29 julho 2006

TERRA E LIBERDADE.


Não existe país do mundo com tantos latifúndios na História da humanidade como o Brasil. Dos proprietários rurais, 1,9% é dono de 54,64% das terras agricultáveis. É o país com maior concentração de terras do mundo, e este sistema que gera o êxodo é o principal causador da violência nas grandes cidades. O conteúdo da violência possui origens nos milhões que fogem para as cidades e ficam sem o abrigo do Estado, que se preocupa mais em financiar o grande Capital financeiro e o Agro-negócio, novo nome , nova máscara do latifundiário. Os perdões das dívidas dos grandes proprietários de terra é comum entre todos os governos da nossa "república dos sem-vergonhas". O governo Lula se apoiou politicamente nos votos da bancada ruralista(180 votos) em troca da sustentabilidade de sua política de favorecimentos do Capital financeiro. A reforma-agrária, sob a batuta de Lula, não passou de retórica e a violência no campo brasileiro cresce na medida que não é encaminhada uma política séria de distribuição e financiamento para os sem-terra. A justiça brasileira, cega e sem tato, privilegia a manutençaõ desta realidade , onde processos de desapropriação, podem levar até 15 anos, mesmo que os processos sejam referentes à terras improdutivas. A lei não é neutra nem sagrada, segue no Brasil atendendo aos interesses de classe , e como já sabemos, não é a classe trabalhadora que se beneficia com ela. Os meios de comunicação em consonância com o modelo econômico, pois se beneficia com ele, atende às expectativas da ordem econômica e social e possui historicamente, relações libidinosas e asquerosas com o poder . Cabe aos meios de comunicação anestesiar corações e mentes com notícias , programas e publicidades que escondem e manipulam descaradamente informações a respeito da verdadeira realidade do povo brasileiro.
Mais do que votar em homens , precisamos saber que programas defendem, pois eles , ao contrário do que se imagina, são cumpridos criteriosamente, pois são eleitos pelas plataformas econômicas elaboradas pelo grande Capital financeiro e pela burguesia brasileira, que como cachorrinhos, abanam o rabo em baixo das mesas onde se refastelam em banquetes os "donos do mundo", em busca de migalhas e de associação nos negócios. A questão da terra no Brasil não pode ser enfrentada por Lula e Alkcimim, pois representam ,em seus programas, a continuidade.
A questão da terra no Brasil também diz respeito àqueles que moram nas cidades, que sem planejamento , não permitem vida digna à maioria. Terra para quem trabalha significa o assentamento de 20 milhões de pessoas no campo, significa preços menores dos alimentos pois não estaría a agricultura , submetida à monocultura e a política agroexportadora, significa a diminuição do fluxo de pessoas à caminho das grandes cidades, onde o fascínio urbano é uma farsa produzida pelos meios de comunicação. Temos que ter o direito à liberdade de apontar onde estão os erros da política de integração à Globalização econômica praticada pelos dois últimos governos, do PT e do PSDB, a liberdade de não se submeter as mentiras com uniformes de verdade apontadas para a população brasileira, produzidas pelo maior partido político da América Latina, a Rede Globo , pois não se resolve o problema da exclusão com projetos como o "criança esperança", ou mesmo outros projetos assistencialistas praticados por governos. Analgésico atenua os efeitos mas não curam doenças . As origens destas "doenças"estão amplamente diagnosticadas, riquezas o país possui em abundância . Falta distribuir a terra, a renda e o Capital.
Assista - "Terra para Rose" e " O sonho de Rose, dez anos depois." -1500 famílias que ocuparam terra improdutiva e balanço , 10 anos após sobre o que foi feito para resolver a questão agrária no Brasil. Ganhador de 12 e 9 prêmios nacionais e internacionais, respectivamente aos dois filmes.
Escute -" Funeral de um Lavrador" - poema de João Cabral de Mello Neto musicado por Chico Buarque.

19 julho 2006

A Política é...


A política é a arte do encontro. Remover os obstáculos para o entendimento, onde a exclusão não seja possível . Articular vontades , desejar ardentemente que a dignidade seja possibilidade de todos, que haja autonomia do pensar e promoção do que há de capacidade e habilidade em cada um. A política enquanto bem universal, que projete ao mundo a beleza das diferenças culturais. A política é exercício do poder, portanto que ele seja compartilhado. Para que no futuro haja o apreço ao saber e o encanto da Cultura, que possam significar o desencanto do consumismo. A política é possibilidade de transcendência, para que as almas não estejam presas à imanência do querer ter em excesso. O exercício da Política é o prazer da descoberta da própria força. A política é o prazer de conseguir perceber o outro. E não me venham dizer que o que se faz hoje é o que estou te dizendo. A política que se faz é a de satisfação econômica de poucos, é a ética do proprietário sobre as éticas dos oprimidos. A política é meio, para que o fim seja produto para todos. A política não é produto para o meio de vida de poucos. A política é a arte da partilha de vontades para que não se prima a vontade de alguns. A política é a estante da História cheia de participantes e a vitrine dos supérfulos cheias de teia de aranha. A política é a teia bem cerzida por todos, onde o burguês agoniza diante do ferrão. Vamos Marias e Zés, façamos Política !

17 julho 2006

Conflito no Oriente Médio.

O ataque do grupo xiita Hesbollah à Israel e sua contra-ofensiva cruel, pode destampar de uma vez a panela de pressão, generalizando os conflitos pela região. Claramente bem armado, presente no governo do Libâno , e com muita popularidade neste país, o ataque do Hezbollah, pode ser interpretado como um ato de solidariedade aos palestinos presos por Israel. A respostra de Israel tem provocado a morte de muitos libaneses e abalado a infra-estrutura econômica deste país. O governo do Libâno tem tanto controle sobre o Hesbollah quanto o Estado Palestino sobre o Hamas, ou seja, nenhum.
Um misto de omissão e sustentação política e econômica dos EUA com relação à Israel, é a causa dos conflitos que se desenvolvem na região desde a década de 90. Israel é o braço estadunidense na região e a sua saída do Oriente Médio, tanto das tropas quanto da interferência política, é condição fundamental para que se abram condições de acordos de paz .Mas não parece que os EUA assim o deseje. Os Eua acusam o Irã de financiar estes grupos terroristas e de desenvolver armamento nuclear. Tio Sam é o maior Estado terrorista do planeta e usa de pretextos para o enfraquecimento de qualquer grupo ou Estado que se torne possível liderança local. Por outro lado, especialistas apontam que Israel não suportaria mais esta frente de batalha, o que permitiria a intervenção direta dos EUA e do próprio Irã.
Como sempre sofrem os mais humildes, como se observa a falta de alimentos para os libaneses civis, atacados indiscriminadamente por Israel.
A paz virá com a ausência dos EUA e o imediato reconhecimento por parte de Israel de que Gaza pertence aos Palestinos , ou terão que se responsabilizar, mais uma vez, por milhões de inocentes mortos .

06 julho 2006

Por uma escola habilidosa!


