas verbas para as universidades públicas?


Os argumentos daqueles que julgam a sociedade brasileira como justa, que permite acesso aos bens fundamentais a todos, cai por terra com os fatos apresentados. Cotas raciais e sociais são uma questão de justiça, por mais que não modifiquem a estrutura educacional brasileira, uma coisa não exclui a outra.

08 abril 2009

UTOPIA RIDÍCULA.


Catalizar intenções tímidas , rosnar contra o injusto,
moderar a divisão de iguais
na luta .
inverter as imagens para que pareçam
absurdas aos olhos comuns
Relembrar o fato para que se torne
artefato

Em uma "guerra", que de tão repetitiva
soa piegas para o senso comum.

Ridículas cores aos olhos formados pelo
preto e branco

Mas como disse Fernando Pessoa,
"As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas. "

31 janeiro 2009

ZIMBÁBUE


Não é possivel falar em desenvolvimento,solidariedade,sustentabilidade, ou qualquer outra expressão que se refira a justiça sem falarmos neste continente esquecido e explorado pelos mais variados tipos de imperialismo, dominação e exploração.
Reproduzo aqui uma mensagem que recebi do avazz.com .Aqueles que lutam por justiça e libertação, terão sempre disponíveis este espaço.

"Caros amigos, Quando os chefes de Estado africanos se reunirem neste domingo, eles serão saudados por uma multidão de grevistas de fome pedindo justiça e democracia no Zimbábue. Desmond Tutu, Graça Machel e centenas de outras pessoas se comprometeram a participar da greve de fome em solidariedade para com o povo do Zimbábue, cuja maior parte está lutando para sobreviver com apenas uma refeição por dia ou menos que isso. Essa forte demonstração de compromisso atraiu a atenção da mídia, pressionando os líderes a repudiar Mugabe e suas tentativas de se manter no poder. Agora é necessário que o mundo apoie essa luta. O ativista sul-africano Kumi Naidoo iniciou oito dias atrás uma greve de fome de 21 dias e gravou um vídeo com um apelo para que os membros da Avaaz em todo o mundo se juntem ao protesto, comprometendo-se a jejuar neste domingo, dia em que ele fará um pronunciamento na reunião de cúpula da União Africana sobre a crise no Zimbábue. Se milhares de nós aderirmos ao jejum coletivo, nossa mobilização dará força às palavras de Kumi Naidoo. Clique aqui para ver o vídeo e aderir ao jejum coletivo: http://www.avaaz.org/po/fast_for_zimbabwe A crise do Zimbábue – cólera, hiperinflação, fome e a brutalidade de Mugabe – torna-se cada vez mais grave. Porém, à medida que piora a situação, o movimento em favor de mudanças torna-se cada vez mais forte e mais ousado. A União Europeia acaba de reforçar sanções contra o regime de Mugabe. Grevistas de fome no Sul da África tentaram entregar um abaixo-assinado aos líderes na última segunda-feira e foram recebidos com tiros de balas de borracha pela polícia de choque. E na manhã de hoje, após uma noite inteira de negociações, a mais recente tentativa de Mugabe de reter o controle fracassou quando a oposição se recusou a aderir a um falso governo de “união” que manteria no poder o partido do presidente, não libertaria os presos políticos, nem atenderia às necessidades urgentes dos zimbabuanos. Os próximos cinco dias serão críticos: enquanto os líderes africanos escolhem que caminhos tomar, precisamos mostrar que o mundo está firmemente em favor do Movimento para a Mudança Democrática, partido zimbabuano eleito honestamente, e do fim do reinado de Mugabe. Quando os líderes da União Africana se reunirem neste domingo, na Etiópia, suas decisões dependerão das condições políticas que podemos ajudar a criar. Várias vezes nos mobilizamos. Mais de 400.000 membros da Avaaz já participaram de abaixo-assinados, enviando “cartões vermelhos” virtuais a Mugabe que foram acenados por ativistas trabalhistas em uma passeata poucos meses atrás. Depois disso, sobrevoamos a sede das Nações Unidas pedindo que Mbeki apoie a democracia no Zimbábue. E no Natal, transmitimos anúncios de radio para dizer ao povo do Zimbábue que ele não estava sozinho. Agora, através de um ato concreto de autossacrifício, podemos ampliar ainda mais o alcance de nossos esforços. Nosso jejum solidário fortalecerá a força moral dos ativistas zimbabuanos e sul-africanos que estão exigindo mudanças. Clique aqui para aderir ao jejum coletivo: http://www.avaaz.org/po/fast_for_zimbabwe Um dia, o Zimbábue terá de volta a democracia: os refugiados voltarão ao país, os campos estarão repletos de alimentos, os hospitais e clínicas terão muitos medicamentos e possibilidades de cura. E todos nós saberemos que ao responder ao chamado de um povo sofredor, porém desafiador, demos nossa contribuição para a vitória desse povo. Com esperança, Ben, Alice, Ricken, Iain, Graziela, Luis, Paula, Paul, Milena, Brett, Pascal, Veronique e toda a equipe da Avaaz.org"
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SOBRE A AVAAZ

Avaaz.org é uma organização independente sem fins lucrativos que visa garantir a representação dos valores da sociedade civil global na política internacional em questões que vão desde o aquecimento global até a guerra no Iraque e direitos humanos. Avaaz não recebe dinheiro de governos ou empresas e é composta por uma equipe global sediada em Londres, Nova York, Paris, Washington DC, Genebra e Rio de Janeiro. Avaaz significa "voz" em várias línguas européias e asiáticas.

30 janeiro 2009

ÓBVIO ULULANTE.

Diziam as más línguas que ele inventava suas crônicas por não conseguir ver o jogo que comentava das cabines do maracanã. Seria então a confirmação da frase de Einstein: " A imaginação é mais importante que o conhecimento". Nelson Rodrigues, tricolor e dramaturgo produziu como diz Tony Platão, a mitologia mais bonita e interessante sobre um clube de futebol.A alegoria em torno de uma das manifestações populares mais importantes da cultura nacional, o futebol, fez de Nelson, o mais importante e poético cronista esportivo.Acredito mais em sua "obra tricolor" do que em suas qualidades dramaturgicas,e principalmente sua irritante e desinformada opinião sobre política.
Ele dizia que a unanimidade é burra e concordo por meio desta crítica com ele.
É certo que sua paixão e sua parcialidade tricolor também prova que a informação jornalística sucumbe diante da magistral viagem da imaginação, pois esta pertence ao mundo da originalidade.É Óbvio ululante.
Compartilho com vocês este curta sobre a paixão dele, que é também a minha.


Óbvio Ululante

Documentário | De Sérgio Sá Leitão | 2002 | 10 min
Com Carlos Alberto Torres, Samarone, Delei, Escurinho, Galhardo, Mário Neto











04 janeiro 2009

CRONOLOGIA DO EXTERMÍNIO

"O Globo"





Mapa da ocupação do território palestino de 1946 até o ano 2000.


O Estado de Israel, em nome do povo Judeu e do povo palestino deve parar imediatamente de praticar o extermínio de palestinos inocentes que desejam ser reconhecidos enquanto nação.
Os EUA devem repensar sua política tirana de dominação imperialista dos recursos do Oriente Médio .
A ONU deve se colocar contra o extermínio israelense, saindo da omissão que se coloca também B.Obama.

30 dezembro 2008

PALESTINOS PEDEM SOCORRO!

foto http://www.lavanguardia.es


A violência desproporcional praticada por Israel sobre os palestinos em Gaza atinge inocentes em grande escala.

Israel foi estimulado a praticar a covardia, graças ao pronunciamento de Obama de que a política externa continuaria na mesma linha de Bush.

Obama permanece em silêncio até esta data. Omissão ou seu programa e seus compromissos eleitorais não permitirão mudanças no unilateralismo estadunidense?

O conflito interessa aos grupos políticos que dirigem as duas nações(por mais que os EUA não reconheçam o Estado Palestino, ele existe), mas principalmente, aos grandes grupos econômicos das armas e de energia.

