08 setembro 2007

O Capital urubu.


Que sistema é este que consome vidas em troca de negócios? Se considerarmos o Mercantilismo como precondição para o capitalismo global em que vivemos, podemos dizer que este sistema possui mais de 500 anos, sem que consiga, se é que tenta, diminuir a dor dos famintos do planeta. Pelo contrário, por regra o capitalismo é o sistema onde se privilegia a circulação de mercadorias e o grande Capital que se alimenta de Capital gerado pela força de trabalho, cada vez menos protegidas por leis trabalhistas, graças a ideologia neoliberal, que prega e financia as classes dirigentes nacionais à diminuir a força do Estado. As instituições que compõem o Estado-nação hoje, tem seus recursos voltados para o financiamento dos desejos das burguesias nacionais, recursos estes que quando sobram dos pagamentos de dívidas feitas pelas classes dominantes são empregados como óleo para fomentar a máquina capitalista.


O resultado deste processo é o aumento do número de deserdados e famintos que se espalham pelo mundo. A África é o exemplo maior. Recortada pela sanha imperialista européia, no período de descolonização através das lutas de libertação nacionais, deixou os europeus à herança das guerras civis entre povos que no recorte imperialista acabaram fazendo parte de Estados artificiais. Povos com culturas e línguas diferentes se viram pertencendo e disputando o controle destes estados através de disputas armadas com armamento financiado por grandes corporações produtoras de armas, principalmente estadunidenses. Boa parte deste continente hoje, encontra-se sob guerra civil, produzindo a fome e a barbárie, contabilizando segundo o fotografo Sebastião salgado, mihões de pessoas em fuga de disputas insanas pelo poder político.


Não é diferente a situação da América Latina onde dados oficiais comemoram a diminuição de miseráveis. Dados maquiados com metodologias de pesquisas manipuladas que condenam mais de 150 milhões de pessoas à miséria absoluta, comandados pelas receitas dos organismos internacionais que dirigem o capital financeiro e obedecido a partir do emblemático “Consenso de Washington” (1992) pelos vários governos das Américas, incluindo o do senhor Luís Lula da Silva.


A China capitalista, comemorada como potência nacional do século XXI mantém sob censura e tortura milhões de ativistas e militantes pelas liberdades democráticas, e segundo dados oficiais, possui hoje 53 mil trabalhadores em regime de escravidão, fora os que trabalham por salários de fome.Existe um grande movimento nacional e internacional que prega a suspensão dos próximos jogos olímpicos pela defesa dos direitos humanos que o governo chinês, comandado pelo PC stalinista-maoista,ditadura que se disfarça sob o véu dos símbolos do antigo regime, viola descaradamente.


O Oriente Médio sofre com a intervenção estadunidense que busca subjugar as nações árabes aos interesses econômicos do petróleo e projetos de gasodutos, com o apoio europeu, incluindo a Rússia e aliados como alguns grupos de poderosos árabes e Israel.


O “Império da maldade” , Estados Unidos, por conta das grandes corporações e do mercado financeiro internacional comandam este planeta, direta e indiretamente no caminho do caos , sujeitando bilhões de famílias à fome. Segundo dados oficiais, são 3 bilhões de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria(com menos de 1 dólar por dia), mais de um bilhão que não tem acesso à água potável.


O sistema competitivo da selva global-capitalista estimula a corrupção dos Estados Nacionais para que ele subsista diante dos interesses econômicos, desviando a atenção dos seus povos para sangria do roubo do dinheiro público, enquanto sob a batuta da psudo legalidade as mega-corporações sugam os esforços dos trabalhadores, que convivem com a diminuição dos postos de trabalho, a precarização dos empregos que ainda existem ,e a perda de direitos trabalhistas e previdenciários em busca de sustentação da festa capitalista.


A fotografia é obra de Kevin Carter de 1993, no Sudão que mostra uma menina subnutrida e faminta em marcha para um abrigo que distribui comida a um km dali, que cai esgotada sobre a espreita de um urubu que aguarda pela morte desta. O autor recebeu o prêmio pulitzer de 1994, e se suicidou por não agüentar os questionamentos sobre o porquê de não ter salvado a criança. Talvez ele tenha contribuído para salvar milhões de outras crianças que sobrevivem no mundo inteiro sob a guarda do Urubu-capitalista, que promove e legitima esta situação enquanto circulam pelo planeta diariamente TRILHÔES de dólares sobre o controle de 200 famílias que se locupletam com as riquezas produzidas pelos trabalhadores do mundo.


Enquanto houver capitalismo, haverá fome, enquanto se sustentar este moribundo sistema não haverá paz. Como diz o escritor Eduardo Galeano, “No mundo das super tecnologias, nos tempos da microbiologia, uns são mercadores, outros somos mercadorias”.


18 agosto 2007

À vossa excelência,senhor Sérgio Cabral !

Gostaria muito ,senhor governador de render-lhe uma homenagem. Sabem aqueles todos(4) que me Lêem que não costumo usar esta página para enaltecer figuras públicas da política, nem tão pouco promover ataques pessoais. No entanto suas nobres atitudes em seu governo, principalmente quanto à educação, me encheram os olhos. Sua nobre figura deve possuir uma acessoria de primeira classe, sem contar no faro político de vossa excrescência.
Pois ao prometer em sua campanha eleitoral,aos profissionais da educação do Rio de Janeiro, 60% de reposição salarial, categoria esta que não recebe nenhum reajuste há mais de 10 anos , o senhor claro, não cumpriu. Propôs 25% em dois anos, ou seja , cinco reais e quarenta centavos por mês! Obrigado governador! Meu coração de professor transborda de alegria por sua generosidade e pelo sério comprometimento de vossa excrescência com a educação deste Estado! Pois todos sabem, que o servidor público da educação lida diariamente com a população mais humilde e necessitada, e esta reposição de perdas salariais, vai ao encontro da melhoria da qualidade de ensino e satisfação total do nosso público. Agradeço muito pela rápida ação do senhor em cortar o ponto destes grevistas que reclamam de barriga cheia, pois possuem vencimentos mensais de 431,00 reais, mais do que o suficiente para sustentar várias famílias.
Não poderia deixar de agradecer também por esta proposta ser a mesma para a área da saúde e segurança, pois juntando estas três atividades, vemos que estas não possuem importância alguma, perto das prioridades de seu glorioso governo. Não poderia esquecer de agradecer-lhe com todo o fervor pelo corte de 35 milhões das verbas da UERJ(Universidade do Estado do Rio de Janeiro), pois este vai proporcionar um avanço gigantesco nas áreas de pesquisa e graduação.
Tanto se fala na necessidade de investimento em educação nos dias de hoje , pois é a primeira alavanca para o desenvolvimento econômico e justiça social, que o senhor não pestanejou, e logo viu, como estadista que é, que este é o caminho certo para uma carreira brilhante na política. A revolta de professores, médicos , policiais civís e militares, não se justificam, pois sabemos que todos estes tem um lugar especial em seu nobre coração!
Gostaria de usar da música, arte das mais nobres da humanidade, para fechar esta homenagem à quem tanto tem feito pela igualdade social neste Estado, uma lembrança em nome de toda população humilde deste lugar, alunos em especial, pois agora o governo de vossa excrescência engrenou de vez!

Estão nas mangas dos Senhores Ministros
Nas capas dos Senhores Magistrados
Nas golas dos Senhores Deputados
Nos fundilhos dos Senhores Vereadores
Nas perucas dos Senhores Senadores
Senhores! Senhores! Senhores! Minha Senhora! Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido! Corrupto! Ladrão!
Sorrindo para a câmera sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras sem saber que são filmados
O sol um dia ainda vai nascer Quadrado
Isso não prova nada! Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos de tomar nenhuma decisão!
Vamos esperar que tudo caia no esquecimento Aí então... Faça-se a justiça!
Vamos arrumar vossas acomodações, Excelência.
Filha da Puta! Senhores! Corrupto! Senhores! Bandido! Senhores! Ladrão!
(Vossa Excelência -Titãs)

14 agosto 2007

Crise da Democracia representativa.



Uma página com mais de três dezenas de artigos sobre o tema, a crise da Democracia representativa, e por que não dizer, a crise da mais sofisticada forma de controle social?