O francês T. Henry disse que os brasileiros são mais habilidosos, pois passam mais tempo durante a vida com a bola nos pés, enquanto ele, quando queria jogar bola ,sua mãe dizia que tinha que ir para escola. Como eu gostaria que Henrry-mascarado estivesse errado.

Nos últimos 15 anos houve um esforço para a abertura de mais vagas em escolas no Brasil, seguindo a orientação do Banco Mundial, que a partir da década de 90, sobre pressão das grandes coorporações, objetiva qualificar mão-de-obra por conta da grande velocidade dos avanços tecnológicos .

A verdade é que a escola que conhecemos, é uma escola com o mesmo perfil de 300 anos atrás, quando das revoluções burguesas, esta classe social objetivou formar as sociedades à sua imagem e semelhança, construindo valores caros ao liberalismo, como competitividade, acumulação de bens materiais, individualismo e etc. Vimos que este modelo escolar permitiu a façanha de desenvolver científica e tecnologicamente um mundo fascinante, no entanto, esta escola conteudista e cientificista não abriu espaço para construção de valores que impedissem a concentração de Capital, terra e renda, que negasse a mínima possibilidade de desenvolvimento do racismo, do machismo, da opressão dos mais fortes economicamente, da exclusão de metade da população mundial da possibilidade de acesso à água potável e saneamento básico e a todas as vergonhas que a humanidade conhece, graças aos meios de comunicação globalizado e ao dia-a-dia de trabalhadores espoliados pela ganância do grande Capital. Qualquer destas informações podem ser comprovadas com uma mera leitura dos dados da ONU, que ajudou à construir esta realidade que se apresenta.

Pecisamos de uma escola que, como dizia Paulo Freire , denuncie a "feiúra" do capitalismo , o próprio esgotamento deste sistema que se mostra incapaz de solucionar problemas fundamentais da humanidade, de uma escola que parta do ser humano e não dos princípios do Capital, que permita a igualdade de oportunidade de fato , e não só de direito.

Uma escola baseada simplesmente em conteúdos disciplinares, recortes de ciências naturais e sociais, não estará apta nunca para o desenvolvimento social, e sim permitirá mais e mais concentração de riquezas, pois ela será sempre um espaço privilegiado de formação de ovelhas obedientes tecnicamente qualificadas.

Que possamos um dia calar o T. Henrry, na bola e nos dados sociais, pois por enquanto , sofremos com uma escola de "obediência tática", e desejamos a formação de gerações que pensem estrategicamente.

visite também http://futeboleconsciencia.blogspot.com

22 maio 2006

LIBERDADE

Como o cerzido da costura da dor
que se foi.
Como a sombra que me segue até o fim
do crepúsculo.
Como a luta de muitos
do dia-a-dia de ferros retorcidos.
Pela força da opressão
me liberto com o cheiro da flor que resiste ao progresso.
Do empurrão no abismo,
nascem as asas.

29 abril 2006

PALAVRAS

...Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ... Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras*, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca. mais,se viu no mundo ... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma.
PABLO NERUDA

05 março 2006

ALETHEIA


O termo Aletheia significa a busca da verdade através do conhecimento.Tem origem na antiga Grécia,onde esta rivalizava no espírito humano, com a Aretê, que significa a busca da verdade através da religiosidade.

De certa forma, esta dicotomia foi resgatada pelos renascentistas e posteriormente pelos iluministas e atores sociais das Revoluções burguesas do século XVIII, com o objetivo de afirmar a ciência como condutora do progresso da humanidade e a eliminação do poder político da igreja católica medieval e absolutista.

Com as Revoluções burguesas, era preciso mudança radical na política, na arte, na cultura, na educação, de forma que, a sociedade nova fosse criada à imagem e semelhança das novas classes proprietárias.

Em todo este precesso, se reafirmam as ciências, como condutoras da "verdades" a serem perseguidas pela humanidade.

A sacralidade das ciências(naturais e sociais) esvazia o peso das indagações filosóficas, atribuindo à experiência e às experimentações, a forma totalizadora do pensamento humano. O Pensamento e o Conhecimento viram sinônimos de técnica.

Todos aqueles que dominam o conhecimento, são aqueles que dominam as técnicas, os métodos de investigação ciêntífica.

Os templos mais poderosos são as universidades que possuem os sacerdotes do pensamento "verdadeiro", científico.

A Ciência-Deus e seus sagrados sacerdotes, produziram, é verdade, um avanço tecnológico admirável.
O tempo é engolido pelas novas transformações tecnológicas. A biotecnologia e a informática produzem cifras incontáveis todos os dias, mas somente para alguns.

O lucro é o horizonte a ser alcançado, o Homem se torna escravo das coisas e o consumo,é o mandamento a ser respeitado e perseguido.Especialistas são reverenciados: se estiver acometido por um problema de saúde, procure um especialista ortopédico de dedo mindinho - Não senhor ,eu não cuido de "fura-bolos" ou "cata-piolhos",procure um especialista.

Trataram de produzir disciplinas escolares, recortes arbitrários de ciência, que muitas vezes são tratados pelos Mestres como se fossem o objetivo da educação formal. O iluminado detentor de informações apreendidas em cinco anos de deglutições pseudo-verdadeiras nos cursos de graduações nos Templos da Verdade.Doutorados e mestrados que aumentam a renda e promovem o Status social que os diferencia dos demais. A busca do diploma para as classes médias e os mais favorecidos economicamente, é a busca do perdão nos novos confessionários,resgatando a ideia dos antigos títulos de nobreza distribuidos aos novos nobres,colaboradores do reino.

A técnica fragmenta o pensamento. Pensar em partes, ser especialista, significa saber muito e quase nada do todo a volta.

A alienção é o resultado. Estar alienado é estar fora, é ignorar o restante, o outro.

Vivemos em tempos onde os avanços tecnológicos e científicos produzem instrumentos e aparelhos úteis e maravilhosos. A ciência humana orgulha os céus, mas os valores e princípios éticos universais não acompanharam a mesma velocidade dos avanços científicos.O mecado é o Deus, o consumismo a oração. 

Será que o planeta suportará às demandas de consumo? claro que não. Mas também o poder de consumir não é , e não será, permitido a todos.Temos 3 bilhões de de excluídos da festa.Um poeta da baixada fluminense disse certa vez: "O futuro não é blade-runer , o futuro é Mad Max".A luta pelo acúmulo de riquezas vai fazer sobrar para todos , o nada.

Os estatutos da ciência limitam o pensamento, que libertariam os bilhões das amarras da condição de submetidos à lógica do mercado. A reflexão filosófica promove a volta ao ninho do pensamento técnico-científico. Será o conhecimento a serviço da humanidade como um todo. A dialética filosófica liberta a criatividade das celas fragmentadoras do pensamento.Mesmo as Ciências Sociais não deixam de ser exatas, quando submetidas às estatísticas(o novo terço religioso). Nem a interdisciplinariedade é o caminho, pois a base continua a ser a ciência. 