Fisicamente, o conflito está localizado no Oriente Médio, mas as origens destes conflitos estão nos desejos estadunidenses.

Israel promove algo parecido com Holocausto.As eleições israelenses também contam neste momento, mas diminuir as forças do Hamas também é objetivo da ofensiva covarde deste país, que é um braço político e econômico dos EUA no Oriente.

Com a palavra , B. Obama.

leia também "Conflito no Oriente Médio" em http://wallacecamargo.blogspot.com/2006/07/conflito-no-oriente-mdio.html

20 novembro 2008

POR UMA NOVA ABOLIÇÃO!



Precisamos de uma nova abolição da escravidão! Zumbi liderou Palmares onde negros,brancos e índios resistiram a opressão.É preciso resistir a exclusão ao qual os negros e pobres deste país estão submetidos. Os homens brancos com a mesma formação de homens negros, ganham 37% a menos. As penitenciárias e favelas("novas senzalas") possuem mais negros do que brancos. Seria normal em um país que é segundo colocado em número de negros no mundo, mas esta não é a realidade das instituições importantes deste país. Nas universidades públicas,congresso nacional,justiça e etc. As políticas afirmativas são um bom caminho,mais quanto tempo mais(2029? dados do IPEAhttp://oglobo.globo.com/economia/mat/2008/11/20/renda_de_negros_deve_se_igualar_de_brancos_em_2029_indica_ipea-586479801.asp) vamos esperar a caridade da elite econômica e política deste país?

Aos trabalhadores e excluídos, só resta a alternativa da organização e mobilização contra todos os tipos de exclusão

“Valeu Zumbi, o grito forte dos palmares , que correu samba , céus e mares, influenciando a abolição....”

À Luis Carlos da Vila ,autor deste samba que comemorava os 100 anos da abolição(1988) e autor de belas poesias com belas melodias, e à Zumbi, cada qual com suas armas,cada qual em seu tempo, à justa homenagem de quem lutou pelos oprimidos de sua época!

26 outubro 2008

Recado das urnas.

Falar que a credibilidade dos políticos profissionais é baixa é "chover no molhado", todos sabemos disso.

As propostas e promessas fogem às possibilidades do neoliberalismo que engessam o Estado, tornando-o incapaz de atuar para inverter prioridades: a prioridade dos neoliberais é o de dispor do dinheiro público para o financiamento da burguesia e da burocracia política que se mantem no poder ao ter em troca o financiamento de suas campanhas eleitorais.

A crise econômica mundial demonstra a falência do neoliberalismo diante das necessidades sociais que são gigantescas. Alguns profissionais da política, como Lula, que possui uma história de luta contra esta ordem social, se enquadra e se domestica ao sistema que combateu outrora.Como o "advogado do diabo", dispoem de sua biografia para obter as vantagens que o mercado oferece.

Lula oferece a ordem social-política, a integridade das instituições juridico-políticas liberais-democráticas em troca de benefícios impublicáveis.

O que os incompetentes do PSDB foram incapazes de fazer para manter a marcha do desenvolvimento do capital com concentração de renda sem gerar indignação social, o PT faz(pelo menos por enquanto) , manter o povo e os trabalhadores organizados como cordeiros obedientes às regras do falido capitalismo.

O elemento novo na brincadeira do capital é a abstenção eleitoral. O sistema que legitima a ordem econômica, já não mobiliza tantos, e os cães de guarda(políticos profissionais) dos senhores do dinheiro, já não conseguem enganar a todos como faziam com suas promessas em tempos de eleição.

As últimas eleições demonstram.Vinte por cento de abstenção eleitoral no Rio de Janeiro,dezoito por cento em São Paulo e dezesseis em Belo Horizonte, só para citar algumas capitais,deveria começar a dar calafrios nos intelectuais-defensores do sisitema e da ordem política.Para a que a própria defesa da Democracia não se torne algo impossível, é bom que os dirigentes comecem a romper os laços com o "Estado mínimo", a opressão e exploração dos trabalhadores e fazer algo para que a água da banheira não seja jogada fora junta com o bebê.Isto, sem contar com os votos nulos.

O povo mandou seu recado nas urnas.Para quem sabe ler,pingo do i é letra.

25 outubro 2008

PMDB e PERPETUAÇÃO NO PODER.

Não consigo ver os acontecimentos políticos pelo prisma do fato presente.É preciso buscar suas origens e seu desenvolvimento.

Ao pensar no PMDB não consigo me esquecer que este partido se encontra no poder desde 1986(Sarney),início da redemocratização,depois de ser uma oposição comportada e consentida pela ditadura militar.

Uma das razões por estar no poder por tanto tempo é o fato de ter absorvido durante os anos de chumbo partidos e correntes stalinistas, como o MR8 e o Pc do B, que tem em sua tradição a característica do aparelhamento e uso da máquina estatal,o clientelismo, com a utilização de cargos públicos para a capilarização e espalhamento das ações políticas que lhe dêem legitimidade e votos.E o PMDB consegue se utilizar muito bem desta herança, associada às velhas práticas coronelistas de centralização, este partido político é o que se chama de "saco de gatos", abrigando milhares de projetos pessoais escusos:fazem do cargo público o tranpolim para o enriquecimento privado, tanto dos seus integrantes quanto das grandes empresas que se utilizam do Estado para a obtenção de privilégios e o consequente enriquecimento.

Você meu nobre, pode dizer que estou sendo injusto, pois as características citadas pertencem à todas as agremiações presentes no Brasil, e que estas desqualificações serviriam para caracterizar tanto o PT de hoje quanto o DEM-PFL-PDS.É verdade, estas roupas também servem aos outros, porém, esta agremiação(PMDB)conseguiu pertencer a todos os governos centrais desde o final da ditadura, no mínimo, cedendo seus desvalorozos quadros políticos a um governinho ou outro.

Os problemas do Brasil tem raízes estruturais, fundadas no capitalismo internacional que se desenvolveu no século XIX e se aprofunda com a Globalização de mercados, no entanto, não podemos desprezar os elementos culturais da superestrutura política deste país, o qual é comandado pelo "projeto" polítco deste partido.

No Rio de Janeiro atual, de Chagas Freitas à Sérgio Cabral e Paes, passando por Moreira Franco, Garotinho e sua Rosinha, podemos perceber o quanto nós cariocas nos tornamos óleo para a máquina de promoção e de credenciamento político de figuras obscuras.

As máquinas do estado e de municípios trabalham cotidianamente no desenvolvimento do personalismo político destas figuras, de pretenções larguíssimas, destes que se utilizam das tetas do que é público para a obtenção do néctar da perpetuação no poder.

Embora não acredite que eleições possam mudar o estado de coisas, através de um modelo viciado de democracia, acredito que se não abrirmos os "olhos históricos", as coisas podem piorar ainda mais.Só a auto-organização dos trabalhadores pode mudar a vida dos mesmos, mas o direito ao voto foi arrancado por nós com muita luta e desprezá-lo não é algo que se possa fazer.

08 outubro 2008

CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL:os batedores de carteira.



“Estamos com medo, e nós falamos sério, de que passamos o ponto sem volta, as coisas estejam fora de controle e as forças que foram desatadas não possam ser paradas sem uma ação governamental verdadeiramente massiva, verdadeiramente forte, incluindo o fechamento de mercados e a imposição de limites de saques bancários" (Dennis Gartman, especialista econômico em mercado de commodities)


Em uma crise financeira como esta é que se pode perceber a veracidade dos princípios que fundamentam o sistema capitalista.


Primeiro é preciso reconhecer que o sistema do Capital é mestre em acumulação. São somas inacreditáveis formadas pelo grande capital. No entanto, é mais do que sabido, estas somas vultuosas não se transformam em melhoria da qualidade de vida daqueles que realmente sustentam esta máquina de produção: os trabalhadores.


A origem desta crise de superprodução está, como em todas as outras crises cíclicas do capitalismo, na perda da capacidade de consumo.