Aonde irá a Democracia nascida na Grécia, já excludente, passando pelas tradicionais adaptações liberais, hoje o neoliberalismo inventou a Democracia sem Estado, onde as responsabilidades deste são unicamente o de promover programas de integração ao mercado. Será a morte da Cidadania? ou a submissão deste valor ao monstro-mercado ? Hoje ser cidadão ,segundo as ações do Estado e a veiculação da mídia, não passa por tão somente se tornar consumidor ou produtor, como diz Evelina Dagnino(que não está presente na seleção).

Autores como Eduardo Galeano, José saramago e muitos outros trazem ao debate, o que a grande mídia esconde, o esgotamento do capitalismo e da Democracia liberal como alternativa à solução dos problemas mais básicos da humanidade. Ou será que existe alternativa dentro da perverssão capitalista-global?


Acesse e tire suas próprias conclusões no sítio do Le Monde:


05 julho 2007

Violência no Rio de Janeiro.



Entrevista com Cecília Coimbra, presidente do Grupo Tortura Nunca mais do Rio de Janeiro. Cecília é psicóloga e professora da Universidade Federal Fluminense. O Grupo está envolvido na apuração e na denúncia do massacre no Alemão, indo ao local e ouvindo os principais envolvidos: os moradores.Cecília criticou a forma como foi veiculado o caso na grande mídia e contou alguns relatos de crimes cometidos pelos policiais, feitos por moradores do Alemão ao Tortura Nunca Mais. Entrevista concedida por telefone no último sábado, 30 de junho e publicada no portal do pstu.


O que aconteceu no Alemão, na quarta-feira, chocou o país inteiro e teve repercussão internacional. O secretário de segurança disse que quem não era bandido virou, porque resolveu enfrentar a polícia. E o que a gente vê são fotos até de crianças.

.Cecília – Tem crianças sendo degoladas, inclusive, diante das mães. Nós tivemos um caso de um menino de 13 anos e existem outros casos que os moradores informaram ontem [29/7/2007].


Os moradores estão com muito medo, porque eles ficam no meio do tráfico e da polícia. A polícia está muito mais violenta do que o tráfico, com invasões de domicílio, com essa coisa de degolar, inclusive de enfiar facão e degolar crianças.Houve relatos de roubos também. Isso está mesmo acontecendo?

Cecília – Invasão de domicílio e roubos. Isso aí sempre aconteceu em toda e qualquer invasão de favela. É o cara que bota o pé na porta e invade a sua casa como se fosse casa de ninguém. É uma coisa que a gente diz: será que a guarda nacional vai para a zona sul, para as áreas nobres do Rio de Janeiro? O “caveirão”, que vive andando aqui nas favelas do Rio, será que ele percorre as ruas da zona sul do Rio de Janeiro, os bairros de elite? São perguntas que a gente tem de fazer. A gente não pode naturalizar isso. E a grande massa da população brasileira, porque está tendo as suas cabeças feitas pelos grandes meios de comunicação de massa, acham sim que bandido tem de ser morto, que, se é bandido, até merece ser torturado e morto. É essa “política de tolerância zero” que está em vigência aqui.É terrível. Nós somos minoria, porque a gente não tem acesso aos grandes meios de comunicação de massa e a gente é desqualificada – os movimentos de direitos humanos – como “aqueles que defendem bandidos”. Temos de pensar por que isso é dito. Quando a gente acha que direitos humanos também devem ser estendidos aos pobres, a todos aqueles que nunca foram considerados como humanos, a gente passa a ser “defensora de bandido”.


O governo anunciou que vai voltar ao Alemão e que vão ter outras seis operações iguais – Cidade de Deus, Mangueira, Maré...

Cecília – Isso foi denunciado ontem. A companheira nossa, que está acompanhando, junto com o Justiça Global e outras entidades, essa invasão do Complexo do Alemão, colocou, inclusive, que tem um plano nacional de segurança pública, que vem dentro da “política de tolerância zero”, de cercar as ditas zonas perigosas, cercar as favelas.Você acha que o “PAC da Segurança” do governo Lula, que prevê mais de R$ 400 milhões só para o Rio de Janeiro, tem a ver com aumento de repressão?Cecília – Sem dúvida que é aumento de repressão. O Globo de hoje diz o seguinte: “Força Nacional permanecerá no Rio, no segundo semestre, para cercar favelas”. Olha como se produz um território perigoso, onde mora a pobreza, como se toda a pobreza fosse bandida. E até é de se pensar que bandidos são esses que estão lá. Que “pé-de-chinelo” é este que está lá? É a mesma coisa que havia na África do Sul, no regime racista do Apartheid, de campos de concentração. As comunidades ditas perigosas começam a ser cercadas. É isso que está se passando.Os jogos Pan-Americanos acirraram esta situação?Cecília – Justamente. Não é por acaso o que está acontecendo no Rio hoje. O Pan está aí, semana que vem está acontecendo. É a limpeza das ruas, é essa coisa do “higienismo do século XX”, que hoje se maquia. Está com outra cara, dentro da “política de tolerância zero”. “Vamos limpara as ruas! Vamos tirar a sujeira que está nas ruas!” Não é através de políticas que possam tirar estas pessoas da situação miserável em que estão: é pela pura repressão. E aí todo mundo apóia. A “política de tolerância zero” dos estados Unidos coloca isso muito claramente: em nome da qualidade de vida de alguns, muitos precisam ser reprimidos. Em nome da qualidade de vida das elites, a pobreza tem de ser exterminada. Não tem emprego para todo mundo. O dito Estado de bem-estar social cada vez se minimiza mais, e se fortalece o Estado penal. É o Estado penal que está vigendo aqui, o Estado penal repressivo e punitivo.


Como está, neste momento, a situação no Rio? Como está reagindo a população, inclusive quem não está no morro?

Cecília – De um modo geral, a população que está sendo informada só pelos meios de comunicação de massa está achando que é isso mesmo. Cria-se um clima de terror e de medo muito grande. Cria-se uma paranóia coletiva, e as pessoas acham que para a sua segurança tem de matar o outro mesmo, tem de cercar estes lugares perigosos mesmo, tem de transformar isso em campos de concentração. É o problema da sua segurança: a classe média está apavorada. Não é que a violência não exista, a violência está aí. Agora, ela é apresentada de uma forma que cria pânico, cria terror, e esse medo é uma forma de controle social. Quanto mais tutela do Estado a gente pede, mais repressão a gente pede, mais a gente está podendo ser atingido por essa repressão do Estado. Não tenhamos dúvidas disso.Eu ontem estive conversando com uma psicóloga, ex-aluna minha, que trabalha no Centro de Saúde do Morro do Alemão. Fora os depoimentos que a gente tem tido dos companheiros das entidades e da nossa companheira que estão indo lá. Os moradores dessa região estão apavorados. A população está com muito medo. Realmente, o terror dessas pessoas não aparece nos grandes meios de comunicação de massas. As barbáries que a Força Nacional e que a Polícia Militar estão fazendo no Complexo do Alemão não estão sendo mostradas. Mostram os arsenais de armas que foram apreendidos para justificar a matança. É muito sério, porque hoje a gente tem um outro dispositivo importante que controla e domina as mentes das pessoas, que são os meios de comunicação de massa hegemônicos. O que eles dizem passa a ser verdade. Ontem, por exemplo, a manchete do Globo transformava um cara que é um PM num herói, aparece fumando charuto. Esse cara, inclusive, segundo um depoimento de um morador de Acari, que esteve ontem no nosso evento, é uma pessoa conhecida das comunidades. Esse cara vira herói, fez o trabalho que tinha de ser feito. E sempre com a justificativa de estar indo contra os traficantes. Eu me lembro que, há alguns anos, a Marilena Chauí colocava uma coisa muito interessante que é: antes eram os terroristas, hoje são os traficantes. Isso justifica a repressão, e a população engole. Isso que é o pior: a população acha que isso é natural mesmo e se produz um individualismo cada vez maior, que é uma das pragas do capitalismo. “Eu cuido de mim e que se dane quem está do meu lado. Se ele é bandido, merece morrer mesmo, porque está pondo em risco a minha vida e a vida da minha família.” Entende? É este o pensamento hegemônico, infelizmente.