A Aletheia, enquanto o caminho das verdades a partir da reflexão filosófica, e a Aretê, devem ser os modelos de construção do conhecimento, pois levam em consideração, o ser humano em todas as suas dimenções.

O ser humano integral capaz da autonomia que permitirá a auto-libertação e a correção dos rumos da humanidade.

12 fevereiro 2006

Holocausto no Brasil.

A imprensa vem divulgando o que ocorre há décadas de silêncio às necessidades da maioria da população brasileira: o caos na saúde. O drama dos marginalizados do direito de continuar a viver é divulgado somente agora, pois percebe-se que há um aumento da demanda dos hospitais públicos por parcela significativa da classe média, afogada pelos altos preços dos planos de saúde e pela perda do poder aquisitivo nos últimos dez anos. Estas empresas financiam descaradamente campanhas eleitorais, como legalmente é provado, o "incentivo democrático" às camapanhas do PSDB de FHC e Serra.
Os planos e seguradoras de saúde deveriam devolver ao Estado as cifras vultuosas gastas pelos atendimentos emergenciais que são feitas pela rede pública de saúde , planos de rede privada que embolsam fortunas e não mantêm uma rede conveniada apropriada em número e qualidade para prestar os primeiros socorros.
As seguradoras, que são controladas por banqueiros, existem enquanto atravessadoras pois não possuem um único hospital próprio e pagam aos médicos conveniados cerca de um terço da tabela que define o valor do trabalho do profissional de saúde.
Os banqueiros que controlam setores estratégicos da atividade indústrial, latifundiários e o mercado financeiro, sugam como vampiros o sangue dos trabalhadores brasileiros.Tudo isso com a concordância dos sucessivos governos de todas as esféras,pois a política econômica neoliberal exige menores investimentos sociais, graças ,aos superávits primários e lei de responsabilidade fiscal, para o pagamento dos juros da dívida externa, a corrupção e as obras de fachada que se transformam em favores eleitorais por parte das empreiteiras.Ou seja, os governos constituídos alegam falta de recursos para investimentos sociais porque o Estado liberal é financiador do setor privado,seja na saúde ou na educação como faz o governo Lula com o PROUNI.
O prefeito, a governadora e o presidente da república praticam crime de responsabilidade e ignoram o estado de calamidade pública, se acusam entre eles pela (falta de) responsabilidade e se omitem diante do caos instalado.
O Ministério Público deve se pronunciar, e demonstrar que não é co-responsável pelo crime praticado pelos governantes , da cidade e do estado do Rio de Janeiro e pelo governo federal.
O mais importante, sem o qual nada mudará, é a mobilização dos movimentos sociais de todos os setores, levando a população às ruas exigindo a renúncia destes governantes, a produção de leis convenientes a maioria do povo, pois estes governantes são criminosos que matam por atacado, condenando à morte milhões de brasileiros.

15 janeiro 2006

O Jardineiro Fiel:plantando a morte na África

O filme de Meirelles, em cartaz nacional, é excelente e, realmente, precisa ser visto. Baseado em um romance de John le Carré, a história, a princípio, gira em torno do drama de um diplomata inglês (Ralph Fiennes) que se depara com o brutal assassinato de sua esposa (Rachel Weisz), no Quênia, no continente africano. Abalado e intrigado pelo fato de que o assassinato é creditado a um crime passional envolvendo dois supostos amantes de sua mulher, o diplomata parte para uma investigação que acaba descortinando uma rede de corrupção, vultuosos lucros e morte, movimentada pela indústria farmacêutica internacional, com o apoio ou a conivência de governos corruptos, do imperialismo e de entidades “humanitárias” (das ONG’s aos órgãos da ONU). Dotado de uma beleza e um cuidado técnico impressionantes – particularmente devido ao maravilhoso trabalho de fotografia do também brasileiro César Charlone (igualmente responsável pelos impressionantes tons e impactantes imagens de Cidade de Deus) e por uma –, O jardineiro fiel também é um potente retrato do local reservado pelo imperialismo à África e seu povo: o da miséria, o da exploração ilimitada e o do sofrimento e da morte provocados pela ganância capitalista.
A conspiração é global - O subtítulo é uma referência à frase que pipoca incessantemente no site oficial do filme, na Internet e serve perfeitamente para descrever o “clima” criado. Narrado sem muita preocupação com a linearidade temporal, o filme transcorre como um misto de história de amor e suspense, cheio de lances envolvendo espionagem, traições e armadilhas, típicos do gênero baseado nas chamadas “teorias da conspiração”. O problema, contudo, é que, neste caso, a conspiração é “real”. Dentro e fora das telas. No filme, Tessa, a mulher do diplomata, é uma apaixonada e idealista ativista que descobre que uma grande multinacional da indústria farmacêutica está “testando” seus produtos na população africana antes sequer de conhecer seus possíveis efeitos colaterais. Ou melhor, sabendo muito bem quais serão as conseqüências: muitos miseráveis “terão” que morrer antes que o remédio possa ser liberado para ser consumido (a um alto custo) no Primeiro Mundo.Tragada – juntamente com um médico africano – para o centro da asquerosa rede que alimenta e, ao mesmo tempo, omite o lucrativo e criminoso negócio, Tessa é eliminada numa conspiração que envolve gente de pelo menos três países e das mais diferentes esferas do poder.No mundo real, desde a década de 50, milhares de denúncias e vítimas já foram feitas em praticamente todo o Terceiro Mundo. No Brasil, por exemplo, há o lamentavelmente famoso caso da talidomida, que deu origem a milhares de crianças portadoras de deformações físicas. Mundo afora, já vieram à tona outros milhares de casos, envolvendo desde órgãos internacionais de saúde até os principais governos imperialistas do mundo, passando pela esmagadora maioria dos laboratórios multinacionais, como a Pfizzer, e fundações “humanitárias”, como a de Bill Gates. Levando a cabo a lógica cinicamente expressa por um dos personagens do filme – a de que só estão “matando gente que irá morrer de qualquer forma” – o imperialismo, além de todos os outros males já causados ao continente africano, não hesita em transformar a população de dezenas de países em meras cobaias, a serviço de seus lucros. Uma história que merecia ser contada. E, felizmente, o foi pelas mãos de um diretor que, cada vez mais, tem demonstrado sensibilidade para retratar os mundos que se escondem abaixo e além da pretensa aparência de ética e “boas intenções” do capitalismo globalizado.
As coisas feias que se escondem sob as pedras dos jardins - O título do filme é, simultaneamente, uma referência ao “hobby” favorito do diplomata e sua quase total incapacidade, até determinado momento, de ver algo que sua mulher insiste em lhe lembrar: sob as pedras dos jardins, escondem-se larvas e umas tantas outras coisas que ninguém quer ver e as ervas daninhas crescem livremente entre as mais belas flores.Essa podridão que floresce em meio à beleza é brilhantemente levada às telas por Meirelles inclusive na sua forma de filmar – o que, certamente, o qualifica como um grande diretor. A todo momento, o espectador é levado ao engano, é levado a tirar conclusões erradas através cenas e situações que confundem aparência e realidade. A começar pela “aparente” traição de Tessa e de todas evidências associadas a sua morte.Gente que não é o que diz ser, remédios que não servem para aquilo que são indicados e imagens que confundem sonho e realidade povoam o filme. Assim como, os festivos sons, ritmos e cores da África surgem como um gritante contraste para a miséria, a seca e as doenças que consomem seu povo.Uma situação que, como o próprio filme mostra logo em sua primeira cena, só tem se agravado com a disseminação da Aids, responsável pela contaminação de 26 milhões de africanos (de um total de 40 milhões em todo o mundo) e, certamente, por um crescente número de mortes de homens, mulheres e crianças, utilizados como cobaias. Um número que nunca saberemos ao certo, porque, como o filme também demonstra, além de não existirem registros destes testes, muitos são aqueles que, depois de mortos, desaparecem, enterrados em solo africano por “jardineiros cruéis”: o capitalismo e seus agentes espalhados pelos governos e empresas que enriquecem plantando a morte no continente.
Wilson H. Silva(redação do Opinião Socialista)