A crise hipotecária se traduz na incapacidade daqueles que financiaram imóveis de arcar com suas dívidas. A especulação financeira não passa de um jogo onde os ricos apostam para ficarem mais ricos .As chamadas “bolhas” se dão na medida em que as apostas são feitas em cima daquilo que não existe, em um otimismo do mercado forjado em bases insipientes.


Ou seja, as regras do mercado são fictícias,trabalham com somas de dinheiro que não são reais. Daí a expressão “especulação”. Como se fosse o jogo “Banco Imobiliário”, no momento que você está ganhando muito “dinheiro” com suas construções em locais valorizados, vem seu irmão mais novo e derruba o tabuleiro.


O capitalismo financeiro é uma ficção na medida que ignora o meio de vida dos atores principais, aqueles que produzem riquezas no cotidiano do chão real de suas nações: os trabalhadores.


Não sou capacitado para falar das entranhas mais profundas deste jogo, até por que pertencem aqueles que criam seus jargãos complicados, justamente para manter a maioria distante dele. Marx dizia que os economistas(autores dos jargãos) são como os antigos “sincofantas”, que na Grécia antiga, eram como seguranças dos dias de hoje, que nas feiras livres gritavam quando alguém “roubava” um alimento da feira livre .


.Estes “especialistas” criaram as teorias para a manutençaão do sistema e qualquer que seja aquele que acuse que estes princípios excluem a maioria, eles(economistas) gritam em sinal de alerta e com seu vocabulário incompreensível, tentam esconder a incoerência do capitalismo e sua falta de significado para aqueles que tentam com seu trabalho diário, apenas o bastante para a sua sobrevivência: “Ajudaremos empresas e bancos para salvar empregos”.Uma grande multinacional,por exemplo ,uma montadora de automóveis, não gera mais que 500 empregos diretos. E então, porque não ajudar quinhentos botequins?


Mas podemos dizer que a cada crise dessa quem paga a conta somos nós trabalhadores. A incoerência do sistema está em que quando as apostas no jogo financeiro são muito grandes e a possibilidade de que ele não venha se coberto, nós pagaremos a conta.


Os defensores do mercado livre, “auto-regulável” ficam constragidíssimos (quando não são cínicos) quando o Estado tem que intervir para salvar um mercado que se ampara nos recursos públicos. O seu dinheiro é a garantia do sujo jogo das elites econômicas.


Os defensores do “Estado mínimo” só o defendem pequeno, para a solução das mazelas sociais, para investimentos em saúde , educação, saneamento e todas as outras necessidades fundamentais para a existência digna de um ser humano. Quando a crise ameaça os grandes, o Estado é solicito em salvá-los. E os governos dos Estados-naçõe correm em acudir suas classes dominantes: privatizam os lucros e socializam os prejuízos.


As ajudas financeiras aos conglomerados econômicos são atos de lesa-vida, em um mundo onde metade da população mundial não tem o que comer e cerca de um bilhão de pessoas não tem nem acesso à água potável.

Bushs e Lulas , protetores das regras universais, da “tranqüilidade do mercado” correm para salvarem bancos em quebra,ou empresas em perigo, que não pagam de impostos o que pagam trabalhadores e classes médias.É o Estado à serviço da minoria.


Para construírem essas regras, desregulamentam direitos trabalhistas, arrocham as rendas e não percebem porque estes arrochados em seus salários não podem continuar a pagar suas contas. Inventam expressões de alto impacto como “reestruturação produtiva”, diminuindo os postos de trabalho e aumentando os níveis de exploração da mão-de-obra.Essas “reegenharias” não passam de falácias, meras invenções de pomposos nomes para justificar a continuidade da exploração. Os bens públicos são entregues por nossos mandatários a interesses particularíssimos. Cada vez menos pessoas comandam todos os recursos produzidos no mundo. Segundo especialistas, duzentas famílias no mundo inteiro detêm quase todos os trilhões (dinheiro) circulantes diariamente.


Na festa dos capitalistas e especuladores, só somos chamados para cuidar da limpeza. Bancaremos com o nosso suor as incoerências do capitalismo. Alguns ainda dizem que falar em “socialismo” e “imperialismo” são coisas antiquadas para o século XXI. Antiquado é sabermos que a maioria sustenta diariamente o banquete de uma minoria despudorada, que reinventam este sistema falido (capitalismo) com nomes novos e velhíssimas práticas de exploração do Homem (rico) pelo Homem (excluídos).

06 setembro 2008

Fausto Wolff.


Fausto Wolff representou a independência verdadeira de uma imprensa comprometida com o poder institucional e com o grande capital , os princípios defendidos acima de tudo e das consequências que vieram à sua vida profissional por acreditar em um projeto de humanidade melhor do que este apresentado pela sociedade do consumo.

Me lembro de quando o li pela primeira vez em PASQUIM 21, e o acompanhei fielmente até hoje, do impacto que me causou a sua escrita. Como uma lâmina afiada que não tolerava a injustiça e o sistema selvagem do capital que o provoca. Em seus livros e artigos, fazia de um conto uma crônica da decadência dos valores das classes favorecidas economicamente , denunciava a degradação da democracia-liberal-capitalista, enaltecia os simples, debochava do comprometimento dos seus pares jornalistas com as pautas pré-fabricadas pelos ordenadores-editores do controle social.

Mesmo assim, escrevia no JB de hoje com a beleza da inteligência e independência, que lembrava , no seu cantinho no segundo caderno, a forma de se fazer um jornalismo livre, crítico e comprometido com as classes populares e sua emancipação cultural , política e econômica.

Li recentemente “O Homem e seu Algoz” e fiquei estarrecido como as palavras e as idéias o obedeciam e delas , Fausto fazia o que bem queria, em nome do bem que queria aos humildes.


Vá espírito livre das amarras do dinheiro e do poder, vá com Deus, que você dizia não acreditar, mas quem demonstrava tanto amor aos despossuídos e excluídos, terá a obra da vida aprovada pelos que sofrem. Sofreremos pela ausência da tua sensibilidade!


Última crônica : “À sombra do medo em flor”
http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/09/05/e050910341.html

Sítio : http://www.lobo.net

17 agosto 2008

A gente se vê por aqui!




Em tempos de eleições, como estas que se avizinham, um tema torna-se recorrente, o da manipulação de informações e idéias por parte dos meios de comunicação com o objetivo de impor uma visão de mundo.

A televisão enquanto o maior meio de comunicação de massa sería o maior veículo de controle das informações.No entanto, nos tempos de hegemonia global do capitalismo com a sua mais nova versão, o neoliberalismo, a acusação que pesa sobre as organizações Globo de manipulação do noticiário para a eleição de seus preferidos, se desloca para outro patamar.

A simples eleição de candidatos simpáticos aos "interesses globais" já não interessam ao império de comunicação brasileiro.

Esta empresa se tornou tão poderosa que impõe seu próprio programa político-ideológico, massificando seu modelo de existência cultural,seus parâmetros civilizatórios, "facilitando" que se tome como lógico o projeto político e econômico a ser seguido.

Se as propostas de transformação e conservação social, apresentadas por partidos políticos e organizações sociais, não questionarem a existência e a reprodução do capitalismo, será permitido tudo, com grande aparência de pendão democrático a Globo se apresenta, com a maior preocupação de legitimar o Sistema que existe hegemonicamente nos dias de hoje.

Não é mais necessário que se manipule processos eleitorais, já que os valores da democracia representativa,enquanto valor universal, estão preservados através do programa político das organizações Globo, que cotidianamente sua programação afirma em forma de valores culturais, esmagando a qualidade, execrando os valores de solidariedade que não seja o do simples ato de doar reais para programas assistencialistas como o "criança esperança".

O programa da Globo é legitimado por sua programação diária, e aqueles (orgs políticas) que mais se enquadrarem aos padrões impostos, serão vitoriosos nas eleições.

A manipulação hoje é mais sofisticada, ela não escolhe entre o candidato A ou B, mas os candidatos A e B deverão estar necessariamente enquadrados aos referenciais ideológicos colocados por esta empresa de comunicação.