Até o momento, se tem notícias de que o centro de controle do tráfico tenha sido atingido ou fragilizado?

Cecília – Que eu saiba não. Eles apreenderam armas, mostraram armas na televisão, etc. e tal, fazem aquelas grandes mise en scénes, que são formas de justificar, mas a gente nem sabe se aquelas armas foram encontradas lá. Não se sabe.


Há alguma atividade prevista do movimento com relação ao massacre do Alemão?

Cecília – Hoje o pessoal está indo lá dentro do Complexo do Alemão. Várias entidades de direitos humanos vão entrar e tentar conversar com os moradores, fazer contato com os movimentos – há movimentos interessantes dentro do Complexo do Alemão. Na terça-feira, está programada uma manifestação para ver se o secretário de Segurança Pública recebe as entidades. Ontem e anteontem se fez manifestações na frente da Secretaria de Segurança Pública, mas o secretário só queria receber três entidades quando havia mais de vinte entidades presentes. Aí, ninguém aceitou isso.Na terça-feira, já tem programada uma ida à Secretaria de Segurança Pública. A gente soltou uma nota conjunta com várias outras entidades sobre essa situação. Estamos lá [no Alemão], tentando ter o apoio dos moradores do local, estamos mais próximos a eles. É o que a gente tem programado.


Leia também - "Violência, um grande negócio"- http://wallacecamargo.blogspot.com/2005_09_24_archive.html


Observatorio de favelas

04 julho 2007

MINHA MISSÃO.

Quando eu canto
É para aliviar meu pranto
E o pranto de quem já
Tanto sofreu
Quando eu canto
Estou sentindo a luz de um santo
Estou ajoelhando
Aos pés de Deus
Canto para anunciar o dia
Canto para amenizar a noite
Canto pra denunciar o açoite
Canto também contra a tirania
Canto porque numa melodia
Acendo no coração do povo
A esperança de um mundo novo
E a luta para se viver em paz!
Do poder da criação
Sou continuação e quero agradecer
Foi ouvida minha súplica, mensageiro sou da música
O meu canto é uma missão ,tem força de oração ,e eu cumpro o meu dever
Aos que vivem a chorar ,eu vivo pra cantar , e canto pra viver
Quando eu canto, a morte me percorre e eu solto um canto da garganta
Que a cigarra quando canta morre, e a madeira quando morre, canta!


(João Nogueira e P.César Pinheiro)

02 junho 2007

Chavez e a RCTV.



Quando a Globo quer que acreditemos que Lobo Mau é chapeuzinho, ela não mede esforços. Pois então esta rede e congressistas da direita brasileira falam que Hugo Chaves teve uma postura autoritária ao quebrar a concessão ,eles desconhecem ou, pretendem encobrir a História recente da Venezuela.

É preciso dizer que quem realmente se portou como golpista foi a rede de TV venezuelana, ao apoiar o golpe contra Chavez (Abril de 2002), manipular imagens dos conflitos que antecederam à tentativa de golpe e comemorar abertamente a destituição do seu governo.

Uma concessão pública se esgotou após 20 anos , e um governo tem todo o direito de vetar sua renovação, se esta não atende aos interesses da maioria do povo venezuelano, é plenamente dentro da lei. É bom que se diga que esta é uma prerrogativa de todas as democracias.

Se há golpismo, esta postura foi sempre , escancaradamente das oligarquias e classes favorecidas deste país, sempre protegidas em seus atos espúrios , por esta rede de televisão.

Não é somente um ato de cinismo, as declarações da secretária de Estado dos EUA, na defesa dos nobres deputados da direita brasileira, C.Rice, é uma forma clara de esvaziar e dividir o MERCOSUL para abrir caminho para a ALCA.

Ao chamar o nosso congresso de “Papagaio dos interesses dos EUA” , Chavez acertou, pois a História republicana do Brasil mostra o quão de quatro esta instituição está para as intervenções em nossa economia , e por que não dizer, em nossa soberania.

É certo que, Chavez é um populista, no que tange a permitir a existência desta elite econômica venezuelana, continuar o frondoso comércio de petróleo com os EUA, e não promover a participação ativa dos movimentos populares em sua gestão,enquanto envia recados certeiros e felizes para o “Império”. No entanto Chavez, ao contrário de Lula , tem coragem para desarticular as redes oligárquicas locais. Quem neste processo afronta a Democracia são aqueles que desejam manter as feridas abertas da América Latina para o vampiro estadunidense.

Imagine só você ,meu caro leitor, se não mais se renovassem os direitos públicos de concessão da Rede Globo de televisão, esta emissora que tem compromisso com os desmandos das elites brasileiras desde que foi fundada.

28 fevereiro 2007

O ECA e a falácia do argumento da impunidade.

Há um claro temor da sociedade pela crescente violência em nosso país. Não somente nas grandes cidades mas também em suas regiões metropolitanas, como mostram os últimos estudos. Os meios de comunicação apresentam a difícil realidade, porém incorrem em erro quando atribuem ao estatuto da Criança e do Adolescente(ECA) a responsabilidade pelo aumento da violência e da agressividade dos atos.
Estimulado pela grande mídia, o clamor por soluções, por parte da sociedade, tem passado mais pelo espírito de vingança e de revanche, do que por medidas que ataquem pela raiz a crescente anomia.
Gostaria de elencar alguns fatores que são ignorados pela mídia de massa e que são apontados por estudos científicos recentes:

No ato do crime , é onde teme o bandido pela sua vida,na medida que nossa polícia é a que mais mata no mundo. É a pena de morte não institucionalizada. A maior ou menor rigidez da pena não diminui índices de violência.
95% dos meninos e meninas delinquentes presos não completaram o ensino fundamental, que gera baixa auto-estima, na medida que sua integração à sociedade fica dificultada.
As famílias com menor formação escolar formal, possuem dificuldades para transmitir valores para seus filhos, para que se contenha a agressividade.

A grande maioria dos adolescentes infratores, faz uso do álcool ou outras drogas, que dificultam a consciência do ato violento.

É cada vez maior a degradação econômica destes jovens e suas famílias , ao mesmo tempo, que é estimulado o consumismo pelos meios de comunicação.

O sistema penitenciário, incluindo aí, as instituições para menores infratores, não cumprem seus designos de ressocialização. Os estado brasileiro e suas federações não cumprem as metas apontadas pelo ECA, que preveem medidas sócio-educativas. Estas instituições são meros depósitos de adolescentes e crianças.

A polícia corrupta, busca(e não consegue) proteger a propriedade, em detrimento do cidadão.
Este aparelho de repressão é, por princípio, péssimamente formado e remunerado e acaba levando boa parte da culpa pelo aumento da violência, quando na verdade, a culpa é da falta de investimentos sociais básicos.A velha máxima de Washigton Luís, " O problema social é um caso de polícia", está cada vez mais sendo reverenciado.

A escola brasileira é responsável pela expulsão de milhares de jovens dos bancos escolares, levando-se em consideração também , a demanda por emprego destes.
A educação brasileira possui um currículo baseado na transmissão de conteúdos, fechada para o contexto social e preocupada muito mais com as disciplinas técnicas do que com as disciplinas reflexivas do mundo em que vivemos.
Fechada para a realidade, voltada para o modelo fracassado dos vestibulares( que não é critério de qualidade para o ingresso na universidade) se nega a discutir valores que carecem a humanidade.
Confunde-se formação com apropriação e memorização de conteúdos disciplinares. É uma escola pouco atraente, que utiliza a avaliação como instrumento de punição, ferramenta de poder para professores, e mero medidor de absorção de conteúdos. O resultado é o desestímulo, o abalo da auto-estima, o abandono, e a perda de referência da educação como fator de integração à sociedade, ao emprego e a melhoria da qualidade de vida destes jovens e suas famílias.

O problema da violência, tem suas origens na concentração de renda, no estímulo à ostentação, e no atacado, à incompetência do sistema capitalista em promover a igualdade social. A tão decantada impunidade não é a principal causa, a não ser aquela que se refere aos poderosos. O problema central não está na lei, e sim , no poder executivo que não cumpre as leis ,e não resolve as necessidades básicas da população que vêem aumentadas suas demandas, na medida que o projeto econômico dos últimos 500 anos, atende às elites econômicas, nacionais e internacionais.