01 dezembro 2005

SOU NEGRO

Sou Negro meus avós foram queimados pelo sol da África
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques,gonguês e agogôs
Contaram-me que meus avós vieram de Loanda como mercadoria de baixo preço plantaram cana prosenhor do engenho novo e fundaram o primeiro Maracatu.
Depois meu avô brigou como um danado nas terras deZumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca escreveu não leu o pau comeu Não foi um pai João humilde e manso Mesmo vovó não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês ela se destacou
Na minh'alma ficou o samba o batuque o bamboleio e o desejo de libertação...

(Solano Trindade) a Dione Silva.

15 novembro 2005

Zé Kéti

Em 14 de novembro de 2005 completam 6 anos da partida de Zé Keti. Um dos grandes da cultura popular brasileira.

"Acender as velas já é profissão, quando não tem samba tem desilusão".

Nos tempos de "micaretagens da cultura de massa, é preciso que valorizemos o patrimônio da nossa cultura. São milhares os anônimos que se encontram nos botequins e terreiros de samba promovendo e perpetuando o que há de melhor da tradição popular.

"Salve o samba, queremos samba, quem está pedindo é a voz do povo de um país".

O cronista da vida do humilde, do favelado, do malandro, e das dificuldades que a República excludente,uma como sinônimo da outra, produziu e produz durante a nossa História.

"400 anos de favela, sem água, com mágoa...barracão de zinco perfurado".

A ausência de intervenção do Estado nas comunidades humildes, produz um verdadeiro exército de meninos e meninas para o tráfico de drogas,condenados a ter esperanças de integração à sociedade através do tráfico, referência de poder nas favelas, abandonadas pelos coronéis da República e pela omissão histórica da classe média ansiosa pela ascenção social permitida a cada vez menos pessoas. Em tempos de alta rotatividade das lideranças do tráfico, lembro de "Malvadeza durão,valente, mas muito considerado" ou de "Nega Dina":

"...a minha vida não é mole não, eu entro em cana toda hora...já ando assustado...sou um marginal brasileiro."

O sistema capitalista marginaliza bilhões de descendentes africanos, dos subúrbios da França,passando pelos guetos dos Eua, das favelas cariocas, nos cantos da Baixada Fluminense."Peço licença" para em nome de todos os excluídos do planeta, para exigir uma nova ABOLIÇÃO. Uma abolição que liberte da opressão-sofisticada-globalizada, a "exploração do homem pelo homem", causadora da exclusão de metade da população do mundo dos bens básicos à vida. O samba bastardo anuncia o tempo sem exploração, invadindo as novas "Casas Grandes" que cismam em deixar os povos dos "gramachos" de fora da festa do consumo. Salve o compositor popular, herdeiro dos, caxambu, jongo, coco de raiz, lundu-canção, modinha,calundus e calhandos.VIVA ZÉ KETI.

06 novembro 2005

O Império da Morte


O cartunista Mike Luckovich publicou uma charge sobre os 2.000 soldados norte-americanos que morreram no Iraque, devido às ações da resistência contra a ocupação do país. Mike, do Atlanta-Journal Constitution escreveu o nome dos 2.000 soldados, para compôr a palavra `Why?` e perguntar porque eles morreram. A pergunta é a mesma que a opinião pública norte-americana passou a se fazer durante a guerra do Vietnã e indica as semelhanças das duas intervenções militares do imperialismo. O século XX é profundamente marcado pelas intervenções militares dos EUA para garantia e sustentação do seu império.A intervenção militar só não é necessária quando não há resistência às políticas econômicas impostas, como no caso da América do sul,já que na América Central prevaleceu o Big Stick, a política do grande porrete que permitiu o controle sobre vários povos. A Doutrina Monroe("a América para os americanos"-do norte) foi implementada no século XIX, quando eles iniciam seu projeto de dominação sobre as Américas.Hoje a ALCA seria mas um capítulo do Imperialismo estadunidense que garantiria formalmente o abastecimento do capitalismo deles, submetendo os mercados latino-americanos às suas necessidades. Cresce no mundo e nas Américas a resistência ao "Império do mau" e suas tentativas de colonização, embora eles tenham a colaboração do governo Lula, e Chaves(Venezuela) , apesar da retórica belicista, continuar a ser o grande abastecedor de petróleo dos Eua, crescem as mobilizações e o sentimento anti-EUA, extamente por que, suas receitas políticas-econômicas para as Américas têm provocado o aumento da pobreza e da miséria com a colaboração dos governos burgueses-oligárquicos dos nossos países.Já há incusive, propostas do México de se incluir ao mercosul, já que o NAFTA(mercado comum da América do Norte) tem resultado na desgraça deste país. O mundo diz não as ações de Bush que nada mais faz do que dar continuidade à política iniciada no início da década de 90 com seu pai e o próprio povo de seu país dá claras mostras de indignação com as mortes da sua juventude. Assim como o grande Império romano caiu, não tenhamos dúvidas da queda do Império econômico dos EUA.

02 novembro 2005

Há de chegar o dia

Esta foi enviada pela Priscila Alves:

" Haverá um dia em que todos voltaremos a ser felizes.Será o dia em que Rosinhas serão apenas flores, Garotinhos apenas crianças, Genuínos serão coisas verdadeiras, Serra será apenas um acidente geográfico ou uma ferramenta, Genro apenas o marido da filha, Lula apenas um molusco marinho e Severino "apenas" o [querido] porteiro do prédio". Lembraria também de César como aquele que governou Roma ,e Maia, um descendente do povo que foi aniquilado por gente como o prefeito.

Eu ainda acrescentaria mais uns 5oo nomes, mas basta estes para não atrair mal agouro.