A Globo é o maior partido político do Brasil e seu programa político-ideológico-econômico é louvado como o máximo de qualidade a ser alcançado ou reverenciado pelos projetos partdários.

A Globo manipula valores e emoções, cria necessidades, controla a indignação popular, instaura a agenda política e dos noticiários, em fim, dita quais serão as pequenas "utopias" a serem disputadas por candidatos e partidos em época eleitoral.

Antes o "Jornal Nacional" era o principal veículo da justificação dos seus interesses, hoje, bastam as "Malhações" e "Favoritas", que como modelos instauram as vontades a serem alcançadas.As eleições são a festa onde se disputam o que ou quem tocará à frente o projeto político da Globo e sua Globalização econômica.

Na verdade este modelo não é uma criação racional, mas parte de um projeto muito antigo, onde as redes de comunicação estadunidense vendem há tempos o "american way of life", "o modo americano de vida", que valoriza o individualismo e o consumismo como o patamar mais alto a ser alcançado pelos mortais. A Globo só importou este modelo de controle social, e o faz com maestria.

E aí não importa se quem vai ser eleito é um "evangélico", um stalinista do Pc do B ou um neo-TFP(tradição-Família-propriedade). Seja quem for, terá que beber da fonte do status quo .

24 julho 2008

Eduardo Galeano:poeta dos excluídos.




Estava com uma vontade enorme de escrever sobre acontecimentos das últimas semanas. A violência policial é um tema que me provoca angústias há pelo menos 15 anos. Violência praticada primeiramente aos deserdados e excluídos da terra de São Sebastião e agora, com maior efeito midiático, sobre a classe média.

Mas a aspereza do tema me fará adiar a revolver sobre tal angústia social.

Pensei então naqueles autores que "me fizeram" enquanto ser humano durante a minha vida, principalmente sobre aqueles que denunciam ou denunciavam quando estavam por aqui, as mazelas sociais criadas ou multiplicadas pelo sistema capitalista e suas variações contemporâneas .

E navegando pela internet, entediado com a agenda única dos grandes meios de comunicação, fui parar em uma página que anunciava o novo livro de Eduardo Galeano.

Este senhor-autor ou autor-senhor, que vê a vida dos habitantes destas américas com a mesma angústia de muitos que não conseguem esquecer das dores de uma América latina sangrada pela dominação física,econômica e cultural do imperialismo europeu e estadunidense.

Mas nunca a denúncia dos seus livros se deixou levar por mero ato temporal e localizado, no entanto, sempre embasado estruturalmente e historicamente, Galeano nunca perdeu em seus escritos a atitude poética , fazendo de suas prosas, obras de arte esteticamente inspiradoras do sublime espírito humano, liberto do materialismo e das perspectivas depresssivas que apontam o neoliberalismo e a globalização para o futuro da América Latina .

Este autor profundamente ético com estes bilhões de excluídos da festa do Capital é também extremamente estético através da beleza das suas linhas. Com admiração, exponho aqui um trecho do"Espejos. Una historia casi universal" onde fala em crônica poética sobre arte, desgualdade, feminismo, mídia, impérios e resitências.


Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos nos lembram.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, eles se vão?

Este livro foi escrito para que não partam.
Nestas páginas unem-se o passado e o presente.
Renascem os mortos, os anônimos têm nome:
os homens que ergueram os palácios e os templos de seus amos;
as mulheres, ignoradas por aqueles que ignoram o que temem;
o sul e o oriente do mundo, desprezados por aqueles que
desprezam o que ignoram;
os muitos mundos que o mundo contém e esconde;
os pensadores e os que sentem;
os curiosos, condenados por perguntar, e os rebeldes e
os perdedores e os lindos loucos que foram e são o
sal da terra.

14 junho 2008

Jamelão:fruto da árvore perfumada.


A cultura popular brasileira perdeu hoje um dos seus símbolos mais importantes. A passagem de Jamelão, que atravessou todo o século de construção de uma das mais ricas manifestações populares do mundo, o samba.

Lembro-me como se hoje fosse, na minha infância, da sua voz potente rodando no toca discos de meus pais, voz de oboé, marcante na grande orquestra dos artistas brasileiros.


Lupicínio Rodrigues, soube mais tarde, era o autor daqueles versos fascinantes, carregados de sensibilidade, transbordando a dor do amor.

“Homem que é Homem faz qual o Cedro que perfuma o machado que o derrubou” !

Esta frase do verso de Lupicínio, chamou a atenção de uma criança, com a voz de “machado” deste interprete de grandes obras. Jamelão como o Cedro, perfumou várias gerações e cotovelos doloridos, adoçando com sua passagem aqueles que sofriam a dor da perda .

“Cedro”, obrigado por suas interpretações e pelo seu apreço sincero pelo samba!

24 abril 2008

OLIM-PIADA DE PEQUIM.






Com todo respeito aos atletas olímpicos e ao príncipio unificador e solidário do esporte, não posso entender a postura do mundo e do governo brasileiro com relação à ditadura stalinista-burocrática chinesa.E não se trata "somente" do direito de autodeterminação dos povos,no caso do Tibete,direito básico e universal daqueles que defendem a democracia liberal, cada vez mais Liberal(economicamente) e menos democrática.



A dominação sobre o Tibete remonta à dinastia mongol dos Yuan (1279-1368) e desde então, passando sob a dominação européia e após a Revolução Cultural liderada por Mao Tse Tung, este povo e várias outras etnías são tolhidos do seu direito de autodeterminação.



A questão da autonomia das nações sempre foi polêmica no seio dos movimentos socialistas, notadamente a partir da "Questão da Georgia" após a Revolução Russa de 1917.Negava a burocracia soviética stalinista o direito de autonomia política das nações.



Mas é preciso dizer que a questão das manifestações de Lhasa este ano, apesar de sensibilizar o mundo, não podem esconder outras questões, como a perseguição impiedosa que sofrem os opositores da ditadura chinesa( há a especulação de que mais de 30 milhões de pessoas estejam presas por este motivo), o trabalho semi-escravo e a pobreza de milhões das periferías da China, não beneficiadas pelos lucros e crescimento econômico da economia de mercado chinesa.O povo chinês sofre com a manipulação dos meios de comunicação oficial e todo o tipo de manifestação contrária ao governo monolítico se transforma em respaldo para a manutenção da ordem social.



A burocracia chinesa pratica sobre povos o receituário imperialista comum aos blocos capitalistas. Nações africanas sofrem com as intervenções políticas dos EUA, das nações européias e também da China.Veja que não trato aqui simplesmente da defesa do estabelecimento de uma Democracia Liberal, a qual está provada no mundo ocidental , o quanto se constitui em farsa.Tão pouco penso como alguns, que o modelo chinês seria uma alternativa ao "império" estadunidense.



O modelo chinês hoje é o da defesa do sistema capitalista e todos os seu princípios, com o apoio(e até euforia) irrestrito dos capitalistas e seus organismos internacionais, inclusive dos mandatários dos EUA.Não é possivel, em nome da estabilidade financeira do grande Capital, ignorarmos a opressão sofrida pelo povo e pelos movimentos sociais chineses.Inclusive do Brasil, em nome da "sagrada" relação comercial, estabelecida na última década pelo menos.As manifestações de boicote às olimpíadas são tímidas e deveriam ir além do Tibete.



Muitos recordes olímpicos serão batidos, inclusive os de opressão ao trabalhador e perseguição àqueles que se opõem à mais cruel ditadura burocrática que se esconde atrás do nome socialismo, reforçado pelo ocidente, com o objetivo de se jogar na lama as experiências de luta dos trabalhadores por igualdade social.



Leia também "O florescer da Primavera do Tibete" em

http://diplo.uol.com.br/2008-04,a2329

23 abril 2008

O Holocausto continua.