O Estatuto da Criança e do Adolescente é uma lei fabulosa na prevenção ao crime. Responsabilizar a maioridade penal pelo aumento da paticipação dos jovens em crimes, é uma leviandade, ou ignorância, daqueles que procuram insistentemente criminalizar a pobreza, como justificativa para a falência deste modelo econômico.

O código penal é amplamente executado para maioria pobre da população enquanto o código civil atende a uma minoria de privilegiados do sistema.

No couro do tamborim.


Sabe quando bate o vazio da quarta -feira de cinzas? A saudade do clima vadio do carnaval do Rio de janeiro, da alegria estampada na cara do folião do Cordão do Bola Preta, da espontaneidade do Bafo da Onça e do Boêmios de Irajá, da força popular do Cacique de Ramos. O vácuo do samba de terreiro, de quadra, dos ensaios das escolas de samba. Você que se sente orfão do samba de primeira, das marchinhas dos antigos carnavais pode se contentar com algumas das belas páginas de samba de raiz, até que chegue o dia da próxima roda de samba!

02 fevereiro 2007

A casa do Oscar.


A casa do Oscar era o sonho da família. Havia o terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar.

Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar.

Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.

Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e sai batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar.

Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.

Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando a minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é a casa do Oscar.

Homenagem de Chico Buarque ao arquiteto. 2000

03 janeiro 2007

SADDAM HUSSEIN.

A condenação de Saddam Hussein à forca , condena também toda a política dos Eua para o Oriente Médio.

O ditador foi posto e sustentado no poder pelos Eua. Inclusive , a condenação por tribunal de excessão, sem direito à defesa e o enforcamento , lembram a barbárie que vivemos, em um mundo dominado pelos valores desta pátria dos cifrões.

Foi enforcado por matar Curdos, com armas norte- americanas .

Condenável é a ação interventora estadunidense no Iraque ou na Palestina, via seu braço armado, Israel.

Condenável é o fato de no século XX, a cada 3 anos, os EUA terem provocado uma guerra que fosse ao encontro dos desejos da sua burguesia.

A forca é um instrumento , e símbolo, do que deseja para o mundo estes senhores da guerra .A forca é o seu emblema para tratar o planeta com se fosse seu quintal.

Sua democracia, onde poucos votam e ninguém participa, é a corda que serve de pretexto para o enforcamento daqueles que teimam em dizer, que um dia vocês cairão, como todo império da violência caiu durante a História.

Que percorram pelo mundo, as imagens do enforcamento do ditador sanguinário, sócio dos negócios e da política dos EUA, como também foi a Al-Qaeda,para que possamos nos enxergar, como nos tranformaram em meros espectadores das atrocidades cometidas ,como se fosse mais um filme de mocinhos e bandidos, para que um dia não muito longe, percebamos sua bandeira como mera suástica dissimulada.

Leia também,
"Ideologia e oportunismo"-O mito do fascismo islãmico" em
http://diplo.uol.com.br/2006-12,a1448

09 dezembro 2006

FUTEBOL E CONSCIÊNCIA.

http://futeboleconsciencia.blogspot.com

Leia em Futebol e Consciência o texto "O Brasil não foi campeão brasileiro" , deste site campeão em visitas.

Apagão dos transportes públicos de massa.


Com todo respeito que merecem todos que estão sofrendo com o "apagão na aviação", estou mais preocupado com o "apagão dos transportes públicos" dos grandes centros urbanos.A população da baixada fluminense,da zona oeste do Rio, do subúrbio também deseja expressar sua indignação nos telejornais. Sempre vejo, quando mostram os problemas dos transportes de massa, surgirem alternativas do tipo, "vá de bicicleta ou caminhe, pois faz bem para a saúde". Os milhões que se apertam nos trens, no metrô e nos ônibus do Rio de Janeiro também não aguentam mais tanto descaso com a qualidade e com os preços das tarifas absurdos(trajeto de 15 minutos em Duque de Caxias na baixada fluminenese custa 1,90).

É chegada a hora de inverter as prioridades. Não é por menos, que proliferam os transportes alternativos ou ilegais(muitos comandados pelo tráfico,outros pelo gigantesco exército de desempregados).O que estou falando, todos já sabem, o que quero saber é, até onde irá a "cara de pau" dos meios de comunicação em ignorar o sofrimento de milhões.

Ao pessoal que sofre com a inoperância do governo para resolver os problemas que se passam na aviação brasileira, eu aconselho: Pegue um trem na Central do Brasil às 6 horas da manhã!

15 novembro 2006

CÁPSULA DA CULTURA - SAMBA DE RAÍZ


http://capsuladacultura.blogspot.com/
O samba de raiz tem sido sim uma tendência atual, mas como tendências e modas passam e o mercado continua ignorando uma das maiores expressões culturais do planeta e da História, não posso deixar de indicar duas páginas que são referências importantes na internet.
A música brasileira, a maior expressão de nossa cultura popular, autêntica, na medida que produzida nas raízes do cotidiano, nos bares, nas favelas e onde quer que estejam brasileiros reunidos para festejar alguma coisa, não pode ficar submetida à três ou quatro multinacionais.
É preciso dizer , em alto e bom som(muito bom som!) que, a cultura fincada nas raízes , é geradora de consciência coletiva, tão necessária à consciência de classe ou mesmo à cidadania democrática.Mesmo que você não me entenda, ou mesmo que não ligue para os meus argumentos, visite estas páginas e simplesmente se divirta em descobrir as origens da nossa música e seus desdobramentos atuais. Cápsula da cultura e Samba de Raiz são símbolos da resistência ao controle das mentes.
http://www.sambaderaiz.blogspot.com/

27 outubro 2006

Nunca foi tão fácil escolher um lado.


A subida de Lula nas pesquisas, e sua provável vitória, é dada pela mudança no tom do discurso de sua campanha. Digo tom, pois o conteúdo do governo não possui ligação com sua campanha.

As acusações contra o PSDB, de terem entregue o patrimônio público ao grande capital, são verdadeiras. As privatizações de empresas - lucrativas ou as sucateadas propositalmente , quando subsidiavam à preço de custo à burguesia - sob o falso argumento de que sobrariam recursos para investimentos sociais - se mostrou ,como revela a realidade social , uma falácia.

Mas não posso deixar de demonstrar algumas contradições no discurso de campanha de Lula. As Parcerias-Público-Privadas (PPPs), entregam serviços públicos para a exploração privada, uma espécie de privatização envergonhada, à “francesa”.
Os dez milhões de empregos prometidos não poderiam ser gerados , na medida que as taxas de juros altas visam beneficiar os lucros de banqueiros, apesar do compromisso do programa com a burguesia brasileira.

O superávit primário, acompanhado da lei de responsabilidade fiscal, impede investimentos sociais, garantindo assim, o cumprimento das diretrizes do FMI.

Por que a campanha de Lula não se pronuncia sobre as reformas trabalhista e previdenciária? chamada de flexibilização de direitos , ou de superação de um falso déficit da previdência, se traduzem em ataques aos trabalhadores, à direitos conquistados pelas lutas contra a exploração , desde a década de dez do século XX.

O novo “queremismo”(campanha democrática de Vargas) soa falso até mesmo aos mais inocentes cidadãos.

Quanto ao próximo governo Lula, pelo desenho das alianças, e peso hegemônico, podemos dizer que será o governo do PMDB. Esta frente partidária que abriga, de representantes da oligarquia à FIESP.

Poderia ficar aqui escrevendo por dias apontando a farsa de Lula e do PT, mas é preciso denunciar que o PT é a direita moderna. Adota os princípios liberais, e ao mesmo tempo, controla e asfixia setores importantes do movimento social, cooptando com cargos ,lideranças destes movimentos e usando a retórica das reformas gradativas(etapismo) para segurar suas antigas bases sociais.