Esta me foi enviada pelo professor Emerson Fortes com relação ao texto "A bancada da bala agradece":

Caro colega Wallace, é surpreendente como são poucas as pessoas que percebem essa falta de compromisso com as origens ideológicas do partido, ou eles perderam as forças diante de tantas dificuldades políticas e tentam de alguma forma se alimentar das migalhas deixadas pelos ´´grandes`` partidos, ou vão junto com a multidão para não assumirem as responsabilidades de suas escolhas. Seja lá qual for, é lamentável e uma traição com quem acreditou.

20 outubro 2005

A Bancada da bala agradece

Gostaria de entender como pode um partido político como o PSTU que possui um programa socialista e revolucionário fazer a defesa abertamente do voto NÃO no referendo sobre comercialização de armas. Como pode um partido que pretende um dia dirigir a classe trabalhadora ser contra ela? pois os que mais sofrem com a disseminação das armas são certamente os mais humildes. Será que não chegou a hora de sairem do conforto das universidades e irem saber como vive o povo humilde das favelas deste país? A campanha pelo "direito de matar" é patrocinada por uma das indústrias mais poderosas deste país, considerada uma das mais importantes do ramo, patrocinadora da campanha de G. Bush, e tem suas ações batendo recordes históricos na Bovespa,a Taurus do Brasil. O PSTU virou um partido burguês? ou está brincando de revolucionário e vai ganhar algumas arminhas? será que perdeu definitivamente o bonde da História? Devemos então treinar os trabalhadores em cada esquina para matar os algozes? Alguém me diga por favor que classe social este partido defende. A aliança entre burgueses e operários era até então coisa de partido reformista. Como pode a aliança entre revolucionários e Bolsonaros? A bancada da bala agradece a contribuição dos diversos setores da sociedade e anuncia em alto e bom som que os próximos passos serão a aprovação do controle da natalidade, pena de morte, prisão perpétua e diminuição da minoridade penal. Este são pontos que compõem o programa histórico das oligarquias brasileiras em aliança com setores conservadores da classe média .É verdade que este referendo não determina a diminuição da violência, porém determina a quantidade de vítimas fatais em cada ato de violência.Fora que a defesa da arma é a falência do argumento político.Esta campanha(do Não) possui uma representação simbólica da morte da razão e aponta para as novas gerações o caminho a ser trilhado. Como explicar PSTU, aos grupos de defesa da mulher contra a violência doméstica a postura conservadora que pode legitimar os casos de morte de mulheres vítimas de maridos ciumentos, o que pode ser comprovado pelas estatísticas das delegacias de defesa da mulher.Eu que ajudei a construir este partido me envergonho de mais um dos seus erros.Bola fora, a bancada da bala agradece.

16 outubro 2005

Los Hermanos

Há qualquer coisa de velho nos Hermanos. Nostálgico no som que lembra pelos sentidos , pois não há razão neles. Sentimental dizem eles, é o Amarante, porém o Camelo passa neste disco ruminando uma dor. Dor de progressivos, de mineiros, de décadas de 60 e 70, de Vandré, de sintetizadores existencialistas, de múltiplas influências. Ferreira Gullar, o poeta, diz que apesar da morte das vanguardas a Arte continua a se reproduzir, ou melhor , a se produzir. Nestes tempos pós-modernos, onde tradição e modernidade se enlaçam, neste mundo de ilusões midiáticas, da supervalorização da estética-espetáculo, do fragmentado e especializado, os Hermanos se reinventam, se reconstroem dos cacos do sucesso de "Ventura" e da valorização momentânea da indústria cultural de massa, e produzem Arte, pois são Artesões preocupados com os detalhes que vão inebriar os sentidos de quem os ouve. "Eu preciso andar um caminho só, vou buscar alguém que nem sei quem sou".Que a procura seja sempre neles o sepultamento da mesmice enquadradora. Se lessem isto, diriam, como disseram, que "as pessoas estão pesadas, falta leveza". Este disco 4 é denso mas não um peso, é "Vento" que acaricia em um "Horizonte distante" pertencente à memória sensível.

Encomenda

Todos que viajam para os EUA tem uma bagagem gigantesca na volta por causa das listas de compras de parentes e amigos.Pois é, minha cunhada vai para lá e eu lhe dei uma lista de antigas perguntas para ela me trazer as respostas dos especialistas da maior potência do mundo. A seguir as perguntas que foram formuladas por Eduardo Galeano: aos Geógrafos, por que se chama América este que é um dos continentes americanos?
Aos sociólogos,por que uma sociedade tão livre tem o maior número de presidiários do mundo?
Aos psicólogos, por que uma sociedade tão sã engole a metade dos psicofarmácos do mundo?
Aos médicos de dietas, por que o maior número de obesos no país que dita o cardápio dos demais países?
Aos estrategistas de política externa, se os senhores têm, aí pertinho, uma ilha onde estão à vista os horrores do inferno comunista, por que não organizam excursões ao invés de proibir viagens?
Aos signatários do tratado de livre comércio ,se agora está aberta a fronteira com o México, por que morre mais de um mexicano por dia querendo cruzá-la?
E aos especialistas em direitos trabalhistas, por que Mc Donald`s e Wal-Mart proíbem os sindicatos em todos os países onde operam?
Aos economistas, se a economia duplicou nos últimos vinte anos, por que a maioria dos trabalhadores ganha menos do que antes e trabalha mais horas?
Aos responsáveis pela saúde pública, por que proíbem que as pessoas fumem, enquanto fumam livremente os automóveis e as fábricas?
Ao general que dirige a guerra contra as drogas, por que as prisões estão cheias de drogados e vazias de banqueiros lavadores de narcodólares?
Aos diretores do FMI e do Banco Mundial, se este país tem a maior dívida externa do planeta, e deve mais que todos os países juntos, por que os senhores não o obrigam a cortar gastos públicos e eliminar subsídios, [como fazem com os latino-americanos em suas receitas] ?
Aos ambientalistas, por que os que aqui governam falam sempre no futuro do planeta, enquanto este país gera a maior parte da contaminação [poluentes] que está acabando com o futuro do mundo?
Aos cientistas políticos, por que os que aqui governam falam sempre em paz, enquanto este país vende a metade das armas de todas as guerras?
Veja lá cunhada, se você vai esquecer da minha encomenda.