O sistema de saúde do Rio de Janeiro está quebrado muito tempo antes da epidemia de dengue.O prefeito, pouco antes da epidemia ser "liberada" nos meios de comunicação, anunciava um caixa astronômico para o seu sucessor.Não acredito que seja mentira, somente o povo humilde que migalha atendimento médico à décadas, chegando de madrugada nas portas de hospitais públicos não merece do político profissional atenção alguma.Pois então, tomemos deles às rédeas do negócio público e eles verão como se faz.
Leia também o artigo " HOLOCAUSTO NO BRASIL"

03 fevereiro 2008

BLOCOS DE RUA do RIO DE JANEIRO.


A despeito de não conhecer os carnavais de muitos outros lugares, posso afirmar que o carnaval de rua do Rio de Janeiro é o melhor do mundo. Os blocos do centro da cidade são exemplo de alegria e organização, mesmo com o desprezo da prefeitura(faltam banheiros químicos e o o centro se transforma num rio de urina) .A grande mídia não reconhece que um bloco de rua que carrega 500 mil pessoas como o BOLA PRETA é a verdadeira referência do carnaval brasileiro. Destaco também o CARIOCA DA GEMA com saída da rua do Lavradio na Lapa, animadíssimo com grandes cantores e repetório do mais puro samba.

03 novembro 2007

O FUTEBOL E A VIDA(ou a política)


Veja só como fica difícil querer escrever sobre futebol depois que se lê um texto de Eduardo Galeano como este que publico aqui em baixo. Os clássicos das palavras sobrevivem para sempre assim como os do futebol, e este de 1995 bem que poderia ter sido escrito hoje, ou talvez semana que vem, sem que se perdesse alguma capacidade de explicar a "rodada". Eduardo Galeano, disse em seu livro "Futebol ao sol e sombra", que o futebol é a metáfora da vida, capaz de explicar ou refletir a sociedade em que vivemos. Se o texto de Galeano não se chamasse "futebol", bem poderia se chamar "política", pois o autor revela em essência, o tipo de crise que vivemos em nossas instituições, onde o mundo se torna mercadoria e os meios de comunicação de massa não passam de vitrines.Atentar em boa hora para que possamos mudar a forma de ver o mundo e parar de reproduzir os valores que se perpetuam, é tarefa das mais urgentes para quem se preocupa em modificar as relações humanas, para que elas não se submetam ao "olhar" mercadológico dos donos do poder.Por isso resolvi compartilhar o texto com vocês, para que se regozijem com o valor estético deste extraordinário pensador das relações humanas , mas também ,para que possamos nos servir destes instrumentos para relativizar, e muito, o que se fala na imprensa oficial , que com o tom professoral e científico, quer nos tentar dizer que o mundo e a existência humana, não passam de mera porcaria.
O FUTEBOL

A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. Ao mesmo tempo em que o esporte se tornou indústria, foi desterrando a beleza que nasce da alegria de jogar só pelo prazer de jogar.Neste mundo de fim de século(XX), o futebol profissional condena o que é inútil , e é inútil o que não é rentável. Ninguém ganha nada com essa loucura que faz com que o homem seja menino por um momento, jogando como menino que brinca com o balão de gás e como o gato brinca com o novelo de lã:bailarino que dança com uma bola leve como o balão que sobe ao ar e o novelo que roda, jogando sem saber que joga, sem motivo, sem relógio e sem juíz.
O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não é organizado para ser jogado, mas para impedir que se jogue.. A tecnocracia do esporte profissional foi impondo um futebol de pura velocidade e muita força, que renuncia à alegria, atrofia a fantasia e proíbe a ousadia.
Por sorte ainda aparece nos campos, embora muito de vez em quando, algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o time adversário inteirinho, além do juiz e do público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade.

25 outubro 2007

Controle da natalidade não é o mesmo que Planejamento familiar, assim como,marginal não é sinônimo de bandido!

"O número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. (...) Isso é uma fábrica de produzir marginal."
Sérgio Cabral, governador do RJ (PMDB)

No mesmo dia em que dava entrevista falando da escalada da violência no Rio e sua política de repressão(que chama enganosamente de política de segurança) o governador do estado soltou esta lamentável pérola. A ladainha antiga e fascista do Controle de natalidade para diminuir o número de miseráveis não encontra justificativa nos estudos sobre a realidade. Pois então vejamos:
. Segundo dados da ONU e de organismos internacionais, é possível hoje alimentar com o que se produz de riquezas no mundo, mais de 12 bilhões de seres humanos.Temos um pouco mais de 6 bilhões de pessoas, onde a metade passa fome ou sofre os efeitos da subnutrição. O mundo capitalista faz circular por dia, trilhões de dólares, e está provado, que o problema da humanidade,tanto quanto do Brasil, não é de escassez de recursos, mas de concentração destas riquezas nas mãos de poucos.exemplo disto é que o brasil, só no ano passado pagou mais de 180 bilhões somente de juros da dívida externa.
. As teoria Malthusiana(malthus) dizia que a pobreza e a miséria imperariam nos nossos tempos , graças ao crescimento da população mundial( em progressão geométrica) com a produção de alimentos em (progressão aritimética). O que Malthus desconsiderou, por isso sua teoria é facilmente refutável, é que com o advento tecnológico e a mecanização do campo(hoje capitalista, chamada de agronegócio) a produção de alimentos é farta. A política exportadora brasileira de alimentos é que encarece os produtos que aqui continuam, e mais, a prevalência do latifúndio e da política do governo Lula de passear pelo mundo alardeando o quanto a produção do campo brasileiro pode suprir a parte abastada do planeta , estão na raiz do problema. Lula orienta seu governo à vender a velha e desgastada imagem do Brasil como "celeiro do mundo", valorizando o latifundiário brasileiro em detrimento de 20 milhões de sem-terra, que correm ainda(mesmo que em menor número) para as cidades em busca de sobrevivência.
.O governo do senhor Cabral, não tem compromisso em salvar das mãos do tráfico de drogas, as milhares de crianças que servem ao crime. Com famílias desempregadas , com o canto da sereia consumista, estas crianças e adolescentes se tornam alvos fáceis dos comandos organizados do crime, que funcionam como a grande empresa capitalista que explora a mão-de-obra barata e disponível e obtém lucros fabulosos, que certamente não são controlados pelo "morro", mas por corporações capitalistas que estão no "asfalto", nas grandes rodas da Zona sul ou Barra da Tijuca, nas assembléias legislativas e no congresso nacional.
.A criminalização da pobreza é uma tradição das forças conservadoras da sociedade brasileira e de seus representantes políticos. Associar o favelado ao crime, virou esporte predileto da classe média desinformada e da burguesia em busca de soluções que não demandem muitos gastos e aumentos de impostos.
.Os governos não possuem políticas de Planejamento Familiar, que demandam investimentos sérios na educação formal , o que pode ser percebido, na política educacional do governador, que desvaloriza os educadores com salários baixos, com escolas sem o mínimo de estrutura, com um modelo curricular defazado frente as demandas não só do mercado de trabalho, como também, que garanta a formação da cidadania plena(ou a consciência social)e a construção de valores que permitam aos indivíduos à superação das condições materiais de existência.
. A saúde pública do Estado do Rio de janeiro é caótica, e o senhor nada tem feito para no mínimo amenizar estas condições terríveis no atendimento hospitalar.Repito,nada está sendo feito!
.No presente,tanto quanto no passado, vemos que o CONTROLE DA NATALIDADE , é praticado com ligaduras de trompas sem o consentimento das mães, ou quando organizações internacionais pregavam a esterelização em massa como solução mais fácil para impedir revoltas sociais.
. A palavra de ordem do neoliberalismo é o Estado mínimo. Menor investimento social significa menos impostos cobrados à burguesia industrial e financeira(que já é desonerada).
.A violência crescente, Senhor governador, tem origem em décadas de falta de políticas públicas em nosso Estado aliado ao sistema capitalista excludente por princípio e definição. O Senhor faz coro com aqueles que acreditam que a melhor forma de eliminar a miséria é acabando com a vida dos miseráveis .Marginal, palavra usada pelo senhor, é sinônimo de excluído, aquele que está fora do Sistema, está à margem, não sinônimo de bandido.
Em tempo. Veja só o que disse o secretário de segurança do RJ, justificando que a violência policial nas favelas . Contra moradores pode, mas na Zona sul não!
“um tiro em Copacabana é uma coisa, um tiro na Coréia, no Alemão, é outra”.José Beltrame

20 setembro 2007

O LIVRO DIDÁTICO QUE A GLOBO QUER PROIBIR.