É correto afirmar o quão espúrios são os princípios do PSDB-PFL, que prepararam o Brasil para inserção submissa à globalização econômica. Mas a máscara de esquerda do PT já caiu há pelo menos dez anos. A História do PT, suas bandeiras de luta, não pertence mais ao presente, mas ainda enganam até setores importantes da classe média.
O assistencialismo barato do bolsa família não pode ser, e não é, política social em nenhum governo sério da História da humanidade. É política de contenção da panela de pressão da miséria e pobreza que crescem, principalmente nas metrópoles, como atestam as pesquisas recentes, logicamente não mostradas no Jornal nacional nem em programas eleitorais. O Pt se transformou na maior ferramenta do grande capital , de controle social , administrador dos interesses do mercado financeiro, enquanto mantêm a mão-de-obra mais barata da América Latina, para o prazer das multinacionais.

A Democracia que se apresenta, democrático-burguesa, não merece confiança, pois é um meio eficaz de garantir a legitimidade da maioria à continuidade da dominação de classe. Portanto o voto nulo se torna cada vez mais legitimo, quanto mais se excluem as alternativas ao sistema do capital e/ou se manipulam vontades ,ou criam-se desejos a partir dos meios de comunicação que servem para atender as demandas do liberalismo econômico.A campanha eleitoral é espaço conquistado pela luta dos trabalhadores , que serve para a denúncia deste modelo velho, excludente e expirado sistema capitalista.

Por isso , nunca foi tão fácil como agora escolher um lado , em uma campanha eleitoral cada vez mais parecida com as da ditadura militar(MDB x ARENA) , eu fico ao lado dos interesses legítimos dos trabalhadores , que exigem mais do que migalhas e esmolas, eu fico com o VOTO NULO.
Leia também "Inútil e Subversivo" sobre o PT de 12 anos passados , em http://wallacecamargo.blogspot.com/2005_09_05_archive.html

11 outubro 2006

MORA NA FILOSOFIA.

http://www.robertodaserrinha.blogspot.com
Quem não gosta de samba , bom sujeito não é. Frase famosa (De Dorival Caimi) espalhada pela Bossa Nova que faz referência às suas raízes.O comportamento do nosso povo tem estas raizes fincadas no samba. É possível viajar pelo século XX através das composições de grandes mestres como Noel Rosa, Cartola ,Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Elton medeiros,Paulinho da Viola e tantos outros que me fizeram perceber melhor a História do Rio de Janeiro, as angústias dos humildes e a alegria nas coisas simples, como o encontro com o grande amigo, o papo sem compromisso e as soluções para os grandes problemas mundiais depois de dois copos(sou fraco nesse negócio). O universo paralelo do samba renasce em vários cantos o rio(mesmo sabendo que o samba não morre nunca), seduz a classe média e nos mostra que há esperança no ser humano.Paralelo pois é ignorado pela grande mídia , infectados pelo vírus da infantilidade e imbecialização da cultura de massa que promove a obsolescência das consciências , e como consequência, a alienação política , a insensibilidade dos seres humanos e a banalização da vida. Qual o que, veja só que maravilha está disponível na rede, uma página dedicada à Roberto Ribeiro, grande mestre "imperiano" e suburbano como o espírito deste povo, feliz ,apesar da vida de gado imposta às massas, desacreditada do seu potencial de mudança que há de renascer das entranhas, temperada pela batida habilidosa de um pandeiro.
http://www.robertodaserrinha.blogspot.com/

Leia também

SAMBA e CINEMA
http://wallacecamargo.blogspot.com/2005_09_25_wallacecamargo_archive.html

ZÉ KETI
http://wallacecamargo.blogspot.com/2005_11_15_wallacecamargo_archive.html

10 setembro 2006

LULA: De marginal a opressor.

Ele que já defendeu trabalhadores de punho em riste,abnegado enquanto sidicalista, hoje não passa de boneco de ventriloco imperialista, concorda com demissões("descontratações", é o que faz parte do seu vocabulário atual) .Faz política como fazem os velhos "coronéis", se alía aos adoradores do Capital e acha normal que seus amigos roubem em nome de um projeto futuro duradouro para si e para os seus ,tão somente. Só me lembro nesta hora das músicas do grande Chico Buarque, sobre os "malandros".Mas há que se lembrar, que o verdadeiro malandro,como diz o bom compositor,é aquele que produz as riquezas deste país, que é tomado pela falta de memória, momentânea que se diga, mas que um dia fará da sua vida , a História determinada por si mesmo enquanto classe social , desamarrada totalmente das correntes e margens que o oprimem.
"Malandro candidato à malandro federal...que nunca se dá mal"
"Eis o malandro na praça outra vez,
Caminhando na ponta dos pés,
Como quem pisa nos corações,
Que rolaram dos cabarés,
Entre deusas e bofetões,
Entre dados e coronéis,
Entre parangolés e patrões..."

Sobre o governo Lula e o PT ,leia também os seguintes textos:

LULA E RITA .
http://wallacecamargo.blogspot.com/2005_10_02_wallacecamargo_archive.html

INÚTIL E SUBVERSIVO.
http://wallacecamargo.blogspot.com/2005_09_05_wallacecamargo_archive.html

ÉTICA DO SILENCIAMENTO DAS MAIORIAS.

http://wallacecamargo.blogspot.com/2005_09_17_wallacecamargo_archive.html

20 agosto 2006

"Política,mentiras e videoteipe".

Pense. Esta é uma palavra que possui vários significados. No entanto, o pensar é muito mais do que não agir por instinto, característica dos animais. Pensar significa fugir do senso-comum. Pensar é projetar. Se libertar da opinião, do pensamento médio da população, significa romper as barreiras da realidade indo ao imaginável, construir novas possibilidades, criar, negar o corriqueiro. Como diz o escritor Rubem Alves, o pensar tem “o poder de chamar à existência coisas que não existem e de tratar as coisas que existem como se não existissem.”. Pensar é apelar à Utopia, lugar que não existe, mas que pode ser construído, portanto, muito diferente da ilusão, da fantasia. Imaginar, no sentido de perceber as entranhas da realidade, onde o poder criativo está ligado à percepção do mundo.

Pois é isto que proponho. Negar o corriqueiro, em tempos de eleição, é deixar de acreditar que, o que é posto como verdade, necessariamente significa à atenção às necessidades da maioria. Se analisarmos a história recente do nosso país, veremos que em se tratando de processo eleitoral, os programas políticos, dos partidos e candidatos à presidência, possuem uma continuidade. Não há rompimento, ou descontinuidade nos programas políticos de José Sarney à Lula. Enquanto a ditadura militar preparou o Estado brasileiro para financiar a burguesia, todos os outros projetos políticos atenderam às demandas desta burguesia, em busca da desconstrução deste Estado.

Marx dizia que o "Estado é a ante-sala da burguesia" onde ela aguarda para ser atendida ansiosamente, e muitas vezes, quando não é rapidamente atendida, violenta a porta de entrada, mostrando o quão absurdo é, os poderosos economicamente não serem servidos com bandejas onde em cima conste, todo o produto do trabalho de milhões. É impossível que achemos normal que proprietários de latifúndios, banqueiros e grandes empresários sejam beneficiados pelo suor diário da maioria da população brasileira. Fazem-nos querer crer, através dos meios de comunicação, que os problemas sociais por que passam os brasileiros, serão resolvidos com ajustes pontuais e morais de deputados e ou presidentes.