02 outubro 2005

LULA E RITA

A crise política é provocda pela ausência de um programa político de intervenção nos profundos problemas sociais, os quais constitui a verdadeira dívida. Os "rasgos de indignação moral" da oposição, da situação e da imprensa, criam o falso debate de que o problema é "ético" ou moral.A crise é consequência de um projeto petista democrático-liberal. Os democratas acreditam que estão acima dos antagonismos de classe, das lutas que se dão no chão da realidade social pela apropriação da riqueza, no jogo de cartas marcadas, a vitória é daqueles que comandam a banca. Marx disse que a História se repete, a primeira vez como farsa e a segunda como tragédia. É aqui que se pode relacionar Collor e Lula, embora o segundo seja, ou tenha sido, o maior líder da história do século XX no Brasil. A farsa da oratória da modernidade, da defasa dos "descamizados" que deu início a integração do Brasil à nova ordem mundial, de subordinação à ideologia neoliberal. Ali se enfraqueceu o Estado, fortalecido pela ditadura militar para o financiamento da burguesia nacional, de cócoras à transnacionalização e financeirização, projeto este, consolidado eficazmente por FHC. A História se repete como tragédia no governo Lula, pois o projeto neoliberal de integração subordinada à globalização tem continuidade no governo atual. Os sonhos(as promessas) de inclusão das massas, de maior interferência dos movimentos sociais organizados nas tomadas de decisão se esbarram na burocratização das direções sindicais, populares e estudantis para que a pseudo-hegemonia petista no parlamento controlasse à conta-gotas algumas reformas sociais sem o desagrado dos banqueiros internacionais, das antigas oligarquias agrárias e da FIESP. Quebrados os vernizes de esquerda das reivindicações dos trabalhadores, o PT modelou-as com feições liberais-democráticas e atirou no pé, quando abandonou as bandeiras históricas. A experiência partidária mais rica da História da América -Latina, abandonou à uma década, pelo menos, a força dialética dos núcleos de base e jogou todas as fichas na roleta viciada da democracia representativa e no caquético e esgotado liberalismo econômico. O furacão Rita instalado no governo Lula, lembra a Rita de Chico Buarque: " A Rita levou meu sorriso... levou junto com ela o que me é de direito, arrancou-me do peito e tem mais... Que papel... a Rita matou nosso amor de vingança, nem herança deixou...mas causou perdas e danos...levou os meus planos, meus pobres enganos, os meus vinte anos, o meu coração e além de tudo me deixou mudo o violão." Emudeceram o violão e choram as cuícas, mas a bateria da escola se reorganiza diante da nota baixa dada pelos julgadores do desfile de erros cometidos pelo governo burguês do PT.

26 setembro 2005

DESARMAMENTO

O Estado é o que detém o monopólio do uso da força física. Dito por Trotski e Weber em contextos diferentes, é o maior argumento para desarmar e garantir que a sociedade brasileira não continue se matando . O Estado está acima das emoções dos indivíduos.Mais do que efeitos práticos, a luta por desarmar as pessoas possui um efeito simbólico e pedagógico importantíssimo em favor da manutenção da vida. A educação ainda pode fazer com que se desenvolva o sentimento de que os problemas podem ser resolvidos sem o uso da violência. Veja outros argumentos que fazem parte da campanha pelo desarmamento, e se não ficar satisfeito, veja o filme Tiros em Columbine.
* Dos que reagem com armas, 90% se tornam vítimas da resistência.
* Quem usa arma sempre, tem mais chances de acertar o alvo.
* As armas não são causa da violência, mas a tornam fatal.
* 60% dos crimes são praticados por pessoas sem antecedentes criminais.
* Coibir o mercado de armas afetará o tráfico de drogas.
* A maioria das armas que circulam foram obtidas dentro do Brasil, compradas legalmente.
* O custo anual de internações por ferimentos de arma de fogo nas redes pública e privada chega a 140 milhões.
* No Brasil 30% das mortes por causas externas resultam de armas de fogo, e 25% de acidentes de trânsito. É o único país do mundo que não está em guerra em que se morre mais por arma que por acidente de carro, sendo que os índices por morte no trânsito no Brasil são os mais altos do mundo.
* Nos últimos 20 anos, a taxa de mortalidade por armas de fogo triplicou, passando de 7,2 para 21,8 mortes por 100 mil habitantes.
*De cada 3 pessoas internadas por ferimentos por armas de fogo , uma foi acidente com arma; no caso das crianças, 54 %.

25 setembro 2005

SAMBA e CINEMA

Se você gosta de samba e cinema, aqui vão algumas dicas. O documentário de Paulinho da Viola, Meu Mundo é hoje , conta a história do grande músico, recheado de craques da música, seus sambas, com um conteúdo filosófico interessantíssimo(nas locadoras). No jbonline, você pode ver dois curtas sobre o mesmo tema. O Jaqueirão do Zeca , com Zeca Pagodinho e Babaú na Casa do Cachaça - verde e rosa blues, maravilhoso curta metragem sobre um pouquinho da História de Babaú, na mangueira na casa de Carlos Cachaça.

24 setembro 2005

Violência:um grande negócio(parte 2)

A violência não é só resultado da pobreza e da miséria(54 milhões abaixo da linha de dignidade, segundo dados oficiais) , é produto da combinação destes com a ostentação e o consumismo estimulado diariamente pelos meios de comunicação. Eles dizem que o consumo gera empregos,mas também gera o sentimento de que a vida só vale à pena para quem possui, e na correria para acumularmos dinheiro passamos boa parte da vida. A outra parte de tempo que sobra, gastamos consumindo. Um círculo vicioso que nos condena a sermos somente compradores(30milhões somente), não dá tempo para sermos cidadãos. O tema violência já elegeu muitos, e alguns propõem muros e cercas para isolar em guetos as populações humildes transformando a "favela em nova senzala". É necessário tornar os milhões de excluídos em agentes do processo histórico. Umas das pontes para isso é a educação , não esta fajuta, formadora de apertadores de parafuso,educação para satisfazer a sanha de lucro de alguns poucos e a ilusão de que somos alguma coisa importante na sociedade por termos um "bom" emprego burocrático que me rende o dobro de dinheiro do meu vizinho . E por falar em muros, por que a sociedade que é modelo de liberdade para muitos(EUA), possui a maior populaçaõ carcerária do mundo? que polícia é esta(Brasil) que coloca para baixo da terra 3 seres humanos por dia? Muros separam pontes unem. É preciso construir pontes sociais. Ou será que a crescente violência vai continuar a pavimentar de dinheiro novos empresários e os políticos profissionais?

Violência:um grande negócio.(parte 1)

Privatizaram no Brasil algumas das empresas mais importantes e estratégicas.Mais a maior delas foi a privatização da segurança. Se somarmos os empregados da segurança privada, legais e ilegais somam-se um milhão e meio. É o setor que mais cresce no país campeão em desigualdades sociais. A injustiça que gera violência, que gera medo, que gera lucro para os empresários e emprego em abundância. Pagamos 4 mesesde salários em impostos, para que tenhamos uma polícia mal paga e mal treinada(ou educada), onde a inteligência está no dedo do gatilho, onde a juventude negra e favelada de 14 à 25 anos, é o seu alvo preferido. Investigação policial é grampo telefônico e nada mais. É verdade o que já disseram, que o crime é desorganizado, pois se organizados fossem, não diríamos que são um estado paralelo, e sim, o Estado oficial. A classe média (de)formada pela mídia clama pelo o aumento da repressão," o exército nas ruas" ,"pena de morte", etc , jogando a água da banheira fora junto com o bebê. A longo prazo se resolveriam alguns destes problemas com ,educação de qualidade, políticas públicas sociais e geração de empregos.Isto diminuiria sensilvelmente o exército de crianças e adolescentes acolhidos pelo tráfico. Só pega em arma para roubar quem não possui nada a perder,nem dignidade. Tudo isso embora, não acredito em solução dentro do sistema capitalista.