Reproduzo aqui, na íntegra ,a resposta da editora do autor Mario Shmidt. Torno a repetir que o meu propósito é de tão somente abrir espaço para a defesa do autor diante do massacre injusto sofrido por sua obra.
Caro Wallace,
Nós, da Editora Nova Geração, somos extremamente gratos a sua valiosa colaboração. É um belo texto, bem escrito e argumentado.
A partir do infame texto de Ali Kamel no Globo, diversas matérias começaram a pipocar nos mais diferentes meios de comunicação.
A grande maioria delas sequer procurou ler o livro do professor Mario Schmidt e começou a utilizar apenas os trechos sacanamente selecionados pelo editor global.
Abaixo reproduzimos algumas respostas que foram enviadas a alguns órgãos de imprensa.
Gostaríamos de aproveitar para pedir permissão para reproduzir sua carta enviada ao Globo como demonstração do apoio dos professores ao livro do professor Mario Schmidt.

Novamente agradecemos seu valoroso apoio,

Equipe Nova Geração


O LIVRO DIDÁTICO QUE A GLOBO QUER PROIBIR

A respeito do artigo do jornalista Ali Kamel no jornal O Globo de 18 de setembro de 2007 sobre o volume de 8ª série da obra Nova História Crítica, de Mario Schmidt, o autor e a Editora Nova Geração comentam:
Nova História Crítica da Editora Nova Geração não é o único nem o primeiro livro didático brasileiro que questiona a permanência de estruturas injustas e que enfoca os conflitos sociais em nossa história. Entretanto, é com orgulho que constatamos que nenhuma outra obra havia provocado reação tão direta e tão agressiva de uma das maiores empresas privadas de comunicação do país.
Compreendemos que o Senhor Ali Kamel, que ocupa cargo executivo de destaque nas Organizações Globo, possa ter restrições às posturas críticas de nossa obra. Compreendemos até que ele possa querer os livros didáticos que façam crer “que socialismo é mau e a solução para tudo é o capitalismo”. Certamente, nossas visões políticas diferem das visões do Sr. Ali Kamel e dos proprietários da empresa que o contratou. O que não aceitamos é que, em nome da defesa da liberdade individual, ele aparentemente sugira a abolição dessas liberdades.
Não publicamos livros para fazer crer nisso ou naquilo, mas para despertar nos estudantes a capacidade crítica de ver além das aparências e de levar em conta múltiplos aspectos da realidade. Nosso grande ideal não é o de Stálin ou de Mao-Tsé Tung, mas o de Kant: que os indivíduos possam pensar por conta própria, sem serem guiados por outros.
Assim, em primeiro lugar exigimos respeito. Nós jamais acusaríamos o Sr. Kamel de ser racista apenas porque tentou argumentar racionalmente contra o sistema de cotas nas universidades brasileiras. E por isso mesmo estranhamos que ele, no seu inegável direito de questionar obras didáticas que não façam elogios irrestritos à isenção do Jornal Nacional, tenha precisado editar passagens de modo a apresentar Nova História Crítica como ridículo manual de catecismo marxista. Selecionar trechos e isolá-los do contexto talvez fosse técnica de manipulação ultrapassada, restrita aos tempos das edições dos debates presidenciais na tevê. Mas o artigo do Sr. Ali Kamel parece reavivar esse procedimento. Ele escolheu os trechos que revelariam as supostas inclinações stalinistas ou maoístas do autor de Nova História Crítica. Por exemplo, omitiu partes como estas: “A URSS era uma ditadura. O Partido Comunista tomava todas as decisões importantes. As eleições eram apenas uma encenação (...). Quem criticasse o governo ia para a prisão. (...) Em vez da eficácia econômica havia mesmo era uma administração confusa e lenta. (...) Milhares e milhares de indivíduos foram enviados a campos de trabalho forçado na Sibéria, os terríveis Gulags. Muita gente foi torturada até a morte pelos guardas stalinistas...” (pp. 63-65)
Ali Kamel perguntou por onde seria possível as crianças saberem das insanidades da Revolução chinesa. Ora, bastaria ter encontrado trechos como estes: “O Grande Salto para a Frente tinha fracassado. O resultado foi uma terrível epidemia de fome que dizimou milhares de pessoas. (...) Mao (...) agiu de forma parecida com Stálin, perseguindo os opositores e utilizando recursos de propaganda para criar a imagem oficial de que era infalível.” (p. 191) “Ouvir uma fita com rock ocidental podia levar alguém a freqüentar um campo de reeducação política. (...) Nas universidades, as vagas eram reservadas para os que demonstravam maior desempenho nas lutas políticas. (...) Antigos dirigentes eram arrancados do poder e humilhados por multidões de adolescentes que consideravam o fato de a pessoa ter 60 ou 70 anos ser suficiente para ela não ter nada a acrescentar ao país...” (p. 247)
Os livros didáticos adquiridos pelo MEC são escolhidos apenas pelos professores das escolas públicas. Não há interferência alguma de funcionários do Ministério.
O sr. Ali Kamel tem o direito de não gostar de certos livros didáticos. Mas por que ele julga que sua capacidade de escolha deveria prevalecer sobre a de dezenas de milhares de professores? Seria ele mais capacitado para reconhecer obras didáticas de valor? E, se os milhares de professores que fazem a escolha, escolhem errado (conforme os critérios do sr. Ali Kamel), o que o MEC deveria fazer com esses professores? Demiti-los? Obrigá-los a adotar os livros preferidos pelas Organizações Globo? Internar os professores da rede pública em Gulags, campos de reeducação ideológica forçada para professores com simpatia pela esquerda política? Ou agir como em 1964?



ALI KAMEL, O ANTICAPITALISTA

Vamos inicialmente esclarecer alguns pontos importantíssimos em relação ao artigo de Ali Kamel.

1- Quem seleciona os livros didáticos não é o MEC. As coleções didáticas são selecionadas por diversas universidades conceituadas (notórios antros comunistas, é verdade).

2 - Quem escolhe os livros didáticos são os professores. Mais de 50 mil professores por todo Brasil analisaram as dezenas de coleções de história disponíveis e escolheram livremente a coleção Nova História Crítica como a melhor coleção.

3 - A coleção Nova História Crítica é um sucesso ainda maior no mercado particular, ou seja, nas escolas privadas, que sequer dependem do MEC para escolher seus livros.

Considerando estes três pontos, perguntamos: terão errado todos estes 50 mil professores? Saberá o senhor Ali Kamel escolher melhor que eles? O que devemos fazer com esses milhares de professores que preferem a obra do professor Mario Schmidt às demais? Demitimos? Reeducamos ideologicamente? Devem ir para o pau-de-arara, como nos bons tempos da ditadura e do CCC? E os livros que eles já escolheram? Queimamos os livros em praça pública? Enfim, como incita Ali Kamel, algo precisa ser feito. Organizemos já uma marcha com Deus pela Família, Tradição e Propriedade!

Pois não podemos mais aturar os 50 mil professores em todo o Brasil que consideram, entre dezenas de coleções disponíveis, a Nova História Crítica do professor Mario Schmidt a melhor de todas, tornando a coleção o maior fenômeno editorial didático de todos os tempos.

Porque este, sim, é o maior crime da coleção Nova História Crítica: ser um grande sucesso dentro do mercado capitalista! (Olhe aí as terríveis táticas gramscianas em ação!).