O maior problema do estado brasileiro e da sociedade, não é a corrupção, embora conte muito o roubo de merenda escolar, superfaturamento de obras e tantas outras ilegalidades praticadas, o problema central é o volume de dinheiro escorrido pelos "ralos" legais, amparados pelas leis e pela burocrática - ideológica justiça, bilhões são sugados nacionalmente ou internacionalmente por poucos.
O povo brasileiro paga, em média, 180 bilhões de dólares por ano, de juros da dívida externa, tudo para que seja garantida a estabilidade econômica que enchem os bolsos de especuladores e banqueiros e garantam a continuidade do "status quo”, que vitimiza os trabalhadores e suga para a pobreza, a classe média proletarizada deste país. Lula é o novo comandante desta nau produzida pela classe dominante. Está sentado no colo do poder econômico, dando continuidade às políticas do PSDB, de Fernando Henrique e Alckmin, que foram produzidas pelo “Consenso de Washington”, pelos organismos econômicos internacionais.
Portanto Pense, assim mesmo com letra maiúscula, não se engane que a equação, PSDB+PT+PFL+PTB+PL+PMDB, resulta na continuidade desta realidade que hoje se apresenta. Privatizações, Reforma Trabalhista, reforma da previdência, são pontos determinados em 1992, pelo banco mundial e pelo FMI. Sim senhor ! Por mais que não pareça, estas instituições continuam à comandar o leme do país. Para o calafrio de alguns iludidos com o PT, este partido e seu programa, representam a política econômica iniciada pela ditadura militar, que passando por Sarney, Itamar, Collor, Fernando Henrique e Lula, mantém os mesmos pressupostos econômicos e políticos que garantem a alegria dos banqueiros, empresários e latifundiários do nosso país. PT e PSDB são partidos social-democratas, de origens diferentes, que aplicam criteriosamente os planos chamados de neo-liberais, com todos os princípios, a nova máscara do capitalismo que se adapta como camaleão às dificuldades que este sistema capitalista possui, graças as suas contradições.
Este filme-programa de Lula e de Alckmin é requentado, nós já o vimos com outras roupagens.

07 agosto 2006

VOZES DA AMÉRICA.

Conheça as Américas . Com um click você terá acesso a uma das visões mais lúcidas sobre a situação da América Latina , na política, na arte e na cultura deste continente desprezado por nós, por força da invasão cultural estadunidense, com a anuência dos meios de comunicação e da nossa classe média, apaixonada por Miami e pela Barra da Tijuca. Confira a situação cubana, se delicie com Pablo Neruda, Mário Quintana, Alca, "A Hydra", conto que nos remete à uma juventude apaixonada pelo espírito coletivo , por Utopias de transformação para um mundo melhor. Um "Olhar" diferente sobre uma América bem perto de nós, e ao mesmo tempo tão longe por força da conjuntura política.

29 julho 2006

TERRA E LIBERDADE.


Não existe país do mundo com tantos latifúndios na História da humanidade como o Brasil. Dos proprietários rurais, 1,9% é dono de 54,64% das terras agricultáveis. É o país com maior concentração de terras do mundo, e este sistema que gera o êxodo é o principal causador da violência nas grandes cidades. O conteúdo da violência possui origens nos milhões que fogem para as cidades e ficam sem o abrigo do Estado, que se preocupa mais em financiar o grande Capital financeiro e o Agro-negócio, novo nome , nova máscara do latifundiário. Os perdões das dívidas dos grandes proprietários de terra é comum entre todos os governos da nossa "república dos sem-vergonhas". O governo Lula se apoiou politicamente nos votos da bancada ruralista(180 votos) em troca da sustentabilidade de sua política de favorecimentos do Capital financeiro. A reforma-agrária, sob a batuta de Lula, não passou de retórica e a violência no campo brasileiro cresce na medida que não é encaminhada uma política séria de distribuição e financiamento para os sem-terra. A justiça brasileira, cega e sem tato, privilegia a manutençaõ desta realidade , onde processos de desapropriação, podem levar até 15 anos, mesmo que os processos sejam referentes à terras improdutivas. A lei não é neutra nem sagrada, segue no Brasil atendendo aos interesses de classe , e como já sabemos, não é a classe trabalhadora que se beneficia com ela. Os meios de comunicação em consonância com o modelo econômico, pois se beneficia com ele, atende às expectativas da ordem econômica e social e possui historicamente, relações libidinosas e asquerosas com o poder . Cabe aos meios de comunicação anestesiar corações e mentes com notícias , programas e publicidades que escondem e manipulam descaradamente informações a respeito da verdadeira realidade do povo brasileiro.
Mais do que votar em homens , precisamos saber que programas defendem, pois eles , ao contrário do que se imagina, são cumpridos criteriosamente, pois são eleitos pelas plataformas econômicas elaboradas pelo grande Capital financeiro e pela burguesia brasileira, que como cachorrinhos, abanam o rabo em baixo das mesas onde se refastelam em banquetes os "donos do mundo", em busca de migalhas e de associação nos negócios. A questão da terra no Brasil não pode ser enfrentada por Lula e Alkcimim, pois representam ,em seus programas, a continuidade.
A questão da terra no Brasil também diz respeito àqueles que moram nas cidades, que sem planejamento , não permitem vida digna à maioria. Terra para quem trabalha significa o assentamento de 20 milhões de pessoas no campo, significa preços menores dos alimentos pois não estaría a agricultura , submetida à monocultura e a política agroexportadora, significa a diminuição do fluxo de pessoas à caminho das grandes cidades, onde o fascínio urbano é uma farsa produzida pelos meios de comunicação. Temos que ter o direito à liberdade de apontar onde estão os erros da política de integração à Globalização econômica praticada pelos dois últimos governos, do PT e do PSDB, a liberdade de não se submeter as mentiras com uniformes de verdade apontadas para a população brasileira, produzidas pelo maior partido político da América Latina, a Rede Globo , pois não se resolve o problema da exclusão com projetos como o "criança esperança", ou mesmo outros projetos assistencialistas praticados por governos. Analgésico atenua os efeitos mas não curam doenças . As origens destas "doenças"estão amplamente diagnosticadas, riquezas o país possui em abundância . Falta distribuir a terra, a renda e o Capital.
Assista - "Terra para Rose" e " O sonho de Rose, dez anos depois." -1500 famílias que ocuparam terra improdutiva e balanço , 10 anos após sobre o que foi feito para resolver a questão agrária no Brasil. Ganhador de 12 e 9 prêmios nacionais e internacionais, respectivamente aos dois filmes.
Escute -" Funeral de um Lavrador" - poema de João Cabral de Mello Neto musicado por Chico Buarque.

19 julho 2006

A Política é...


A política é a arte do encontro. Remover os obstáculos para o entendimento, onde a exclusão não seja possível . Articular vontades , desejar ardentemente que a dignidade seja possibilidade de todos, que haja autonomia do pensar e promoção do que há de capacidade e habilidade em cada um. A política enquanto bem universal, que projete ao mundo a beleza das diferenças culturais. A política é exercício do poder, portanto que ele seja compartilhado. Para que no futuro haja o apreço ao saber e o encanto da Cultura, que possam significar o desencanto do consumismo. A política é possibilidade de transcendência, para que as almas não estejam presas à imanência do querer ter em excesso. O exercício da Política é o prazer da descoberta da própria força. A política é o prazer de conseguir perceber o outro. E não me venham dizer que o que se faz hoje é o que estou te dizendo. A política que se faz é a de satisfação econômica de poucos, é a ética do proprietário sobre as éticas dos oprimidos. A política é meio, para que o fim seja produto para todos. A política não é produto para o meio de vida de poucos. A política é a arte da partilha de vontades para que não se prima a vontade de alguns. A política é a estante da História cheia de participantes e a vitrine dos supérfulos cheias de teia de aranha. A política é a teia bem cerzida por todos, onde o burguês agoniza diante do ferrão. Vamos Marias e Zés, façamos Política !

17 julho 2006

Conflito no Oriente Médio.

O ataque do grupo xiita Hesbollah à Israel e sua contra-ofensiva cruel, pode destampar de uma vez a panela de pressão, generalizando os conflitos pela região. Claramente bem armado, presente no governo do Libâno , e com muita popularidade neste país, o ataque do Hezbollah, pode ser interpretado como um ato de solidariedade aos palestinos presos por Israel. A respostra de Israel tem provocado a morte de muitos libaneses e abalado a infra-estrutura econômica deste país. O governo do Libâno tem tanto controle sobre o Hesbollah quanto o Estado Palestino sobre o Hamas, ou seja, nenhum.
Um misto de omissão e sustentação política e econômica dos EUA com relação à Israel, é a causa dos conflitos que se desenvolvem na região desde a década de 90. Israel é o braço estadunidense na região e a sua saída do Oriente Médio, tanto das tropas quanto da interferência política, é condição fundamental para que se abram condições de acordos de paz .Mas não parece que os EUA assim o deseje. Os Eua acusam o Irã de financiar estes grupos terroristas e de desenvolver armamento nuclear. Tio Sam é o maior Estado terrorista do planeta e usa de pretextos para o enfraquecimento de qualquer grupo ou Estado que se torne possível liderança local. Por outro lado, especialistas apontam que Israel não suportaria mais esta frente de batalha, o que permitiria a intervenção direta dos EUA e do próprio Irã.
Como sempre sofrem os mais humildes, como se observa a falta de alimentos para os libaneses civis, atacados indiscriminadamente por Israel.
A paz virá com a ausência dos EUA e o imediato reconhecimento por parte de Israel de que Gaza pertence aos Palestinos , ou terão que se responsabilizar, mais uma vez, por milhões de inocentes mortos .