18 setembro 2005

Jazz embaixo d'agua

Tivesse Nova Orleans imitado Hollywood em sua calçada da fama, o baixo-relevo dos pés famosos estariam todos, agora, embaixo d’água. E naquelas paragens, a fama atende preferencialmente pelos nomes de King Oliver, Jelly Roll Morton, Sidney Brechet e, principalmente, Louis Armstrong. Todos exímios artesãos do jazz, o estilo musical que fez do improviso sua matéria prima, e de Nova Orleans seu berço esplêndido. Hoje, tombada pelas águas turvas do lago Pontchartrain, talvez ainda se possa ouvir em algum canto qualquer um sax ou trompete solitário chorando, atônito, notas improvisadas na paisagem desolada.A razão ocidental nunca engoliu muito bem a idéia de improviso. Desconfiou quando negros e mestiços principiaram a tocar instrumentos de ouvido, sem o auxílio luxuoso das partituras. O binômio improviso/planejamento remete a uma velha questão filosófica, mais especificamente epistemológica: o quanto sabemos acerca do mundo e de nós mesmos que nos permita antecipar, e com isso planejar, eventos futuros? Sejam esses eventos as notas musicais que compõem as sinuosas melodias do jazz, sejam as medidas necessárias a serem tomadas pelos poderes públicos para se evitar que catástrofes como a que se abateu sobre Nova Orleans assumam proporções maiores que as que deveriam assumir. É por conta do mal equacionamento das relações mútuas entre controle e liberdade que as artes e as ciências vêem muitos talentos se dissolverem no anonimato. Pela mesma razão o inferno costuma apinhar-se de políticos bem-intencionados, como diz o provérbio.Quanto à menina dos olhos de Nova Orleans, o jazz, só poderia mesmo ter nascido entre humanos escorraçados por esse privilégio da espécie: a razão. Como que descrentes de si mesmos, ou por habitarem esse subproduto da racionalidade ocidental chamada escravidão, acabaram por despejar na música o improviso que lhes possibilitou sobreviver em meio às querelas entre espanhóis, franceses e ingleses pela hegemonia política na região. Isso daria um bom mito da criação para o jazz. Como a água que recentemente vazou dos diques mal construídos de Nova Orleans, a musicalidade espontânea remanescente dos negros africanos não comportou o represamento da razão branca. “Do rio que transborda se diz que é violento, mas nada se diz das margens que o oprimem”, escreveu Bertolt Brecht.

Alexandre Mattos é educador.(Caros Amigos)

O ANALFABETO POLÍTICO

O pior analfabeto é o analfabeto político.Ele não ouve,não fala não participa dos acontecimentos políticos.Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, dependem das decisões políticas.O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que da ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos,que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresa nacionais e multinacionais.

Este texto de Bertold Brecht, por vezes encarado por mim como desabafo, chama a atenção para a importância da dimensão política como instrumento de renovação do ser humano. Aquele que participa da pólis(cidade) coloca para si a responsabilidade com o coletivo, vivencia não só as mundanças objetivas que a política proporciona, como a mudança subjetiva.O ser se encontra com o outro, se constrói solidário, reconhece no outro a sua própria existência, na medida que , como dizia Aristóteles , o homem é um animal social, que só se torna ser humano(aquele que pensa , projeta, produz cultura) na medida que sua existência passa a ter um sentido.

17 setembro 2005

ÉTICA DO SILENCIAMENTO DAS MAIORIAS

Não podemos acreditar, como deseja a grande imprensa ,que a crise política por que passamos esteja fundada sobre os signos da ética e da moral. A crise têm origem política.No distanciamento do PT à pelo menos dez anos dos princípios que o fundaram.A bandeira da ética levantada pelo PT foi utilizada como subterfúgio, escondendo sua adaptação às regras do jogo democrático-liberal, sua confiança nas políticas neoliberais como estado mínimo, privatização,políticas compensatórias(herança do Estado de bem estar social), desoneração do grande capital econômico-financeiro ,seu afastamento das bases,sua burocratização e etc. Sempre pensei ,assim como muitos, que o PT seria a melhor saída para a burguesia nacional e oligarquias para sustentar sua continuidade no poder, com um verniz de esquerda e uma história com poucas contradições,este partido, compensaria o peso do neoliberalismo sobre os humildes e classe média com recursos disponíveis para o assitencialismo. Depois do plano de estabilização econômica, era preciso manter o controle sobre os movimentos sociais, garantir estabilidade política para não sobressaltar o fluxo de capitais e incomodar as instituições financeiras internacionais.A burguesia nacional se contentaria com as migalhas. Hoje setores importantes desta elite nacional estão insatisfeitos com a política econômica de Palocci, e se reeditou a disputa do governo FHC entre financeiristas e desenvolvimentistas, estes representados por Dirceu. Este frágil projeto não poderia mesmo sobreviver à grande dívida social que possui este país. Ostentamos números vergonhosos, que estatisticamente nos coloca muito atrás dos mais miseráveis países africanos e latino-americanos e mesmo os números econômicos defendidos pelo governo, como o crescimento econômico, ficam bem longe dos do México, Tigres asiáticos, Argentina, China e outros . Não podemos deixar de lembrar que o Capitalismo opera com picos de crescimento e de contenção, e este é o momento de grande euforia mundial do grande Capital, deixando os números de Lula ridicularizados.
O governo Lula é ético sim. Sua ética é aquela mesma defendida por todos os governos liberais que nos antecederam. Seu compromisso é com a manutenção do que está dado pela Globalização econômica selvagem e com a ética dos latifundiários(agronegócio é sua nova máscara) .