Para quem não conhece, é interessante saber que no mercado de livros didáticos existe uma concorrência absolutamente livre e legítima entre as editoras. Quem escolhe os livros para as crianças é a pessoa mais capacitada para isso: o professor. Nesse segmento, o livre mercado vem funcionando a pleno vapor; uma editora tentando fazer um livro melhor do que a outra. Quem tem o melhor livro leva a maior fatia do bolo.

Porém, o senhor Ali Kamel, como todo bom porta-voz do capitalismo real, odeia que o livre mercado funcione como um livre mercado. O senhor Ali Kamel acha que o Estado deve intervir fortemente nessa área. O governo deve censurar livros de determinado matiz ideológico e impedir que os professores escolham livremente seu material didático para nossas crianças. (Ah, as nossas crianças! Para Ali Kamel, molecada assistindo a cenas de sexo na novela, tudo bem. Mas livro de esquerda escolhido livremente pelo professor não pode.)

O professor Mario Schmidt é notoriamente um severo crítico do capitalismo. Para Ali Kamel, olavetes, reinaldetes e "nova direita", isso, atualmente, é um pecado mortal - onde já se viu? Um sistema tão bonitinho, tão limpinho e responsável, como é possível que não se admita que o capitalismo é o sistema econômico perfeito, para não dizer o sistema econômico terminal da humanidade. Quem ousaria levantar críticas ao capitalismo e - horror, horror! - encontrar qualidades no socialismo?

Mas é muito estranho que justamente onde o sistema capitalista deveria atuar de maneira exemplar, ou seja, na livre concorrência, na igualdade de oportunidades no mercado, onde o melhor produto vence, o senhor Ali Kamnel murche em seu fervor capitalista.

No mercado de livros didáticos, a opinião do mais abalizado consumidor - o professor - não deve ser respeitada e o Estado deve intervir diretamente para eliminar o campeão da livre concorrência, se a ideologia deste não se coaduna com a das Organizações Globo. É nisto que acredita o senhor Ali Kamel, o verdadeiro o anticapitalista.

PS - É curioso que o maior veículo de ideologia do Brasil, a Rede Globo, venha reclamar da edição ideológica do material histórico. Ali Kamel cita vários trechos do NHC no seu artigo. O exíguo espaço certamente o impediu de citar, entre outras, a página 319 do referido livro, que conta a história da edição do debate LULA X COLLOR feita pela Globo no Jornal Nacional. O que será que Ali Kamel achou deste trecho? O que ele acha que o Estado deveria fazer com uma emissora que "trabalha a cabeça das pessoas" desta forma? A mesma coisa que ele sugere que faça com livros didáticos?


19 setembro 2007

"Nova História Crítica"-Carta aberta ao "O Globo"


Sobre a veiculação pelo jornal “O Globo” de críticas ao livro “Nova História crítica”, gostaria de fazer algumas ponderações.

Em primeiro lugar, digo que o “Stalinismo” deve ser combatido em qualquer espaço como o “irmão” siamês do nazismo ou de qualquer doutrina que pregue ódio e seja responsável pela morte de um ou de milhões de seres humanos, como é o caso destes sistemas citados.

Pois então vejamos, que a crítica baseada em “erros conceituais” não existe. O que ocorre é que este autor desenvolve em uma linguagem adequada à idade dos jovens, a crítica a uma maneira de ver a História de forma neutra, perfil da grande maioria dos livros didáticos disponíveis no mercado.

Quando o autor abre espaço para a comparação de conceitos sobre o Socialismo e Capitalismo, fica clara a dificuldade em demonstrar as vantagens do sistema hegemônico nos dias de hoje. Aliás, é possível verificar a partir de dados oficiais, que o sistema capitalista não conseguiu em seus mais de quinhentos anos, solucionar os problemas mais básicos da humanidade, como a fome e todas as suas mazelas sociais, em qualquer parte do planeta.

Os argumentos utilizados pelo jornal são frágeis, e uma leitura atenta a reportagem do dia 19 de setembro, permite até mesmo aos não informados sobre a querela, encontrar contradições. Como na própria citação sobre Mao Tse Tung, que para o jornal o autor demonstra enaltecimento, fala que este, para os não membros do partido comunista, Mao Tse Tung não passa de um ditador.

Utilizo este livro didático há alguns anos, como milhares de outros professores e posso afirmar que não há erro conceitual ao demonstrar simpatia a um tipo de interpretação histórica.

É preciso apresentar o fato histórico sobre todos os pontos de vista, o que o livro faz, mas não é possível incorrer no gravíssimo erro de acreditar que exista neutralidade científica, nem mesmo no jornalismo isto é possível.

O ensino de História enquanto disciplina escolar no Brasil, sempre se baseou na mera descrição de fatos Históricos, apresentados enquanto verdade absoluta e tentando fazer crer que as personalidades históricas são grandes Heróis e os representantes político-institucionais são apresentados como os únicos agentes ou sujeitos da História.

Dentre alguns dos grandes méritos do “Nova História crítica” é o de demonstrar que os marginalizados do processo político brasileiro podem deixar a sua condição de “subordinados” ou “vencidos” , à condição de atores sociais protagonistas do processo histórico em construção, em busca da cidadania plena.

É preciso esclarecer que um livro didático é uma das muitas ferramentas da formação escolar, mas não é a mais importante, pois se fosse decisivo para detectar qualidade de ensino, certamente aquelas escolas que se utilizam do mesmo material, teriam a mesma proporção de qualidade de ensino, o que não é verdade que aconteça.

Chego a pensar que a polêmica possa estar sendo motivada por uma possível insatisfação de editoras multinacionais que dominam o mercado de livros didáticos brasileiros, com o espaço alcançado pela obra publicada por uma editora nacional de menor tamanho. Será que é correto para a formação da juventude brasileira, ter uma parte de nossa cultura nas mãos do Capital estrangeiro?

Alguns setores conservadores da sociedade brasileira como os “Monarquistas” já demonstraram há alguns anos sua insatisfação com a abordagem do autor, ao demonstrar a incoerência do regime monárquico, onde uma nação trabalha para que alguns vivam às expensas daqueles que são produtivos.

O que faz esta polêmica alcançar duas páginas de um dos maiores jornais do país, mais um artigo de um escritor, e mais um comentário do cineasta Arnaldo Jabour?
Será a preocupação sincera com a qualidade da educação no Brasil? Acredito que as afirmações (e não o debate que até agora não houve) estejam pautadas na intolerância, pelo fato do autor Mario Shimidt demonstrar as contradições de um sistema que politicamente e moralmente está desgastado, e economicamente não é capaz de promover à ascensão dos bilhões de deserdados e excluídos da festa capitalista que reproduz diariamente trilhões de dólares às custas da fome , das mazelas sociais e do esforço dos trabalhadores.

Preciso dizer que não conheço o autor, nem possuo nenhum tipo de relacionamento com a editora. A escola privada em que utilizo este material didático de ótima qualidade, inclusive resolveu há mais de um ano se associar a uma grande rede educacional do Rio de Janeiro que produz seu próprio material didático promovendo a substituição dos livros em todas as disciplinas.

Como educador me preocupo com as “verdades” supostamente absolutas veiculadas pelos meios de comunicação de massa, como a TV, com uma programação que deseduca, na medida em que vincula sua programação ao consumismo e a apatia, frente aos descalabros da política institucional, legitimando este sistema que já dá sinais de esgotamento.

A escola brasileira não possui a qualidade que sonhamos, mas não por causa dos seus educadores, em sua grande maioria comprometidos com aquilo que acreditam ser o melhor, não por causa deste ou de qualquer material didático, mas por uma série de fatores dentre os quais destaco, a falta de investimento público, a má formação docente e principalmente, pela associação do seu currículo aos “nobres” desejos do mercado.

Não defendo o livro por mera simpatia, mas defendo-o por uma concepção de educação que não esteja amarrada a “visão de mundo” dominante.

O educador Paulo Freire dizia que “a cabeça do oprimido contém a cabeça do opressor”, e é para que isto não continue acontecendo, que eu desejo que pelo menos, o espaço nos meios de comunicação não seja desproporcional.

08 setembro 2007

O Capital urubu.