06 julho 2006

Por uma escola habilidosa!


O francês T. Henry disse que os brasileiros são mais habilidosos, pois passam mais tempo durante a vida com a bola nos pés, enquanto ele, quando queria jogar bola ,sua mãe dizia que tinha que ir para escola. Como eu gostaria que Henrry-mascarado estivesse errado.

Nos últimos 15 anos houve um esforço para a abertura de mais vagas em escolas no Brasil, seguindo a orientação do Banco Mundial, que a partir da década de 90, sobre pressão das grandes coorporações, objetiva qualificar mão-de-obra por conta da grande velocidade dos avanços tecnológicos .

A verdade é que a escola que conhecemos, é uma escola com o mesmo perfil de 300 anos atrás, quando das revoluções burguesas, esta classe social objetivou formar as sociedades à sua imagem e semelhança, construindo valores caros ao liberalismo, como competitividade, acumulação de bens materiais, individualismo e etc. Vimos que este modelo escolar permitiu a façanha de desenvolver científica e tecnologicamente um mundo fascinante, no entanto, esta escola conteudista e cientificista não abriu espaço para construção de valores que impedissem a concentração de Capital, terra e renda, que negasse a mínima possibilidade de desenvolvimento do racismo, do machismo, da opressão dos mais fortes economicamente, da exclusão de metade da população mundial da possibilidade de acesso à água potável e saneamento básico e a todas as vergonhas que a humanidade conhece, graças aos meios de comunicação globalizado e ao dia-a-dia de trabalhadores espoliados pela ganância do grande Capital. Qualquer destas informações podem ser comprovadas com uma mera leitura dos dados da ONU, que ajudou à construir esta realidade que se apresenta.

Pecisamos de uma escola que, como dizia Paulo Freire , denuncie a "feiúra" do capitalismo , o próprio esgotamento deste sistema que se mostra incapaz de solucionar problemas fundamentais da humanidade, de uma escola que parta do ser humano e não dos princípios do Capital, que permita a igualdade de oportunidade de fato , e não só de direito.

Uma escola baseada simplesmente em conteúdos disciplinares, recortes de ciências naturais e sociais, não estará apta nunca para o desenvolvimento social, e sim permitirá mais e mais concentração de riquezas, pois ela será sempre um espaço privilegiado de formação de ovelhas obedientes tecnicamente qualificadas.

Que possamos um dia calar o T. Henrry, na bola e nos dados sociais, pois por enquanto , sofremos com uma escola de "obediência tática", e desejamos a formação de gerações que pensem estrategicamente.

visite também http://futeboleconsciencia.blogspot.com

22 maio 2006

LIBERDADE

Como o cerzido da costura da dor
que se foi.
Como a sombra que me segue até o fim
do crepúsculo.
Como a luta de muitos
do dia-a-dia de ferros retorcidos.
Pela força da opressão
me liberto com o cheiro da flor que resiste ao progresso.
Do empurrão no abismo,
nascem as asas.

29 abril 2006

PALAVRAS

...Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ... Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras*, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca. mais,se viu no mundo ... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma.
PABLO NERUDA

05 março 2006

ALETHEIA


O termo Aletheia significa a busca da verdade através do conhecimento.Tem origem na antiga Grécia,onde esta rivalizava no espírito humano, com a Aretê, que significa a busca da verdade através da religiosidade.

De certa forma, esta dicotomia foi resgatada pelos renascentistas e posteriormente pelos iluministas e atores sociais das Revoluções burguesas do século XVIII, com o objetivo de afirmar a ciência como condutora do progresso da humanidade e a eliminação do poder político da igreja católica medieval e absolutista.

Com as Revoluções burguesas, era preciso mudança radical na política, na arte, na cultura, na educação, de forma que, a sociedade nova fosse criada à imagem e semelhança das novas classes proprietárias.

Em todo este precesso, se reafirmam as ciências, como condutoras da "verdades" a serem perseguidas pela humanidade.

A sacralidade das ciências(naturais e sociais) esvazia o peso das indagações filosóficas, atribuindo à experiência e às experimentações, a forma totalizadora do pensamento humano. O Pensamento e o Conhecimento viram sinônimos de técnica.

Todos aqueles que dominam o conhecimento, são aqueles que dominam as técnicas, os métodos de investigação ciêntífica.

Os templos mais poderosos são as universidades que possuem os sacerdotes do pensamento "verdadeiro", científico.

A Ciência-Deus e seus sagrados sacerdotes, produziram, é verdade, um avanço tecnológico admirável.
O tempo é engolido pelas novas transformações tecnológicas. A biotecnologia e a informática produzem cifras incontáveis todos os dias, mas somente para alguns.

O lucro é o horizonte a ser alcançado, o Homem se torna escravo das coisas e o consumo,é o mandamento a ser respeitado e perseguido.Especialistas são reverenciados: se estiver acometido por um problema de saúde, procure um especialista ortopédico de dedo mindinho - Não senhor ,eu não cuido de "fura-bolos" ou "cata-piolhos",procure um especialista.

Trataram de produzir disciplinas escolares, recortes arbitrários de ciência, que muitas vezes são tratados pelos Mestres como se fossem o objetivo da educação formal. O iluminado detentor de informações apreendidas em cinco anos de deglutições pseudo-verdadeiras nos cursos de graduações nos Templos da Verdade.Doutorados e mestrados que aumentam a renda e promovem o Status social que os diferencia dos demais. A busca do diploma para as classes médias e os mais favorecidos economicamente, é a busca do perdão nos novos confessionários,resgatando a ideia dos antigos títulos de nobreza distribuidos aos novos nobres,colaboradores do reino.

A técnica fragmenta o pensamento. Pensar em partes, ser especialista, significa saber muito e quase nada do todo a volta.

A alienção é o resultado. Estar alienado é estar fora, é ignorar o restante, o outro.

Vivemos em tempos onde os avanços tecnológicos e científicos produzem instrumentos e aparelhos úteis e maravilhosos. A ciência humana orgulha os céus, mas os valores e princípios éticos universais não acompanharam a mesma velocidade dos avanços científicos.O mecado é o Deus, o consumismo a oração. 

Será que o planeta suportará às demandas de consumo? claro que não. Mas também o poder de consumir não é , e não será, permitido a todos.Temos 3 bilhões de de excluídos da festa.Um poeta da baixada fluminense disse certa vez: "O futuro não é blade-runer , o futuro é Mad Max".A luta pelo acúmulo de riquezas vai fazer sobrar para todos , o nada.

Os estatutos da ciência limitam o pensamento, que libertariam os bilhões das amarras da condição de submetidos à lógica do mercado. A reflexão filosófica promove a volta ao ninho do pensamento técnico-científico. Será o conhecimento a serviço da humanidade como um todo. A dialética filosófica liberta a criatividade das celas fragmentadoras do pensamento.Mesmo as Ciências Sociais não deixam de ser exatas, quando submetidas às estatísticas(o novo terço religioso). Nem a interdisciplinariedade é o caminho, pois a base continua a ser a ciência. 

A Aletheia, enquanto o caminho das verdades a partir da reflexão filosófica, e a Aretê, devem ser os modelos de construção do conhecimento, pois levam em consideração, o ser humano em todas as suas dimenções.

O ser humano integral capaz da autonomia que permitirá a auto-libertação e a correção dos rumos da humanidade.

12 fevereiro 2006

Holocausto no Brasil.