12 setembro 2005

SER FLUMINENSE

Menino, primeira vez pisando no Maraca Eu vi o Escurinho dar o drible da vaca E chegar veloz à linha de fundo, Cruzando para o Valdo encantar o mundo. E também a mim, jovem espectador, que nascera, fanático torcedor, Deste tradicional clube de três cores. Que estará sempre entre os vencedores, Desde os tempos de nossos ancestrais, Das conquistas que vêm dos tempos de Batatais, Pedro Amorim, Romeu, Tim, Russo e outros mais, Das grandezas que contavam nossos pais; Que desde Veludo, Pindaro, Orlando, Carlyle, Com Didi nas Laranjeiras de dava baile! Eu vi São Castilho com a sua leiteria E a bola que bateu na trave e entraria Eu vi Clovis, Edmilson, Robson, Jair Marinho, Eu vi Altair dando um belo "carrinho". Eu vi Pinheiro bater pênalti de bico, Vi Evaldo, Joaquinzinho e até Pipico. Eu vi Paulinho cobrar um escanteio, P´ro Telê fazer um golaço de voleio. Eu vi Maurinho pular mais alto que o goleiro, E dar um golpe de testa, certeiro. Eu vi Procópio, expulso, voltar a campo semi-nú, Prá comemorar um gol com o Rei Zulu. Eu vi Flávio fazer 3 no Palmeiras, no Morumbi, E vi 4 no Santos, na Vila, com Manoel e Ubiraci. Eu vi Samarone com toda sua ginga, E o drible desconcertante do Cafuringa. Eu vi aquele cruzamento do Oliveira, Que encontrava o Mickey na banheira. Eu vi Marco Antônio em linda jogada pessoal, E vi Silveira isolar a bola na geral. Eu vi nosso canhotinha Gerson, com a tricolor, E muitos outros, que também jogaram com amor. Eu vi a puxeta de calcanhar, tão bonita, Do Carlos Alberto Torres, nosso "Capita". Eu vi a máquina, dizia a gente: "É covardia!" com "Rivelino, Paulo César & Cia.". Máquina que vi dar um show em Paris, Com a torcida de pé, pedindo bis. Eu vi o Papel fazer uma defesa sensacional, E o gol de malandragem do "gringo" Doval. Eu vi Rivelino em genial jogada de xadrez, desmoronar a defesa do "velho freguês". Eu vi o gol olímpico de Paulo Cezar Cajú, e os dois gols do Manfrini no Fla Flu. Eu vi Rubens Gálaxie, Cléber e Pintinho, A força de búfalo do Gil, a raça do Edinho. Eu cantei "João de Deus" na arquibancada, P´ra que ganhasse do Bangu, de virada, Nosso time tricampeão, com tantos nomes: Paulo Vitor, Aldo, Duílio, Ricardo Gomes. Time desse quilate, ainda está por vir, Seguro na defesa e no meio, com Jandir. Time guerreiro, mas que jogava bonito, A classe do Delei, a garra do Romerito. Eu vi Washington e Assis, nosso casal 20, Era um show, um assombro, um acinte: Washington fez aquele golaço no Vasco, E o Flamengo sucumbiu duas vezes ao Carrasco. Ora Tato, ora Paulinho, atacando pelo flanco, Com o sempre eficaz o apoio do Branco. Eu vi inúmeros feitos do nosso tricolor, Que da taça Olímpica é o detentor. Eu vi a máquina, vi timinho, vi timaço, vi gol de letra, gol chorado, vi golaço. Eu vi gol de mão, Wilton que diga, E vi gol de Renato com a barriga. Irmãos tricolores: atenham-se aos fatos, Somos nós os que temos mais campeonatos. E também nós, o que temos mais vitórias, Passado, presente e futuro de glórias. Por séculos, milênios e vidas inteiras Temos orgulho do clube das Laranjeiras. E a alegria eterna de torcer Pelo time que sempre vence, E a dádiva divina de nascer, viver e morrer Fluminense!
Nelson Goyanna
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11 setembro 2005

"A Guerra contra o terrorismo será longa"

Anunciou o presidente do planeta. Má notícia para os civis que estão morrendo e morrerão,excelente notícia para os fabricantes de armas.
Não importa que as guerras sejam eficazes.O que importa é que sejam lucrativas.Desde o 11 de setembro ,as ações da General Dynamics e outras empresas da indústria bélica subiram verticalmente em Wall Street.A bolsa as ama...Os fabricantes de armas precisam de guerras como os fabricantes de abrigos precisam de invernos.(Eduardo Galeano,Teatro do bem e do mal).

07 setembro 2005

Distraídos Venceremos

Vim pelo caminho difícil,
a linha que nunca termina,
a linha bate na pedra,
a palavra quebra na esquina,
mínima linha vazia,
a linha, uma vida inteira,
palavra, palavra minha.
(Paulo Leminski)

05 setembro 2005

Inútil e Subversivo

Em 1995 no jornal Inútil e subversivo(cacis-UERJ) escrevi o artigo abaixo.Veja se não se enquadra no momento atual.

IDEOLOGIA: FALSA CONSCIÊNCIA

Paira no ar a neblina do ópio, estagnador de mentes.
A fumaça do terror alienante, anestesia sentimentos ,pensamentos e ações.
A tempestade afunda embarcações dos marginalizados, enquanto portos seguros protegem os barcos poderosos.
"Representantes" dos trabalhadores tentam salvar o sistema ancorador, enferrujado e apodrecido, enquanto os que realmente produzem as ondas se afogam nas mesmas.
Paira no ar , o denso fedor da falsa consciência de si mesmos e das coisas. Homens, mulheres, crianças e velhos se intoxicam com o cheiro banalizador da expropriação capitalista.
Ninguém percebe que o maremoto engoliu à todos, e suas almas purgam pelas migalhas "salvadoras" do parlamento.
Em todo o planeta manipulam as crenças de fé justificadoras da razão burguesa.
Globalizaram a opressão, internacionalizaram a prisão de sentimentos, enquadrados que estão na lógica do mercado auto-regulável.
Sexo e prazeres são bestializados, e agora, não passam de meras necessidades de consumo,enquanto paixão e amor se encontram à venda nas bancas de jornais.
O Partido que nasceu das lutas dos trabalhadores, late mas não morde, domesticado que está pelo desejo de gerir o caos , ainda que uma minoria sincera, porém iludida, lance flexas sem rumo, sem direção.
No cenário da tragédia, o PT pensa que é protagonista da mudança, mais não passa de um figurante que contribui na novela do controle social, de tão responsável que é, pela sustentação da Farsa da Legalidade.
Participam do jogo sem saber ( será mesmo que não sabem?) que o tabuleiro pode ser virado a qualquer momento, pois as regras seguem a norma dos fabricantes das leis da oferta e da procura, das intervenções coercitivas de um sistema monetário internacional que oferece a pobreza para se dividir entre os miseráveis.
O sistema que joga no ostracismo a verdade do seu própio esgotamento, apesar da força não vai calar nunca àqueles que dizem que é mentira a verdade que eles criaram.

03 setembro 2005

Já é tempo...

Já passou o tempo de negar uma única maneira de ver o mundo.
Já passou o tempo de ver que o sistema econômico e político que vivenciamos neste momento histórico se esgotou. Já é chegada a hora do sonho fazer parte da realidade,e que este sonho não se submeta aos desejos materiais ,único em voga nos dias de hoje.
É chegada a hora das classes médias se despirem do manto da ilusão da aspiração de ascenção de classe como única motivadora da vida.
É chegada a hora de prevalecer as tradições eminentemente populares dos humildes em detrimento da indústria cultural que nos empurra, guela à dentro ,o lixo capitalista.
É chegada a hora, já é tempo de ver o ser humano se tornar verdadeiramente senhor da aldeia global que se formou em torno do papel moeda, a maior das ficções impostas pelos donos do Capital,responsáveis pela grande anestesia cerebral chamada de vida.
Já é tempo de enchergarmos os poetas como dirigentes do novo sistema tendo os educadores como primeiros ministros do novo mundo sem hierarquias, a não ser aquelas que o esforço do pensar,conhecer e estudar permitir. "Dancemos todos,dancemos,amadas,Mortos, amigos,dancemos todos até não mais saber-se o motivo ...Até que as paineiras tenham por sobre os muros florido!"

O QUE O VENTO NÃO LEVOU

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento....

(Mario Qintana)