Que sistema é este que consome vidas em troca de negócios? Se considerarmos o Mercantilismo como precondição para o capitalismo global em que vivemos, podemos dizer que este sistema possui mais de 500 anos, sem que consiga, se é que tenta, diminuir a dor dos famintos do planeta. Pelo contrário, por regra o capitalismo é o sistema onde se privilegia a circulação de mercadorias e o grande Capital que se alimenta de Capital gerado pela força de trabalho, cada vez menos protegidas por leis trabalhistas, graças a ideologia neoliberal, que prega e financia as classes dirigentes nacionais à diminuir a força do Estado. As instituições que compõem o Estado-nação hoje, tem seus recursos voltados para o financiamento dos desejos das burguesias nacionais, recursos estes que quando sobram dos pagamentos de dívidas feitas pelas classes dominantes são empregados como óleo para fomentar a máquina capitalista.


O resultado deste processo é o aumento do número de deserdados e famintos que se espalham pelo mundo. A África é o exemplo maior. Recortada pela sanha imperialista européia, no período de descolonização através das lutas de libertação nacionais, deixou os europeus à herança das guerras civis entre povos que no recorte imperialista acabaram fazendo parte de Estados artificiais. Povos com culturas e línguas diferentes se viram pertencendo e disputando o controle destes estados através de disputas armadas com armamento financiado por grandes corporações produtoras de armas, principalmente estadunidenses. Boa parte deste continente hoje, encontra-se sob guerra civil, produzindo a fome e a barbárie, contabilizando segundo o fotografo Sebastião salgado, mihões de pessoas em fuga de disputas insanas pelo poder político.


Não é diferente a situação da América Latina onde dados oficiais comemoram a diminuição de miseráveis. Dados maquiados com metodologias de pesquisas manipuladas que condenam mais de 150 milhões de pessoas à miséria absoluta, comandados pelas receitas dos organismos internacionais que dirigem o capital financeiro e obedecido a partir do emblemático “Consenso de Washington” (1992) pelos vários governos das Américas, incluindo o do senhor Luís Lula da Silva.


A China capitalista, comemorada como potência nacional do século XXI mantém sob censura e tortura milhões de ativistas e militantes pelas liberdades democráticas, e segundo dados oficiais, possui hoje 53 mil trabalhadores em regime de escravidão, fora os que trabalham por salários de fome.Existe um grande movimento nacional e internacional que prega a suspensão dos próximos jogos olímpicos pela defesa dos direitos humanos que o governo chinês, comandado pelo PC stalinista-maoista,ditadura que se disfarça sob o véu dos símbolos do antigo regime, viola descaradamente.


O Oriente Médio sofre com a intervenção estadunidense que busca subjugar as nações árabes aos interesses econômicos do petróleo e projetos de gasodutos, com o apoio europeu, incluindo a Rússia e aliados como alguns grupos de poderosos árabes e Israel.


O “Império da maldade” , Estados Unidos, por conta das grandes corporações e do mercado financeiro internacional comandam este planeta, direta e indiretamente no caminho do caos , sujeitando bilhões de famílias à fome. Segundo dados oficiais, são 3 bilhões de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria(com menos de 1 dólar por dia), mais de um bilhão que não tem acesso à água potável.


O sistema competitivo da selva global-capitalista estimula a corrupção dos Estados Nacionais para que ele subsista diante dos interesses econômicos, desviando a atenção dos seus povos para sangria do roubo do dinheiro público, enquanto sob a batuta da psudo legalidade as mega-corporações sugam os esforços dos trabalhadores, que convivem com a diminuição dos postos de trabalho, a precarização dos empregos que ainda existem ,e a perda de direitos trabalhistas e previdenciários em busca de sustentação da festa capitalista.


A fotografia é obra de Kevin Carter de 1993, no Sudão que mostra uma menina subnutrida e faminta em marcha para um abrigo que distribui comida a um km dali, que cai esgotada sobre a espreita de um urubu que aguarda pela morte desta. O autor recebeu o prêmio pulitzer de 1994, e se suicidou por não agüentar os questionamentos sobre o porquê de não ter salvado a criança. Talvez ele tenha contribuído para salvar milhões de outras crianças que sobrevivem no mundo inteiro sob a guarda do Urubu-capitalista, que promove e legitima esta situação enquanto circulam pelo planeta diariamente TRILHÔES de dólares sobre o controle de 200 famílias que se locupletam com as riquezas produzidas pelos trabalhadores do mundo.


Enquanto houver capitalismo, haverá fome, enquanto se sustentar este moribundo sistema não haverá paz. Como diz o escritor Eduardo Galeano, “No mundo das super tecnologias, nos tempos da microbiologia, uns são mercadores, outros somos mercadorias”.


18 agosto 2007

À vossa excelência,senhor Sérgio Cabral !

Gostaria muito ,senhor governador de render-lhe uma homenagem. Sabem aqueles todos(4) que me Lêem que não costumo usar esta página para enaltecer figuras públicas da política, nem tão pouco promover ataques pessoais. No entanto suas nobres atitudes em seu governo, principalmente quanto à educação, me encheram os olhos. Sua nobre figura deve possuir uma acessoria de primeira classe, sem contar no faro político de vossa excrescência.
Pois ao prometer em sua campanha eleitoral,aos profissionais da educação do Rio de Janeiro, 60% de reposição salarial, categoria esta que não recebe nenhum reajuste há mais de 10 anos , o senhor claro, não cumpriu. Propôs 25% em dois anos, ou seja , cinco reais e quarenta centavos por mês! Obrigado governador! Meu coração de professor transborda de alegria por sua generosidade e pelo sério comprometimento de vossa excrescência com a educação deste Estado! Pois todos sabem, que o servidor público da educação lida diariamente com a população mais humilde e necessitada, e esta reposição de perdas salariais, vai ao encontro da melhoria da qualidade de ensino e satisfação total do nosso público. Agradeço muito pela rápida ação do senhor em cortar o ponto destes grevistas que reclamam de barriga cheia, pois possuem vencimentos mensais de 431,00 reais, mais do que o suficiente para sustentar várias famílias.
Não poderia deixar de agradecer também por esta proposta ser a mesma para a área da saúde e segurança, pois juntando estas três atividades, vemos que estas não possuem importância alguma, perto das prioridades de seu glorioso governo. Não poderia esquecer de agradecer-lhe com todo o fervor pelo corte de 35 milhões das verbas da UERJ(Universidade do Estado do Rio de Janeiro), pois este vai proporcionar um avanço gigantesco nas áreas de pesquisa e graduação.
Tanto se fala na necessidade de investimento em educação nos dias de hoje , pois é a primeira alavanca para o desenvolvimento econômico e justiça social, que o senhor não pestanejou, e logo viu, como estadista que é, que este é o caminho certo para uma carreira brilhante na política. A revolta de professores, médicos , policiais civís e militares, não se justificam, pois sabemos que todos estes tem um lugar especial em seu nobre coração!
Gostaria de usar da música, arte das mais nobres da humanidade, para fechar esta homenagem à quem tanto tem feito pela igualdade social neste Estado, uma lembrança em nome de toda população humilde deste lugar, alunos em especial, pois agora o governo de vossa excrescência engrenou de vez!

Estão nas mangas dos Senhores Ministros
Nas capas dos Senhores Magistrados
Nas golas dos Senhores Deputados
Nos fundilhos dos Senhores Vereadores
Nas perucas dos Senhores Senadores
Senhores! Senhores! Senhores! Minha Senhora! Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido! Corrupto! Ladrão!
Sorrindo para a câmera sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras sem saber que são filmados
O sol um dia ainda vai nascer Quadrado
Isso não prova nada! Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos de tomar nenhuma decisão!
Vamos esperar que tudo caia no esquecimento Aí então... Faça-se a justiça!
Vamos arrumar vossas acomodações, Excelência.
Filha da Puta! Senhores! Corrupto! Senhores! Bandido! Senhores! Ladrão!
(Vossa Excelência -Titãs)