A imprensa vem divulgando o que ocorre há décadas de silêncio às necessidades da maioria da população brasileira: o caos na saúde. O drama dos marginalizados do direito de continuar a viver é divulgado somente agora, pois percebe-se que há um aumento da demanda dos hospitais públicos por parcela significativa da classe média, afogada pelos altos preços dos planos de saúde e pela perda do poder aquisitivo nos últimos dez anos. Estas empresas financiam descaradamente campanhas eleitorais, como legalmente é provado, o "incentivo democrático" às camapanhas do PSDB de FHC e Serra.
Os planos e seguradoras de saúde deveriam devolver ao Estado as cifras vultuosas gastas pelos atendimentos emergenciais que são feitas pela rede pública de saúde , planos de rede privada que embolsam fortunas e não mantêm uma rede conveniada apropriada em número e qualidade para prestar os primeiros socorros.
As seguradoras, que são controladas por banqueiros, existem enquanto atravessadoras pois não possuem um único hospital próprio e pagam aos médicos conveniados cerca de um terço da tabela que define o valor do trabalho do profissional de saúde.
Os banqueiros que controlam setores estratégicos da atividade indústrial, latifundiários e o mercado financeiro, sugam como vampiros o sangue dos trabalhadores brasileiros.Tudo isso com a concordância dos sucessivos governos de todas as esféras,pois a política econômica neoliberal exige menores investimentos sociais, graças ,aos superávits primários e lei de responsabilidade fiscal, para o pagamento dos juros da dívida externa, a corrupção e as obras de fachada que se transformam em favores eleitorais por parte das empreiteiras.Ou seja, os governos constituídos alegam falta de recursos para investimentos sociais porque o Estado liberal é financiador do setor privado,seja na saúde ou na educação como faz o governo Lula com o PROUNI.
O prefeito, a governadora e o presidente da república praticam crime de responsabilidade e ignoram o estado de calamidade pública, se acusam entre eles pela (falta de) responsabilidade e se omitem diante do caos instalado.
O Ministério Público deve se pronunciar, e demonstrar que não é co-responsável pelo crime praticado pelos governantes , da cidade e do estado do Rio de Janeiro e pelo governo federal.
O mais importante, sem o qual nada mudará, é a mobilização dos movimentos sociais de todos os setores, levando a população às ruas exigindo a renúncia destes governantes, a produção de leis convenientes a maioria do povo, pois estes governantes são criminosos que matam por atacado, condenando à morte milhões de brasileiros.

15 janeiro 2006

O Jardineiro Fiel:plantando a morte na África

O filme de Meirelles, em cartaz nacional, é excelente e, realmente, precisa ser visto. Baseado em um romance de John le Carré, a história, a princípio, gira em torno do drama de um diplomata inglês (Ralph Fiennes) que se depara com o brutal assassinato de sua esposa (Rachel Weisz), no Quênia, no continente africano. Abalado e intrigado pelo fato de que o assassinato é creditado a um crime passional envolvendo dois supostos amantes de sua mulher, o diplomata parte para uma investigação que acaba descortinando uma rede de corrupção, vultuosos lucros e morte, movimentada pela indústria farmacêutica internacional, com o apoio ou a conivência de governos corruptos, do imperialismo e de entidades “humanitárias” (das ONG’s aos órgãos da ONU). Dotado de uma beleza e um cuidado técnico impressionantes – particularmente devido ao maravilhoso trabalho de fotografia do também brasileiro César Charlone (igualmente responsável pelos impressionantes tons e impactantes imagens de Cidade de Deus) e por uma –, O jardineiro fiel também é um potente retrato do local reservado pelo imperialismo à África e seu povo: o da miséria, o da exploração ilimitada e o do sofrimento e da morte provocados pela ganância capitalista.
A conspiração é global - O subtítulo é uma referência à frase que pipoca incessantemente no site oficial do filme, na Internet e serve perfeitamente para descrever o “clima” criado. Narrado sem muita preocupação com a linearidade temporal, o filme transcorre como um misto de história de amor e suspense, cheio de lances envolvendo espionagem, traições e armadilhas, típicos do gênero baseado nas chamadas “teorias da conspiração”. O problema, contudo, é que, neste caso, a conspiração é “real”. Dentro e fora das telas. No filme, Tessa, a mulher do diplomata, é uma apaixonada e idealista ativista que descobre que uma grande multinacional da indústria farmacêutica está “testando” seus produtos na população africana antes sequer de conhecer seus possíveis efeitos colaterais. Ou melhor, sabendo muito bem quais serão as conseqüências: muitos miseráveis “terão” que morrer antes que o remédio possa ser liberado para ser consumido (a um alto custo) no Primeiro Mundo.Tragada – juntamente com um médico africano – para o centro da asquerosa rede que alimenta e, ao mesmo tempo, omite o lucrativo e criminoso negócio, Tessa é eliminada numa conspiração que envolve gente de pelo menos três países e das mais diferentes esferas do poder.No mundo real, desde a década de 50, milhares de denúncias e vítimas já foram feitas em praticamente todo o Terceiro Mundo. No Brasil, por exemplo, há o lamentavelmente famoso caso da talidomida, que deu origem a milhares de crianças portadoras de deformações físicas. Mundo afora, já vieram à tona outros milhares de casos, envolvendo desde órgãos internacionais de saúde até os principais governos imperialistas do mundo, passando pela esmagadora maioria dos laboratórios multinacionais, como a Pfizzer, e fundações “humanitárias”, como a de Bill Gates. Levando a cabo a lógica cinicamente expressa por um dos personagens do filme – a de que só estão “matando gente que irá morrer de qualquer forma” – o imperialismo, além de todos os outros males já causados ao continente africano, não hesita em transformar a população de dezenas de países em meras cobaias, a serviço de seus lucros. Uma história que merecia ser contada. E, felizmente, o foi pelas mãos de um diretor que, cada vez mais, tem demonstrado sensibilidade para retratar os mundos que se escondem abaixo e além da pretensa aparência de ética e “boas intenções” do capitalismo globalizado.
As coisas feias que se escondem sob as pedras dos jardins - O título do filme é, simultaneamente, uma referência ao “hobby” favorito do diplomata e sua quase total incapacidade, até determinado momento, de ver algo que sua mulher insiste em lhe lembrar: sob as pedras dos jardins, escondem-se larvas e umas tantas outras coisas que ninguém quer ver e as ervas daninhas crescem livremente entre as mais belas flores.Essa podridão que floresce em meio à beleza é brilhantemente levada às telas por Meirelles inclusive na sua forma de filmar – o que, certamente, o qualifica como um grande diretor. A todo momento, o espectador é levado ao engano, é levado a tirar conclusões erradas através cenas e situações que confundem aparência e realidade. A começar pela “aparente” traição de Tessa e de todas evidências associadas a sua morte.Gente que não é o que diz ser, remédios que não servem para aquilo que são indicados e imagens que confundem sonho e realidade povoam o filme. Assim como, os festivos sons, ritmos e cores da África surgem como um gritante contraste para a miséria, a seca e as doenças que consomem seu povo.Uma situação que, como o próprio filme mostra logo em sua primeira cena, só tem se agravado com a disseminação da Aids, responsável pela contaminação de 26 milhões de africanos (de um total de 40 milhões em todo o mundo) e, certamente, por um crescente número de mortes de homens, mulheres e crianças, utilizados como cobaias. Um número que nunca saberemos ao certo, porque, como o filme também demonstra, além de não existirem registros destes testes, muitos são aqueles que, depois de mortos, desaparecem, enterrados em solo africano por “jardineiros cruéis”: o capitalismo e seus agentes espalhados pelos governos e empresas que enriquecem plantando a morte no continente.
Wilson H. Silva(redação do Opinião Socialista)

01 dezembro 2005

SOU NEGRO

Sou Negro meus avós foram queimados pelo sol da África
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques,gonguês e agogôs
Contaram-me que meus avós vieram de Loanda como mercadoria de baixo preço plantaram cana prosenhor do engenho novo e fundaram o primeiro Maracatu.
Depois meu avô brigou como um danado nas terras deZumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca escreveu não leu o pau comeu Não foi um pai João humilde e manso Mesmo vovó não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês ela se destacou
Na minh'alma ficou o samba o batuque o bamboleio e o desejo de libertação...

(Solano Trindade) a Dione Silva.